Entrevista com Jorge Mendes // Valença

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Jorge Salgueiro Mendes é o líder do município valenciano e considera que este seu 5.º ano de mandato foi de muito trabalho, depois de três bastante difíceis. No entanto, considera que 2015 será bastante interessante, e pretende agarrar alguns investimentos aliciantes.

Que avaliação faz do ano que passou? 

Foi, por vários motivos, um ano de muito trabalho. Continuamos o que temos vindo a desenvolver nos últimos quatro anos, mas, também, tivemos de começar a preparar o conjunto de projetos para o próximo quadro comunitário de apoios, que se iniciou em 2014 e começará a produzir alguns resultados de 2015 até 2020.

Isso implicou muitas reuniões na CIM (Comunidade Intermunicipal do Alto Minho), na CCDRN (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte), no Conselho Regional e com o Governo. Conhecidos os eixos prioritários, tivemos de ver que projetos podíamos preparar.

O que resta da BorgWarner sai de Valença, definitivamente, em 2015. Tem algum trunfo na manga para suprir este “contratempo”?

Foi um pequeno contratempo que apareceu na altura da campanha eleitoral; não sei se é de propósito ou não, mas, quando mudam as administrações, colhemos, por vezes, umas notícias mais desagradáveis.

Valença perderá cerca de 170 postos de trabalho mas, entretanto, já recuperamos mais de 200 nas novas unidades que se instalaram. Portanto, o que fiz foi: ‘perde-se uma, ganham-se três empresas’. Uma está em finalização e há dois contratos assinados com outras empresas. Além de outras, de pequena dimensão, que absorveram alguns trabalhadores. Digamos que a dificuldade de empregabilidade, em alguns casos, não existiu. E, neste momento, começamos a ter alguma dificuldade em dar resposta a solicitações. Sobretudo em trabalho especializado, no âmbito da soldadura, da metalomecânica, entre outros.

Portanto, tivemos uma política ativa de atração de investimento. Captamos uma grande empresa de cablagens de automóveis, que tinha uma pequena unidade de 30 trabalhadores e vai acabar o ano com 120. A outra empresa, que tem a nave em fase final de construção, é líder de mercado na área de corte de chapa, para navios e para a indústria automóvel. Depois, temos uma de congelados e outra na área da metalomecânica.

O ordenamento do território em Valença é uma preocupação para a Câmara? 

Sim, hoje em dia, um dos fatores de valorização dos territórios é o seu ordenamento. No passado cometeram-se muitos erros, em Valença e nos municípios em geral, porque só se queria construir prédios. Felizmente, esses tempos foram contornados  e, nos últimos anos, foi-se muito mais exigente. Basta ver a zona central de Valença! Os edifícios que foram construídos obedeceram a um limite claro; rés-do-chão e mais quatro. Acabou a loucura de fazer oito, 10, 12 pisos. Foi preciso ordenar algum espaço que estava desordenado, nomeadamente na Cidade Nova. Às vezes, digo a brincar; ‘primeiro fizeram os prédios e, depois, as ruas e os passeios’. Estamos a fazer uma urbanização ‘A posteriori’. Não é fácil, mas os benefícios estão claros.

E, quanto à problemática dos prédios fantasma, há algum projeto real para melhorar ou reverter esta situação? 

Neste momento, temos duas situações que me preocupam. No edifício junto à fronteira, a situação está resolvida e vai ter a licença de utilização. Foi preciso apertar muito, foram precisas muitas cartas, mas o problema resolveu-se. No Lepanto há, da nossa parte, a intenção de ajudar, de juntar as partes, mas também já todos receberam uma carta a dizer que, se não existir entendimento, teré de ser demolido. Se calhar já não estaremos cá nós! E o mesmo se passa com o edifício à entrada de Valença, para quem vem de Monção. Estamos cá para ajudar, mas estamos aqui para zelar pelo interesse público.

Estamos no fecho de um quadro de apoios comunitários e na abertura de um novo. Em que áreas e projetos pretende receber apoios?  

Todos já sabemos que o tempo dos investimentos, a fundos perdido, sobretudo para obras, rede viária, requalificação urbana, edifícios, já lá vai. O atual quadro do Portugal 2020 é muito seletivo. A ênfase é para as empresas, a competitividade, a internacionalização e o emprego. Depois temos a área ambiental e a eficiência energética. É através dos eixos ambientais e da eficiência energética que podemos avançar com algumas intervenções, sobretudo, para os edifícios e a iluminação pública. Na área ambiental, vamos ver se conseguimos continuar a regeneração urbana na Cidade Nova. Depois, as freguesias. Elas precisam ver melhoradas as redes viárias que, a maioria, tem mais de 20 anos e começa a não conseguir responder às necessidades. Quanto à Fortaleza, falta a última fase e são mais dois milhões.

O que espera do ano de 2015, a nível local, regional e nacional?

Encaro 2015 com mais entusiamo. Tivemos três anos muito complicados. Sobretudo 2011 e 2012, para os municípios, foi muito difícil. Conseguimos ultrapassar essa fase, temos acabado os anos com alguma folga financeira e estamos com capacidade para agarrar alguns investimentos interessantes. Vamos concluir uma grande obra, em termos orçamentais, mas também de impacto municipal, que é o Centro de Inovação e Logística, o qual irá criar uma alavanca muito interessante para o futuro do município e a região. Temos também um grande trabalho pela frente na CIM Alto Minho, porque o tempo em que os municípios trabalhavam sozinhos já lá vai. Esperemos que, independentemente das eleições deste ano, que os principais partidos comessem a pensar mais, no país, a médio e longo prazo, e não só nas meras conjunturas atuais.

Que mensagem pretende deixar aos seus munícipes?

Uma mensagem de esperança, entusiasmo, que 2015 será, com certeza, um ano mais interessante de que os últimos e, se todos continuarmos a trabalhar em conjunto, como temos feito, sobretudo com as coletividades, com as associações, com os cidadãos em geral, podemos continuar a construir um município melhor para viver, trabalhar e investir.

Um bom ano para todos.

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