CHEF CHAKALL:: Promover a alimentação saudável em Cerveira

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Na 3.º edição da iniciativa ALTO MINHO GASTRONÓMICO trouxemos o Chef Chakall a Vila Nova de Cerveira. Foi no passado dia 13 de outubro que o reconhecido Chef esteve neste concelho onde se surpreendeu com alguns dos seus produtos endógenos.

Na 3.º edição da iniciativa ALTO MINHO GASTRONÓMICO trouxemos o Chef Chakall a Vila Nova de Cerveira. Foi no passado dia 13 de outubro que o reconhecido Chef esteve neste concelho onde se surpreendeu com alguns dos seus produtos endógenos.

Em dia de feira semanal, o Chef passou a manhã no Mercado Municipal. Reconhecido por muitos dos seus admiradores que, com ele, quiseram tirar fotos ou selfies para a posteridade, andou às compras de produtores locais com que depois realizou um showcooking com receitas saudáveis. Na cozinha, montada em pleno Mercado, teve a companhia de quatro alunos da escola profissional ETAP e de uma cozinheira da autarquia que, normalmente, serve a população escolar. O Chef não escondeu a sua admiração pela qualidade dos produtos.

O MEL

Alberto Dias era um produtor local de mel que tinha os seus produtos à venda no Mercado de Vila Nova de Cerveira e que Chakall adquiriu.

À VALE MAIS, sublinhou que, se existe mel na região é graças à vegetação variada, bem como à qualidade do clima e a não poluição. Embora, também, devido a fatores climáticos e a ‘invasores’, a quantidade ter vindo a ‘sofrer’, mas não a qualidade.

“Falta uma estrutura bem pensada, com bom marketing. Descurou-se, durante muito tempo, a produção que deve estar acompanhada por tudo o que é evolução e o marketing para saber vender. Depois falta aglomeração para criar um músculo e, quando nos metermos lá fora, temos de perceber que não é o pequenino, é o grande que vai pedir cada vez mais” – observou.

A Alemanha, acrescentou, é o principal mercado em todo mundo, comprador de 60 por cento mel. Também é, para lá, que vai a maior parte da exportação de mel português.

UM KIWi DIFERENTE

Joana Pereira é uma jovem cerveirense, da freguesia de Reboreda, engenheira de minas e mestranda em agronomia (falta-lhe a dissertação). Tinha à venda a espécie de kiwi que Chakall escolheu para a degustação que, no Mercado, foi levada a efeito.

“É uma variedade que tem origem nas zonas frias da China e que foi melhorada para poder ter produções mais interessantes. Não tem pelo, pesa entre 10 e 20 gramas, a colheita é um pouco mais cedo que o outro kiwi que se conhece (finais de julho até setembro) e é bastante mais doce. Pelo facto de não ter pelo e ser fácil de comer é que as crianças o adoram. Este ano, está a ter um sucesso incrível, mais do que aquilo que estava à espera” – refere-nos.

A jovem ainda nos fala dos cuidados que é preciso ter com a rega, nem mais nem menos, e do facto de ter iniciado a produção em abril de 2015 e, no ano passado ter produzido 200 quilos.

“Este ano, já produzi seis toneladas; espero para o ano produzir o dobro. A produção irá aumentar até aos sete anos. A partir daí, estabiliza” – acrescentou. A exportação, neste momento, é efetuada através de uma cooperativa da zona de Coimbra e os seus objetivos passam por ‘ganhar escala’. “Para isso, é preciso haver mais investimento, eu sou jovem, há que ter paciência” – reconhece.

VIERAM VER O CHEF CHAKALL

Eram muitos os que queriam ver Chakall. Entre eles, dois amigos espanhóis. Gerardo Alegre, residente em Tomiño e empresário em Cerveira, e o seu amigo de Madrid, Luís Lopeare, a trabalhar no porto de Marin. “Viemos ver o chef, vimos uns vídeos dele e agora conseguimos falar com ele. Foi bom ver tudo isto” – comentaram com a VALE MAIS.

Entre o público, a expectativa era muita e o interesse por seguir a receita do Chef, evidente. No fim, muitos dos presentes saborearam e tecerem encómios às receitas de Chakall, um mestre de cozinha que se destaca, também, pela sua comunicabilidade e sentido de humor.

MERCADO LOCAL COM PRODUTOS MAIS SAUDÁVEIS

Sobre as confeção de receitas, Aurora Viães, vereadora com os pelouros da Ação Social, Educação e Cultura, foi perentória:

“Tivemos, aqui, uma ponderação muito importante. Se, por um lado, é fundamental a divulgação do nosso Mercado, por outro, temos neste espaço um conjunto de produtos locais e regionais a que as pessoas podem ter acesso, a um preço bastante acessível. O facto das pessoas verem que o próprio chef fez as compras ali, utilizando os ingredientes que estavam lá, na hora, foi fundamental para esta questão de divulgação do Mercado e dos produtos que temos. Ao mesmo tempo conseguimos associar a questão da alimentação saudável a um mercado ativo.”

E acrescentou: “O nosso mercado tem a vantagem de ainda ser muito tradicional. Lá podemos encontrar de tudo. Desde o produto local mais associado aos vegetais, às couves, às leguminosas, até ao produto animal.

Temos venda de galinhas, de coelho, a venda de uma série de produtos que são muito transversais e muito mais saudáveis. Não são os produtos criados pela indústria e intoxicados pela parte dos pesticidas, dos adubos e todas as substâncias utilizadas na produção, são produtos mais biológicos e saudáveis.”

A autarquia está, pois, atenta a estas questões da alimentação saudável. “É um dos nossos objetivos e vamos continuar. É só estarem atentos às iniciativas que vamos desenvolver” – avisa.

Na biblioteca com pais e crianças

À tarde, Chakall esteve no auditório da Biblioteca Municipal. Com pais, educadores e crianças, cerca de quatro dezenas. Numa conversa, em tom informal, partilhou experiências – inclusive a sua própria, ele que é pai de crianças e adolescentes entre os 3 e os 15 anos -, não se esquecendo de lembrar que “somos o que comemos” e da necessidade de “equilíbrio, sensibilidade e bom senso”. A propósito, sublinhou que “uma perna não anda sem a outra”!

Aqui, entre muitas conversas à volta do trabalho conjunto entre os pais e os professores, sobretudo, sobre a cozinha saudável, foi explicado o caso de sucesso que se realiza na Escola de Covas, onde um projeto sobre a Bolota adquiriu papel principal em prol de outros ingredientes mais prejudiciais para a saúde. O Projeto “Um Olhar sobre o Mundo da Bolota” foi distinguido com os prémios de ‘Melhor trabalho no escalão do Pré-escolar’ e ‘Maior participação dos alunos do 1º ciclo’, a nível nacional, no projeto NEPSO (Nossa Escola Pesquisa a Sua Opinião), promovido pela Fundação Vox Populi.

Também aqui, Aurora Viães, considera que os desideratos pretendidos com a presença de Chakall fora cumpridos.

“O grande objetivo era, precisamente, que os pais tivessem alguma abertura para colocar questões como; que alimentos podemos utilizar para substituir, por exemplo, o sal, ou como é que podemos confecionar o peixe, algo difícil de convencer as nossas crianças a consumir. Estas dicas que o Chef Chakall acabou por partilhar connosco são muito simples e que, se calhar, no dia a dia, nem nos lembramos de as utilizar. Mas são dicas que certamente irão ajudar muitos pais a ultrapassar algumas das dificuldades que têm para fazer com que seus filhos consigam assumir estes alimentos que são fundamentais para o crescimento e o desenvolvimento de uma criança saudável”.

O modo com os pais e educadores afluíram ao auditório da Biblioteca também a satisfez.

“Esta sala esteve muito bem composta. É um trabalho que a Câmara Municipal já começou no final do ano passado, tem sido uma preocupação da autarquia acompanhar esta dificuldade que os pais têm e que também sentimos nas cantinas escolares em ver como as nossas crianças, às vezes, têm alguma (objeção) em ingerir determinados ingredientes e alimentos.  Assim, podemos partilhar com os pais esta preocupação e estas dicas, definir estratégias comuns que nos levem a ter uma sociedade, uma juventude e umas crianças mais saudáveis e ativas.”

CHAKALL: “DEIXEI A SEMENTE”

À VALE MAIS, Chakall preferiu destacar o quão importante é o trabalho conjunto entre a ‘casa’ e a escola. Os professores “já foram educados para lidar com crianças, os pais não. É um trabalho em que a batuta tem de ser levada pelos pais, que devem, preferencialmente, consumir o maior número de ingredientes produzidos localmente, assim como produto da época, e procurar novas formas para as crianças comerem o que não gostam de comer.”

O Chef defende, porém, o equilíbrio na alimentação. “Não podemos ser completamente castradores, tem de haver equilíbrio, sobretudo, entre o açúcar e o sal.

O açúcar natural das frutas é suficiente para as crianças, não precisam de estar a comer guloseimas ou outras coisas. Se não há um equilíbrio entre as duas partes, uma perna anda para a frente e a outra para trás….”.

Chakall considera pertinente  “falar seriamente com a criança como se fossem adultos, e não falar só como crianças. Coisas importantes como “não gostas deste legume, mas vamos experimentar um outro; não gostas de brócolos, mas vamos experimentar as cenouras”.

Sobre esta ação de sensibilização, reconhece que são um grão na areia. “Se queremos fazer uma duna, temos de por muitos grãos de areia. Um grão de areia na construção do futuro de uma boa alimentação para as pessoas e as crianças. Neste caso, acho que contribuo de uma forma, mais ou menos sensível, com as pessoas, pelo facto de ser pai e cozinheiro. Agora é continuar o trabalho que ficou aqui. Fiz a minha parte. Deixei a semente”.

O Chef acha, todavia, que há sensibilidade para a questão. “Pelas perguntas que recebi aqui, nesta sessão, a principio com as pessoas um bocadinho tímidas fui percebendo que há uma sensibilidade, um interesse, e há que as consciencializar que só há um caminho e esse é o de trabalhar juntos”, terminou.

Esta 3.ª edição da iniciativa “Alto Minho Gastronómico”, plena de sucesso, foi promovida pela revista VALE MAIS em parceria com a Delta Cafés e com o apoio da Câmara Municipal de Vila Nova de Cerveira.

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