Entrevista com Victor Mendes // Ponte de Lima

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Uma câmara com sustentabilidade financeira e com saldo positivo é possível, nos dias que correm. Ponte de Lima é disso exemplo e Victor Mendes, a realizar o seu segundo mandato, é a prova de que pode gerar desenvolvimento mantendo a sustentabilidade. Ao Vale mais fez a “Análise” ao concelho que preside.

Que balanço faz de 2014 o seu 2.º mandato?

Um balanço positivo. É o consolidar de alguns projetos que chegam dos mandatos anteriores, tentar projetar aquilo que é este mandato, dentro de um conjunto de condicionalismos que são desfavoráveis, nomeadamente, entre o fecho de um quadro comunitário de apoios e a abertura de outro. Depois há a redução substancial das receitas do município, e nessa perspetiva tem de se ter algum cuidado com a sustentabilidade financeira, que tem de ser compatibilizada com investimento, a favor, daquilo que é a qualidade de vida dos cidadãos e daquilo que nós achamos que deve ser o retorno para a nossa economia.

Do ponto de vista da sustentabilidade financeira, aumentamos o saldo, durante este ano, em cerca de 3,5 milhões de euros, o que é significativo, continuarmos a dar benefícios fiscais aos cidadãos e às empresas.

Como vê o sucessivo centralismo que se realiza em Portugal?

Naturalmente com muita apreensão. Penso que estamos, efetivamente, num estado centralista, e tem havido alguns exemplos que mais do que centralismo há também algumas situações que têm colocado em causa a autonomia do poder local. E portanto penso que isso é grave para as autarquias, para o país. Penso que é obrigação dos autarcas, por um lado, combater esse centralismo, que obviamente tem como consequência que o desenvolvimento do país não seja feito de uma forma sustentável e integrada e é também nossa obrigação que a nossa autonomia, como eleitos locais, seja posta em causa. Assim, penso que quem fica a perder são as nossas populações. Por isso vejo esta situação com muita preocupação.

Como analisa a recorrente migração de jovens do concelho devido à falta de oportunidades de emprego?

É verdade que territórios como o nosso não conseguem fazer com que os nossos jovens, nomeadamente os quadros técnicos se consigam instalar no território, porque não temos dimensão empresarial para que isso aconteça, mas também é verdade que há muitos jovens que saem por opção até porque nós somos efetivamente um país de emigrantes, gostamos da descoberta. Mas temos de reconhecer que há muitos jovens de Portugal e de Ponte de Lima que também saem por necessidade e vão à procura de melhores condições de vida. Isso claro que não é bom para Ponte de Lima, não é bom para um país. O que temos de fazer é procurar infletir essa situação.

Quais foram os projetos reais de criação de emprego, no concelho?

Naturalmente que as autarquias têm um papel importante no ponto de vista da atratividade das empresas e, nesse sentido, temos um conjunto de incentivos diretos para micro e pequenos projetos. Por um lado temos um projeto que se chama Terra Incubadora, onde cedemos instalações a título gratuito, durante um ano, para projetos ligados ao ambiente, ao turismo aos recursos endógenos e ao desenvolvimento rural e depois temos também o ‘Terra Finicia’ que é outro projeto que temos implementado, para além de um conjunto de prémios ligados a todas essas áreas para recompensar aqueles jovens que apostam nesses setores. Depois também temos as feiras que são um método de promovermos os nossos empresários.

Eu sempre entendi que não se pode ver a questão do emprego apenas ligado à indústria. A indústria é importante porque emprega muitos cidadãos, mas deve ser vista de uma forma global e complementar a estes fatores.

O estacionamento junto ao areal é bom ou mau para a imagem de Ponte de Lima?

Pode não ser bom do ponto de vista visual mas é bom, porque é hoje um fator de atratividade. Ponte de Lima é dos poucos concelhos do país onde não é pago estacionamento e portanto ter ali um local onde se estacionam largas centenas de veículos, no coração do centro histórico, obviamente que é um fator de dinamização. Do ponto de vista visual, naturalmente que é muito discutível mas enquanto não houver alternativas válidas para aquela situação, alguém que corra o risco de retirar o estacionamento do areal é dar um tiro no pé e podia penalizar fortemente aquilo que é a dinâmica do nosso centro histórico.

O que espera do ano de 2015?

Ponte de Lima é dos poucos concelhos que pode encarar o futuro com muito otimismo e serenidade porque efetivamente não tem problemas financeiros, e pode continuar a investir de uma forma moderada com regras, como temos feito, e vamos continuar assumir os nossos compromissos e apostar em áreas fundamentais do nosso desenvolvimento e portanto vamos continuar a trabalhar com a máxima serenidade, mas não sei se isso acontecerá com o país e com o mundo.

Espero que o ano 2015 seja melhor que o ano de 2014, para as nossas empresas e para os nossos cidadãos porque eles, verdadeiramente merecem um futuro melhor.

Que mensagem gostava de deixar aos seus munícipes?

Quero deixar uma mensagem de esperança. Podem continuar a encarar o futuro de Ponte de Lima com esperança, porque temos todas as condições para que isso aconteça e portanto quero deixar aqui uma palavra de agradecimento porque o presente e o futuro constrói-se à custa de todos, porque se não houver o apoio dos cidadãos no seu conjunto, de forma organizada, obviamente que não há futuro.

Desejo um bom ano de 2015 e que continuem a exercer essa cidadania na sua plenitude.

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