COURA ME :: “Guardar e amar o que é único em Paredes de Coura”

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COURA ME :: “Guardar e amar o que é único em Paredes de Coura”

“A vontade de promover um território como um todo”. O propósito foi-nos transmitido pelo edil de Paredes de Coura e refere-se ao COURA ME, um projeto recentemente apresentado e que começou a ser trabalhado há quatro anos.

Dos biscoitos às compotas, dos acessórios às peças de joalharia, do fumeiro tradicional a criativas propostas vegan, da cosmética ao artesanato contemporâneo, das peças decorativas aos licores e à broa. São mais de duas dezenas de marcas e produtos reunidos numa “umbrela”, como sublinha Tânia Pereira, coordenadora do projeto que nasceu de uma parceria entre o Município e o CLDS – Contrato Local de Desenvolvimento Social.

“O projeto surgiu no âmbito do CLDS. Ainda em fase de candidatura, considerou-se que seria importante criar uma marca-chapéu (umbrela) que agregasse os produtores locais de Paredes de Coura. Foi sendo desenvolvido com os produtores da Loja Rural” (situada próxima dos Paços do Concelho), explica Tânia Pereira.

INVESTIMENTO NA IMAGEM E CRIAÇÃO DE MARCA

“Nesse sentido, foram, no fundo, feitos dois trabalhos paralelos. O de investimento na imagem e na embalagem dos produtos e a criação desta marca que agregasse os produtos da Loja Rural dentro do mesmo chapéu, que certificasse a sua qualidade e tivesse uma imagem também mais elegante e apelativa”, refere aquela à VALE MAIS.

“Coura Me significa a vontade de promover um território como um todo. Representa também a ideia de guardar e amar aquilo que é único e produzido em Paredes de Coura. É todo aquilo que de bom as pessoas podem levar no coração de Paredes de Coura”, enfatiza, por seu lado, Vítor Paulo Pereira, o líder da edilidade courense.

“Pretendeu-se, também com este projeto, qualificar todos os produtores”, prossegue.  “Não nos produtos em si, excelentes e únicos, mas sim a imagem, a embalagem e a comunicação dos mesmos. Com um mercado em constante mudança exige também adaptações para nichos de mercado, foi natural o aparecimento de novos produtos”.

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BISCOITOS PARA CELÍACOS

Apontando um exemplo: “um produtor de biscoitos resolveu criar uma linha de produtos para celíacos ( ntolerância ao glúten), que está a ter um grande sucesso.”

O autarca aponta, mesmo, o “Coura me” como “um carimbo de qualidade e bom gosto”.

Por sua vez, Tânia Pereira destaca o facto de ter sido associado ao projeto o trabalho da imagem e da embalagem, da sua renovação e melhoramento, dos produtos que estão, sobretudo, na Loja Rural. 

“Foi feito esse trabalho com o apoio de designers da área. Cada produtor, dentro daquilo que era a imagem que queria para o seu produto, foi trabalhando de forma que, com esse esforço de melhoria da imagem, chegasse a novos mercados, sendo mais apelativo para o consumidor”, enfatiza.

Em agosto decorreu a apresentação pública do resultado do projeto. “A marca já tinha sido apresentada aos produtores locais em 2016, quando chegamos àquilo que seria o nome e o conceito que estava por detrás dela. Agora acabou por ser a apresentação pública de todo o projeto, todo o trabalho efetuado ao longo de quatro anos”, observou.

ARRANQUE COM 14 PRODUTORES

O projeto, a nível de imagem e embalagem, foi iniciado por 14 produtores. Depois juntaram-se mais três que foram integrando a Loja Rural ao longo destes últimos dois anos.

“Começámos com 14, entretanto mais novos produtores foram integrados nas lojas e usufruíram deste projeto. São, no total, 22. Havia alguns, destes 22, que já tinham trabalho feito ao nível da imagem e da embalagem, não integraram esse projeto, mas fazem parte da marca ‘umbrela’”, conta-nos a coordenadora do CLDS.

A marca congrega, assevera, o que de melhor se faz em Paredes de Coura. “Foi com esta ideia de levar e partilhar Paredes de Coura. A ideia também é internacionalizar”, garante.

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CRITÉRIOS DE ADESÃO

A própria Loja Rural já tem critérios de adesão para poder ter o produto presente. Esse trabalho já é feito, previamente, pelo Município. Acaba-se por trabalhar com aqueles que estão na loja e que cumprem os critérios para integrar a marca

“O facto de estar na loja significa que tem de ser feito em Paredes de Coura, tem que ser artesanal, ter uma série de critérios. Já trabalhamos por cima desses pressupostos. As pessoas, quando aderem à Loja, já têm uma série de critérios a que têm de responder”, explica-nos Tânia Pereira.

Sintetizando: “A marca começou a ser utilizada já com os identificativos nos produtos em 2017. No fundo, a grande presença na Loja e em todos os produtos foi sendo gradual e, agora, concluída”.

Na oportunidade, sublinha: “Os produtos estavam disponibilizados na Loja Rural. À medida que as embalagens e imagens novas ficavam concluídas, iam sendo implementadas e aplicadas nos produtos. Foi feito, também, um trabalho a nível de promoção da marca nas feiras internacionais em que Paredes de Coura está presente, como Nanterre e Cenon, e no interior da própria Loja Rural, com elementos identificativos. Que estão nas vitrines, nas prateleiras, com a identificação da própria marca Coura me igualmente nos cabazes que foram feitos no Natal.”

NAS FEIRAS, LOJA RURAL E PRODUTORES

Os produtos têm estado presentes em vários feiras no estrangeiro e no país, na Loja Rural e, depois, em muitos casos, as pessoas já têm o contacto e adquirem-no diretamente ao produtor. “Mas o grande ponto de referência no concelho é a Loja Rural”, destaca a nossa interlocutora.

Nas feiras, alguns produtores, por iniciativa própria, marcam presença. Nas realizadas no estrangeiro, é sobretudo através da associação de artesãos e do Município de Paredes de Coura. Nesse contexto, marcaram presença em Cenon e Nanterre. “Todavia, alguns acabam por tentar perceber os arredores e estar presente em algumas delas”, afiança.

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Tânia Pereira

Também a procura se nota por parte da emigração. 

“Há muita procura dos produtos da Loja Rural por parte dos emigrantes que estão em França. O facto de estarem presentes em feiras internacionais também levou muitos destes produtos lá, fez com que muitos os ficassem a conhecer e já é muito comum as pessoas virem no verão, no mês de agosto, diretamente à Loja Rural e saberem, exatamente, aquilo que querem e/ou já conhecem. Já tiveram contactos, quer seja nas feiras em que estamos presentes, quer quando vêm cá de férias e levam muitos dos produtos. Sabem a qualidade que eles têm e conhecem o que estão a comprar.”

LOJA ONLINE

“Imaginem um emigrante que está em Paris, em Bordéus ou em Toronto. Atempadamente, poderá oferecer um cabaz de produtos da Loja Rural a um vizinho”, alvitra Vítor Paulo Pereira a propósito daquele que se pretende seja o próximo passo, uma loja online.

Tânia Pereira dá pormenores: “Há um projeto, no âmbito do Couracção (do CLDS) e é nesse âmbito que o trabalho está a ser realizado. Os dois principais objetivos eram melhorar a imagem e a embalagem destes produtos, mas também que esta atividade complementar pudesse ganhar forma para estes produtores, eventualmente alguns deles, investirem mais seriamente a nível de negócio. Tentarem melhorar mesmo a nível da estrutura física que têm. Quer seja para o fabrico dos biscoitos, quer para os enchidos, já há investimentos a serem feitos por alguns destes produtores. No fundo, a nossa ideia é dar-lhes ferramentas no sentido de acederem a novos mercados e locais de venda”.

Concretizando: “Uma das últimas coisas que fizemos foi, associado a um catálogo de promoção destes produtos, o registo fotográfico de todos os que estão nesta marca Coura me no sentido de os disponibilizar online para que as vendas também possam ser feitas neste formato. Falta agora a criação da página”.

Instada sobre o timing para a efetivação desta, não avança qualquer data. “Vamos tentar perceber em termos daquilo que falta fazer. Creio que nos próximos meses já estaremos em condições, mesmo numa fase embrionária, de colocar estes produtos que já foram registados. Não tenho uma data que possa avançar, mas creio que, a curto prazo, possa já estar disponível”.

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ATIVIDADE COMPLEMENTAR

Para já, a atividade funciona, essencialmente, como complementar para a generalidade dos produtores.

“Nesse sentido, acreditamos que este investimento efetuado na imagem e na embalagem teve repercussões claras a nível de vendas e, portanto, acaba por ser encarado com mais entusiasmo por parte dos produtores. Foi importante perceberem que, de facto, não é só uma questão estética, é também de números e contabilidade. Mas, para todos eles, ainda é uma atividade complementar; têm outras profissões, mas creio que, alguns deles, já veem isto com mais seriedade e que têm de estar atentos aos stocks. Os produtos, de facto, já têm mais saída e isso também foi visível à medida que o trabalho foi sendo feito e a repercussão, em termos de número de vendas, foi sendo evidente.”

A apresentação pública da marca foi este verão, ainda é recente, mas a perceção, como nos foi dito, é de que valeu o esforço e uma nova imagem e embalagem acabou por potenciar as vendas, como sublinha também o presidente da autarquia.

Já a responsável do CLDS destaca que se tem vindo a perceber que, nos últimos tempos, todos os produtores têm trabalhado a questão da imagem e na embalagem aplicada. “Aí, de facto, já tínhamos observado um aumento, em 100 por cento, a nível de vendas e de acréscimo na procura dos produtos. Houve repercussões a nível de vendas.”

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Presidente da Câmara Municipal de Paredes de Coura_Vítor Paulo Pereira

SEGURANÇA SOCIAL MONITORIZA

O “Coura me” nasceu no âmbito da Segurança Social, que o monitoriza. Entre os seus objetivos está o de promover a inclusão social dos cidadãos através de ações que pretendam combater a pobreza ou a exclusão social. Tem eixos de promoção e criação de circuitos de produção e comercialização de produtos locais com o objetivo de potenciar o território e o emprego. É financiado por verbas de fundos europeus.

Enquadra-se no projeto Couracção – CLDS3g (Contrato Local de Desenvolvimento Social 3.ª geração), promovido pela Câmara Municipal de Paredes de Coura, executado pelo OUSAM – Organismo Utilitário Social de Apoio Mútuo (IPSS), financiado pelo Programa Operacional Inclusão Social e Emprego (POISE).

“Tínhamos três eixos neste projeto: empreendedorismo, família e apoio às instituições locais. Deste, o primeiro, passa pela promoção de novos circuitos de emprego e de promoção de novos circuitos de comercialização. Foi nesta atividade que fizemos estas duas atividades e, daí, o financiamento previsto para estas ações”, explicita Tânia Pereira. 

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