Cidadãos europeus

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Cidadaos europeus

Os dias convidativos prenunciam a chegada do verão. Urge retemperar energias à sombra de uma árvore ou à beira-mar. E conversar, o mesmo é dizer espraiar os afetos para lá das frases politicamente corretas usadas no quotidiano. Cada vez mais reduzidas. Cada vez mais rudimentares, por via das novas tecnologias e da velocidade que tudo devora.

Por estes dias, em plena campanha eleitoral, a Europa é o tema monopolizador no espaço público, mesmo que a discussão dos candidatos, em Portugal, se faça, por vezes, de modo lateral com as feiras, os lares de idosos e os montes ardidos a servir de cenário.

E se os fundos (e o seu alegado reforço ou corte) são a face (in)visível da comunidade, os valores da liberdade, da solidariedade, da fraternidade e do respeito pelos direitos humanos devem sair reforçados perante propostas políticas que ameaçam essa matriz ideológica.

Está bem presente na memória de todos a imagem da Catedral de Notre-Dame a arder bem no coração de Paris, que é um dos símbolos do “Velho Continente”.

Alguns pensadores consideram esse trágico acontecimento como uma metáfora para algum desalinho que mina a coesão social.

É também disso que falámos quando se discute o presente e o futuro da Europa, na medida em que se afiguram no horizonte linhas estratégicas diferentes, uma mais securitária, outra que defende os direitos e liberdades dos mais vulneráveis. E, portanto, mais inclusiva.

O brexit, as contínuas vagas de migrantes, o populismo da extrema-direita, fazem periclitar a visão europeísta, tão cara a Mário Soares.

Mas também por cá há num país tido por “brandos costumes” há motivos para preocupação: leio, incrédula, no insuspeito “Diário de Notícias” que os moradores de um prédio, em Alvalade, Lisboa, colocaram pilaretes de mármore no intuito de impedir que os sem-abrigo utilizem o espaço circundante para aí pernoitar.

Como se vê por este exemplo, a tolerância e a aceitação da diferença precisam de fazer caminho. Ou, como diria Jorge Palma, “enquanto houver estrada para andar/ a gente vai continuar…”.

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