Entrevista com Fernando Nogueira // V.N.Cerveira

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Depois de 20 anos como vereador, o atual edil cerveirense acaba de cumprir o primeiro ano de liderança na câmara de Cerveira. Numa entrevista alongada, Fernando Nogueira exibiu-nos às suas ideias e considerações sobre os vários temas de importância municipal. Recorde-se que venceu as eleições do ano passado, de forma independente, e com 45% dos votos.

Que balanço faz de 2014, o seu 1.º mandato?

Este primeiro ano foi pautado por muito trabalho, dedicação e um objetivo comum: proporcionar uma melhor qualidade de vida e satisfazer as necessidades da população, bem como atrair o maior número de visitantes ao concelho.

Também fazemos um balanço positivo da gestão autárquica e a nossa expectativa é que a mesma avaliação seja feita pelos cerveirenses. Sendo uma gestão independente de orientações partidárias têm, desde logo, uma vantagem estrutural, pois, para a função política não estamos sujeitos a orientações das diretivas político-partidárias, mas tão-somente sujeitos ao escrutínio dos cerveirenses.

O que mais o surpreendeu na câmara municipal?

Eu conhecia bastante bem os meandros da câmara municipal e portanto não tive grandes surpresas. Apesar de tudo tivemos algumas pequenas situações que não considero relevantes, mas que só valorizamos porque podem de alguma forma causar um problema à câmara. Desde logo, temos um contencioso com um empreiteiro na qual este reclama da câmara municipal uma indemnização de cerca de dois milhões de euros. Esta é a parte menos positiva, mas eu não diria que é negativa porque já sabia que havia este contencioso só que não conhecia a dimensão dele. Portanto, neste momento, o processo está em tribunal mas eu estou convencido de que não haverá nenhum motivo para condenação ou pelo menos não haverá nenhum motivo para uma indemnização desse valor.

Em 2015 vamos ter Bienal. Depois dos cortes nas fundações, como vai ser? Que apoio a autarquia vai dar?

Vila Nova de Cerveira, vila das artes é um conceito que queremos preservar, porque demorou muitos anos a implementar e a estabilizar e agora não podemos, de forma alguma, desperdiçar este capital valiosíssimo do concelho. Portanto temos de fazer um esforço para manter este título.

A quem compete a organização da Bienal é à Fundação Bienal, um órgão autónomo que apesar de ter fortes ligações à Câmara e de sermos nós o principal financiador, é um órgão autónomo. No ano de 2015 face aos constrangimentos que o país atravessa temos tido imensas dificuldades em encontrar apoios. De qualquer forma, estamos a tentar uma parceria com uma entidade oficial que nos permita realizar uma Bienal com dignidade e qualidade.

Que investimento houve no concelho durante este ano?

Nos nossos compromissos eleitorais dissemos que não íamos privilegiar as grandes obras e os grandes investimentos. O nosso grande objetivo é a manutenção, requalificação e preservação do património e dos equipamentos municipais. Por exemplo, a requalificação da Piscina Municipal, um investimento de mais de 1,6 milhões de euros. Trata-se de um projeto que tivemos de adaptar, já avançamos com a empreitada e falta-nos a consignação que está à espera do visto do tribunal de contas pelo que pensamos que no início deste mês teremos o visto para a obra poder avançar definitivamente.

Depois conseguimos o financiamento para a segunda fase da Ecovia, que já está em obra há alguns meses e estará pronta em maio, provavelmente.

Depois, continuamos a investir no saneamento em três freguesias importantes como são Gondarém, que fica já com uma taxa de saneamento muito boa, em Reboreda e Campos.

E investimos na requalificação das Redes de Água, no que diz respeito à distribuição de água ao município. Também fizemos uma obra importante para o futuro e para o Turismo que foi a requalificação da Loja Interativa do Turismo que será inaugurada num curto prazo.

Como analisa a recorrente migração de jovens devido à falta de oportunidades de emprego no concelho e, consequentemente, o natural envelhecimento da população?

Esta problemática é um drama para os nossos territórios e para o país.

Hoje, na emigração, os países encaram os emigrantes com outra perspetiva. Não é só como mão-de-obra para trabalhos que os naturais não querem fazer, mas também estou convencido de que a taxa de regresso destes nossos jovens vai ser reduzida, porque agora os casais vão, levam os filhos, consolidam as residências e nunca mais vêm. E o país investiu muito na formação deles, estivemos todos nós a pagar para os outros países usufruírem da formação deles.

Mas o mais grave é que vamos ficar descapitalizados em termos de futuro.

E vejamos uma situação: antigamente, nas freguesias havia a junta de freguesia, o pároco e a igreja e a escola. Hoje, em muitas delas, a junta de freguesia desapareceu, por uma imposição discutível, começam a não ter o pároco e a igreja, e já não têm escola. Por outro lado, criam-se lares e centros de dia para idosos. Vejam a mudança de paradigma e o que isso não pode trazer em termos de futuro.

E, ou invertemos isso, ou não sei como vai ser. Isto aplica-se ao país e a Vila Nova de Cerveira e a todas as localidades.

O que espera do ano de 2015, nomeadamente quando se trata de um ano de eleições legislativas?

Numa perspetiva de investimento futuro, vamos continuar a preparar as bases para a acessibilidade ao próximo Quadro Comunitário de Apoio Portugal 2020, com especial atenção à integração no Norte 2020. Queremos que com a nossa atuação, os cerveirenses, tenham mais esperança num futuro coletivo.

Que mensagem gostava de deixar aos seus munícipes?

Quero deixar essa mensagem de esperança e confiança. Estamos empenhados em fazer o que melhor podemos e sabemos em prol dos nossos munícipes, querendo-lhes garantir uma qualidade de vida que Cerveira hoje, já tem, permitindo assim encarar o futuro com esperança.

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