Centro Cultural do Vale do Mouro /// Falta o mais difícil

MONÇÃO

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“Penso que o mais fácil já está, que é construir; o mais difícil é, agora, funcionar”. Foi assim que Augusto Domingues, presidente da Câmara Municipal de Monção após 16 anos como vereador da Cultura, sintetizou as suas expetativas relativamente ao Centro Cultural do Vale do Mouro, em Tangil, benzido e inaugurado neste mês de junho, com a presença de autarcas das diversas forças políticas.

Para que isso seja conseguido, o edil considera que o nome que acabou por lhe ser atribuído – “do Vale do Mouro” em vez “de Tangil” – se revela fundamental. “O próprio nome ajudará a que seja mais funcional, a atrair as outras freguesias para justificar todo o investimento”. À volta de 800 mil euros, metade dos quais suportado pela autarquia municipal e o restante pelos fundos comunitários do PRODER.

“Esta foi a minha primeira decisão, difícil, enquanto presidente da Câmara. A obra tinha começado no tempo em que o doutor José Emílio era o presidente. Os valores são avultados. Estava parada, procurávamos financiamentos para cobrir todo o esforço, os meus colegas da Câmara delegaram em mim essa decisão. E decidi por este Vale. Isto vai torná-lo diferente.”

Gerido pela Casa do Povo de Tangil, o centro cultural pretende, também, abranger as freguesias de Merufe, Riba de Mouro, Podame, Segude, Badim, Sá, Messegães, Valadares, Ceivães e Barbeita. Aproveitou espaços da antiga escola primária para se criar uma estrutura com um auditório para 168 pessoas, seis salas, camarins e casas de banho. Falta concluir, ainda, as salas de aulas de música e, nosespaços ainda por intervir, está pensada a instalação do museu e da biblioteca da Banda Musical da Casa do Povo da freguesia.

 MÚSICA, TEATRO, DANÇA E COLÓQUIOS

A prática e a aprendizagem da música deverá ser o objeto principal. Além da filarmónica  –  já a aproximar-se dos 180 anos de vida e com cerca de 120 músicos, incluindo a estrutura juvenil – , deverá acolher estudantes da escola local (do 1º ao 9º ano). Deverá, também acolher eventos culturais de outras coletividades do vale.

Álvaro Alves, presidente da Casa do Povo, afiança que, além da música, o espaço será um local para “desfrutar e conviver visando a prática da cultura, seja da música, do teatro, da dança, de colóquios ou outras actividades”. Garante, a propósito, que “outras associações serão bem-vindas”.

A programação não está, porém, ainda definida e deverá ser “acertada com Câmara”, dada a necessidade de se “criar um regulamento para depois ter um funcionamento correto.”

A inauguração do centro cultural foi marcado pela presença do secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, que visitou as instalações e não deixou de aconselhar o retirar da alcatifa do palco.Sublinhou que o Centro é a marca da “força de uma terra”. Depois de notar que os povos do interior, por força das suas ligações à diáspora, são “cosmopolistas”, o governante afirmou que estava ali para “valorizar e a reconhecer a iniciativa da terra, a maneira como a freguesia, o município e também os fundos do PRODER se articularam para concretizar a obra, reconhecendo o trabalho que a banda, a casa do povo e as pessoas a nível sociedade civil propiciaram e como quiseram que estas coisas acontecessem”.

MUSEU MUNICIPAL

A urgência na criação de um Museu Municipal, no Edifício Souto d’el Rei, na Rua da Independência, na vila de Monção, é um dos desideratos da autarquia. Nesse sentido, já apresentou um projeto e uma candidatura que, numa primeira tentativa, foi reprovada. Em Tangil, na alocução proferiu no momento da inauguração do centro cultural, o presidente da Câmara não se esqueceu de deixar vincada essa necessidade.

No seu discurso, o governante não se referiu ao assunto, mas, depois, falando à margem da cerimónia, asseverou que “havendo interesse do município em desenvolver um museu municipal, no que respeita à componente da participação na Rede Portuguesa de Museus, do apoio técnico à organização do projeto e do acervo, posso, desde já, dizer que estamos disponíveis para isso. Se estivermos a falar de uma componente financeira, não conheço o projeto e seus parâmetros. Mas há disponibilidade para o apoio técnico ao desenvolvimento e alocação de recursos”.

CORPO DE DEUS/FESTA DA COCA

A par do percurso da ecopista do Rio Minho entre o Parque da Lodeira e o centro histórico de Monção, com entrada pelas Portas de Salvaterra, esta foi um das duas ineugurações  ocorreidas no sábado, dia 6, e englobadas na programação do Corpo de Deus/Festa da Coca, que se iniciou no ferido municipal de quinta, dia 4, e acabou no domingo, dia 7.

Neste (dia 4) realizou-se a cerimónia de entrega de títulos honoríficos e condecorações, com o título de cidadão de mérito (medalha de prata) entregue a José António Barreto Nunes, juiz conselheiro jubilado, e Manuel Anselmo Afonso Mendes, enólogo e produtor de vinho. Já a medalha de mérito desportivo (prata) será atribuída a Maria Carolina Breia Rei, atual Presidente da U.D. Moreira.

Já a manhã e tarde de sexta-feira, dia 5, foram dedicadas aos pequenos dos jardins-de-infância e alunos do primeiro ciclo do concelho através da iniciativa “A Coca vai à Escola”. Já à noite, o Museu do Alvarinho recebeu a entrega de prémios do concurso de escrita criativa “Era uma vez…uma uva de Vinho Alvarinho”.

Já o domingo, de calor sufocante, foi preenchido com o Cortejo Etnográfico das freguesias, Eucaristia e Procissão Solene do Corpo de Deus (com as cruzes das paróquias) e “combate” entre a Coca e o S. Jorge, ganho por este (como costuma suceder), desta vez em, apenas, nove minutos.

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