Mª FÁTIMA CABODEIRA ////////////// De regresso ao lar

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Entrámos num período de artificial correria. Em dezembro encerra-se o ciclo de um ano e instala-se um tempo renovado. Que auguramos frutuoso.

A atualidade está recheada de assuntos candentes: a instabilidade política; os recados vindos da Europa economicista sobre o alegado excesso de licenciados em Portugal; a vitalidade das reivindicações autonomistas, em Espanha, que merecem análises aprofundadas; o recrudescimento da execrável violência doméstica em Portugal; mas, hoje, pretendo que esta crónica seja mais contida.

Em dezembro, dizia, faz-se o balanço dos meses passados e estabelecem-se novos objetivos para 2015. Fita-se o amanhã ainda em bruto.

Por entre a histeria consumista típica da época, será que podemos comprar/oferecer uma dose de aconchego?

Ao som das 12 badaladas, pedem-se desejos, que podem ser mais ou menos egoístas, por entre o sabor das uvas passas tragadas sofregamente.

Numa quadra que é mais festiva para uns do que para outros importa ter presente o valor da solidariedade, da família e da amizade. É sobretudo isso que se celebra no Natal.

Há ainda a dimensão da fé, do eterno renascimento, que eu traduziria como uma crença no outro. Na possibilidade, sempre em aberto, da construção de uma sociedade mais humanizada.

Convoco, da minha infância, o perfume das pinhas sedosas, que se espreguiçavam sob o calor do fogão de lenha. Em redor tecia-se um cordão entrelaçado com a alegria avulsa das crianças a partir as nozes, a debulhar os pinhões, a degustar o bolo-rei; a reprimir a imensa curiosidade face às prendas que haveriam de chegar pela noite dentro.

Pela vida fora recordaremos esses momentos genuínos e singelos de comunhão no lar, com os nossos familiares.

Acariciados pela geada, partilhávamos bem cedo da adoração ao “Redentor”. Dias antes já havia colhido o musgo refulgente com que enfeitávamos o Presépio da Igreja.

Desejo aos meus leitores um Feliz e Santo Natal e um Ano Novo pleno de realizações.

 

 

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