DEMOGRAFIA DO ALTO MINHO /// As taxas de crescimento em 2014

ESTUDO

0
Gráfico Demografia Alto Minho

O Instituto Nacional de Estatística divulgou em destaque, no passado dia 16 de Junho, as estimativas da população residente em Portugal a 31 de Dezembro de 2014, com o título “Em 2014 a população residente reduziu-se em 52,5 mil pessoas”. Esta redução da população portuguesa de -0,50%, resultou da conjugação de saldos natural e migratório negativos (-0,22% e -0,29%, respetivamente).

Convém ressaltar, no entanto, que esta conjugação não é uma característica do ano de 2014, mas sim uma tendência que se iniciou em 2011, ano em que, pela primeira vez na demografia portuguesa, ambos os saldos tomaram valores negativos. A explicação deste fenómeno recente pode ser facilmente encontrada na quebra da natalidade, no aumento da longevidade e no aumento da emigração, componentes responsáveis pelo acentuado duplo envelhecimento da população portuguesa.

A crise grave que a demografia portuguesa atravessa não pode ser dissociada do ambiente de pessimismo que se vive e da falta de expetativas e confiança no futuro, em resultado da profunda crise económica que atravessamos.

No caso concreto dos municípios do Alto Minho, verificamos que estes contribuíram de forma diferenciada para esta redução populacional, contribuindo globalmente com uma perda de 2137 residentes. Todavia, contrariamente ao que sucedeu no território nacional, as perdas mais relevantes registaram-se ao nível do saldo natural, correspondendo a 61,9% do total.

Assim, de acordo com o saldo natural, registaram-se no território do Alto Minho um número de óbitos superior em 1323 ao número de nascimentos. Por outro lado, o saldo migratório mostra-nos que a diferença entre os anteriores residentes que se decidiram por outras paragens ultrapassa em 814 as pessoas que optaram por passar a residir num concelho alto minhoto, durante o ano de 2014.

Se bem que estas perdas de população no Alto Minho não sejam uma novidade recente, pois desde 2003 que a população se está a reduzir, é de notar um aceleramento nos últimos anos. No ano de 2012, a taxa de crescimento efetivo baixou pela primeira vez a barreira dos -0,80%, continuando a descer desde esse ano e cifrando-se em -0,89% no ano de 2014.

Adiante-se que, desde a última operação censitária, em Março de 2011, o Alto Minho já perdeu 6839 pessoas, valor este que já ultrapassou a quebra populacional registada entre os Censos de 2001 e de 2011, correspondendo a 5439 residentes.

Numa análise comparativa das taxas de crescimento nos municípios alto minhotos com o território nacional e mesmo com a região Norte, tal como se pode observar no gráfico, encontramos uma situação deveras preocupante na generalidade dos municípios e muito preocupante no caso particular de Melgaço.

Ainda assim, são três os municípios que contribuem para uma atenuação da redução da taxa de crescimento efetivo, concretamente Viana do Castelo, Ponte de Lima e Vila Nova de Cerveira, embora o município mais populoso, Viana do Castelo, seja aquele que está a contribuir mais negativamente para a taxa de crescimento migratório, com um valor mínimo de -0,47%.

Por esta razão, Viana do Castelo merece um estudo de pormenor no sentido de determinar os motivos deste valor para a taxa de crescimento migratório, ao mesmo tempo que apresenta uma taxa de crescimento natural ao nível do valor nacional (-0,25%).

Os concelhos mais interiores, Melgaço, Arcos de Valdevez, Monção, Ponte da Barca e Paredes de Coura, foram aqueles que registaram taxas de crescimento efetivo mais negativas, muito à custa dos saldos naturais, mas também dos saldos migratórios, com exceção do município de Monção. Este município é afetado fundamentalmente pela reduzida taxa de crescimento natural (-1,06%), apresentando uma taxa de crescimento migratório muito próxima de zero (-0,06%).

Na extremidade do gráfico, tal como referido previamente, encontramos Melgaço, o município que atravessa uma situação demográfica mais preocupante: a taxa de crescimento efetivo já baixou a barreira do -1,50% e a taxa de crescimento natural aproxima-se de -1,30%.

Os fatores que condicionam e determinam estes indicadores serão objeto de uma análise mais detalhada num novo texto a apresentar oportunamente.

Fonte: INE, Indicadores Demográficos (atualizados em 16.Jun.2015)
José Cunha Machado Universidade do Minho
José Cunha Machado Universidade do Minho

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here