É tudo uma questão de consciência

0

No momento em que se encontram em discussão na Assembleia da Republica propostas lei que pretendem que os Jovens possam proceder a partir dos 16 anos, junto do Registo Civil, à alteração de género e sobre a Eutanásia não poderia deixar estes temas tão fraturantes sem uma pequena reflexão.

Ambas as matérias devem convocar-nos a todos para uma discussão mais profunda do que aquela que parece à primeira vista. Temos de nos questionar sobre os nossos valores e o tipo de sociedade que pretendemos.

EUTANÁSIA

Esta matéria convoca-nos para a escolha entre duas perspetivas diferentes em relação ao chamado direito à vida. Por um lado, temos aqueles que defendem que o direito à vida é inviolável e que não temos o direito de lhe pôr termo em circunstância alguma; por outro lado temos aqueles que defendem que qualquer cidadão deve ter a faculdade de por termo à vida quando considere que esta já não lhe permite viver com a dignidade e ausência de sofrimento a que tem direito.

Postos perante este dilema torna-se imperativo distinguir dois conceitos que se confundem frequentemente: eutanásia de distanásia: a eutanásia refere-se ao direito a colocar fim à vida por opção da pessoa, ato esse que se materializa pela intervenção de um terceiro que coloca à disposição os meios necessários para a chamada morte assistida, enquanto a distanásia, também conhecida por obstinação terapêutica, consiste na aplicação de tratamentos e terapias inúteis para o paciente.

Feita a distinção entre ambos os conceitos importa ir ao cerne da questão.

Dizem os críticos desta medida que estamos perante uma violação do direito à vida e que a grande solução para estas situações passa pelo reforço dos cuidados paliativos por forma a que seja afastado o sofrimento e se proporcionem condições de dignidade à pessoa até ao seu último suspiro.

Por outro lado, dizem os seus defensores que o recurso à eutanásia se justifica pela defesa da dignidade da vida humana e pela possibilidade de escolha de acabar com a vida quando esta já não apresenta qualidade.

Afinal toda a vida deve ser preservada, independentemente das circunstâncias ou apenas se for uma vida com “qualidade”?

eutanasia

ALTERAÇÃO DE GÉNERO

Atualmente qualquer cidadão com mais de 18 anos pode proceder à alteração de género no Registo Civil, desde que a sua situação seja devidamente atestada medicamente por relatório que comprove a perturbação de identidade de género elaborado por equipa multidisciplinar de sexologia clinica. Agora pretende-se que qualquer jovem, a partir dos 16 anos, possa proceder à alteração de género por mera declaração de vontade e sem que essa vontade seja atestada por qualquer especialista que declare o desvio de género!!! Perante este pretendido facilitismo, numa decisão que vai afetar o jovem que tomar esta decisão para o resto da vida, urge perguntar se num país onde um jovem com menos de 18 anos (menor de idade) não pode conduzir, votar, celebrar negócios e de um modo geral praticar qualquer ato de disposição por ser considerado incapaz perante a lei, poderá ou estará preparado para tomar uma decisão destas?!

É o país que queremos para os nossos jovens… Eu não.

Print

EM SÍNTESE: ambas as matérias são, cada uma a seu modo, fraturantes na nossa sociedade, razão pela qual vos deixo o desafio de refletir sobre elas. Embora a resposta seja naturalmente complexa, em última análise tudo se resume a uma questão de consciência…. 

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here