Correctivos

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O ciclo de vida da videira encontra-se na fase de repouso vegetativo. Nesta altura do ano, e desde a queda da folha, é a altura em que o agricultor pode, também ele, repousar um pouco das lides do campo, isto no que a vinha diz respeito. Há , no entanto, uma série de operações, para além da poda, que são de grande importância e as quais há que estar atento. 

Durante o Inverno, e falando apenas da cultura da vinha, é fundamental efectuar correcções no solo. A nossa região tem solos tendencialmente ácidos, ou seja, solos que pela sua natureza granítica se vão acidificando ao longo dos anos, mesmo que nada seja aplicado pelo agricultor.

Outro factor que também contribui para essa descida do pH é a massiva aplicação de estrumes. O estrume é também ele considerado um corrector do solo, um corrector orgânico que o agricultor utiliza e através do qual melhora a estrutura do solo, para além de fornecer azoto e outros micronutrientes. Torna-se assim necessário conhecer os diferentes parâmetros que nos ajudam a tomar uma decisão.

As análises de terra que as diferentes casas comerciais oferecem ao agricultor são uma ferramenta fundamental para a tomada de decisão. Existem três itens principais a que devemos dar atenção quando nos preocupamos com a fertilidade dos nossos solos. São eles a necessidade de aplicar, ou não, estrume, calcário e adubo. Os dois primeiros não tem a ver directamente com a nutrição da videira, antes com a correcção do solo, que irá alimentar a videira.

Como tal, são dois produtos que devem ser aplicados durante os meses de Inverno. Relativamente ao calcário, como já foi referido, serve para corrigir o pH, ou seja, para subir a acidez. A quantidade a aplicar por hectare dependerá sempre do resultado obtido na análise, bem como da forma química disponível (CaO ou CaCO3, principalmente). Ainda assim não devemos aplicar mais de 1,5 toneladas por hectare, por ano. Por vezes é preferível aplicar calcário dois anos seguidos, quando o pH é muito baixo.

Como já foi dito, esta correcção deve ser feita nos meses de Inverno pois este é um processo que não é rápido, e nós queremos o solo corrigido na altura do abrolhamento (Março/Abril). Relativamente à matéria orgânica, ou estrume como é vulgarmente chamado, o que interessa saber é que se trata ao mesmo tempo de um correctivo orgânico e de um adubo na medida que através dele, fornecemos à planta quantidades importantes de azoto provenientes da mineralização e da humificação (transformação do estrume em matéria orgânica estável).

Durante estes processos que ocorrem depois de incorporado o estrume, existe também a libertação, embora em menores quantidades, de fósforo, enxofre e micronutrientes. Estes processos são lentos, sendo esta uma das razões para que o estrume seja aplicado também no Inverno. Mas para além disto, o estrume melhora a estrutura do solo, como já foi dito, melhorando a sua capacidade para reter água e circular o ar, bem como para o melhor desenvolvimento radicular. O estrume funciona também como regulador da temperatura do solo, ao conferir-lhe uma cor mais escura, aumentando a absorção de luz.

Poderíamos estar aqui a referir muitas mais vantagens da aplicação da matéria orgânica, mas há uma que é fundamental que tem a ver com o facto ser o suporte energético e nutritivo dos diferentes microrganismos que vão entrar na decomposição dos nutrientes como é o caso da passagem de azoto amoniacal a nítrico, que é a forma absorvida pelas plantas. Por todas estas razões, as correcções que haja a fazer devem ser feitas até ao fim de Fevereiro. Com a vinha podada e o seu solo corrigido poderemos então começar a pensar em adubos. Existem muitas opções no mercado, que serão abordadas numa próxima ocasião.

Estamos numa época em que devemos pensar bem antes de tomar qualquer decisão. O agricultor deve pesar todos os prós e contras da aplicação de correctivos, e principalmente, deve pensar pela sua cabeça e pela sua carteira.

Agora mais do que nunca.

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