Entrevista com João Manuel Esteves // Arcos de Valdevez

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Pela primeira vez, ao leme da câmara municipal de Arcos de Valdevez, depois de 16 anos como vereador e vice-presidente e apesar de nos últimos quatro ter estado afastado da autarquia, referiu, à nossa entrevista, o facto de querer colocar, o concelho, no centro de uma euro região com sete milhões de habitantes.

Como Presidente da Câmara, que balanço faz do seu primeiro mandato?

Tem sido um ano de trabalho intenso com as juntas de freguesia, as associações e com os arcuenses. Temos feito um trabalho que é visível quer do ponto de vista da obra física quer na promoção e dinamização e que tem abarcado um vasto conjunto de áreas. Na segurança, no desporto, na saúde, na cultura, entre outros. E quando falo da relação com as juntas falo desta proximidade que nos permite fazer obras nas acessibilidades, no saneamento, no abastecimento de água, etc..

Mas vamos mais além, porque sentimos a necessidade de dinamizar o mercado de trabalho a partir de um benefício induzido na comunidade. Por outro lado temos realizado protocolos de colaboração com as associações para que estas possam realizar animações culturais, sociais, desportivas ou recreativas. Neste contexto há um grupo de associações que são fundamentais em tempo de crise que são as IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social) que são um parceiro fundamental e que cobrem desde a Creche até ao Lar. No ambiente temos feito um esforço para promoção do Parque Nacional da Peneda-Gerês, que é Reserva da Biosfera declara pela UNESCO.

O que mais o surpreendeu na Câmara Municipal? Pela positiva e pela negativa?

Pela negativa, perdemos agilidade burocrática, complicou muito do ponto de vista burocrático e estamos agora enredados em processos administrativos. Quando nós justificamos os papéis, pela necessidade de controle seja do que for, está tudo perdido. Um processo de melhoria contínua das coisas implica necessariamente que diminua os papéis e as burocracias. Quando necessitamos de milhares de papéis, para justificar uma dezena de operações, está tudo dito relativamente aos nossos processos. Positivamente, acho que nestas últimas eleições houve uma mudança profunda na abordagem politica, das autarquias, em Portugal. E isso só se vai perceber daqui por alguns anos. Saíram de cena um conjunto de pessoas que marcaram muito um período e entrou toda uma nova geração. Não tem nada a ver que sejam novos ou velhos, tem a ver com gente diferente que representa uma mudança e que eu espero que seja positiva.

Arcos de Valdevez é o mais concelho mais extenso mas muito montanhoso e com população muito dispersa, e em acentuada desertificação. É um fenómeno imparável?

A desertificação é um fenómeno do mundo ocidental que começa a ser complicado. Estamos num momento de alteração do paradigma, estamos com um processo acelerado, no mundo ocidental, de queda e há um conjunto de medidas que deveriam ser tomadas com a União Europeia, com Portugal e depois localmente. Podemos tomar medidas. Nós damos apoio social, dinamizamos o Programa Cantoneiros e os estágios profissionais, criamos uma grande proximidade com as empesas, mas a questão central é que isto por si só não garante que se estanque um processo que não é só nosso. Podemos tentar suster e penso que o governo vai bem quando elegeu as medidas para a promoção da natalidade como um dos problemas centrais juntamente com a criação de fatores de equidade no acesso aos bens e serviços. Depois disso como somos diferentes temos de ter ações e medidas que complementem esse facto.

Estamos no fecho de um quadro de apoios comunitários e na abertura de um novo. Concretamente, em que áreas e em que projetos pretende receber apoios?

Estamos no fim de um quadro comunitário, o que aumenta a pressão para a necessidade de executar o que está em curso e candidatado. Mas há uma nuance. Há a expectativa de dinheiros que possam sobrar e portanto ainda apresentar candidaturas. E, com a entrada de um quadro comunitário, centramos a atenção no que está acabar. Ou seja, estamos num momento de azáfama imensa. Quanto ao novo quadro, temos alguns aspetos que seriam muito importante conseguirmos. Um enquadra-se no ambiente como política de desenvolvimento. Quer no Parque Nacional de Peneda-Gerês onde os cinco municípios estão a apresentar um plano de ação para promover a reserva da biosfera, no desenvolvimento socioeconómico e na conservação da natureza. Depois temos uma estratégia centrada no Rio Vez e no Rio Lima onde pretendemos fazer o Museu da Água, ao ar livre, concluir as ecovias, fazer um eco parque na zona urbana, um centro para a eco cidadania que é a recuperação de um espaço, e queríamos dinamizar a reabilitação do centro.

Queremos, também, a acessibilidade do IC28 até à fronteira da Madalena. Esta é uma infraestrutura que vai potenciar a competitividade do território porque vamos ficar mais próximos da autoestrada que liga à Europa e seremos os que vamos ficar mais próximos da estação do TGV, em Ourense. E isso muda tudo. Passamos a estar no centro de uma euro região com sete milhões de pessoas. E essa ligação aparece no plano das Estradas de Portugal.

O que espera do ano de 2015, e que mensagem quer deixar aos seus munícipes?

Para este ano temos um grande objetivo. O concelho faz 500 anos do foral. E estamos a projetar o gosto que todos temos pelo concelho, pelas raízes e pela história e por estamos, incontornavelmente, ligados a constituição da nacionalidade. E nada melhor do que no próximo dia 11 de julho, dia do concelho, inaugurarmos a requalificação do Paço da Giela, para o qual já enderecei o convite ao primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

Por isso aquilo que espero deste ano é capacidade de comemorar os 500 anos, inaugurar o Paço de Giela, e ter energia para projetarmos aquilo que estamos a pensar realizar e concluir o conjunto de obras que mantemos.

Por fim, a mensagem é que projetemos um 2015 cheio de êxitos pessoais, profissionais e para o nosso concelho espero que, em conjunto com todos os arcuenses, continuemos a construir o futuro da nossa terra.

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