Entrevista com Vítor P. Pereira // Paredes de Coura

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Paredes de Coura tem em Vítor Paulo Pereira o seu atual presidente de câmara depois de este ter alcançado o lugar nas últimas eleições autárquicas, em 2013. Com muito trabalho pela frente, como o próprio afirmou, contou ao nosso jornal o que mais o preocupa e alegra, na sua terra e no país.

Como Presidente da Câmara, que balanço faz de 2014?

Foi um ano de muito trabalho porque estamos a construir os alicerces daquilo que queremos que Paredes de Coura seja. Agora o que acontece muitas vezes para além de um plano de desenvolvimento, de uma ideia geral e motivadora, que nos leva a trabalhar todos os dias, são os problemas diários e constantes que temos de resolver. E o que parece é que, se numa semana resolvemos grande parte dos problemas que surgem, na semana seguinte chegam problemas novos, de outra índole e portanto o trabalho da câmara é resolver esses problemas, mas por outro lado nunca perder o objetivo principal que temos para Paredes de Coura que é um território sustentável, competitivo e que se afirma pela diferença.

O concelho já se resignou a ficar sem tribunal?

Sem tribunal já estamos. Agora aquilo que nós temos constatado é que este governo tomou a decisão e para eles a decisão é final, mas eventualmente se o PS vier a governar, o que disse, e é isso que faz sentido, é em vez de deslocar as pessoas para andarem de tribunal em tribunal, é aproximar a justiça das pessoas. E como é que isso se faz? Em vez de 30 pessoas irem para Valença é muito mais simples um juiz vir a Paredes de Coura. A questão do tribunal é uma questão de proximidade mas o que aqui aconteceu não foi isso. Eu até acredito que a reforma tenha algumas virtudes, agora é uma estupidez completa não considerar que um tribunal de um concelho mais pequeno não desempenha um papel importante. Porque a questão aqui nem é monetária, pelo contrário. O fecho do tribunal de Paredes de Coura ainda vai acarretar maiores despesas para o ministério da justiça. Eu considero é que o governo não conseguiu ser subserviente em relação à Troika.

Como analisa a recorrente migração de jovens do concelho devido à falta de oportunidades de emprego no concelho, e consequentemente o natural envelhecimento da população?

Preocupa-me. Mas como é possível, por exemplo, uma pessoa que se forma em engenharia química, ficar em Paredes de Coura? Só se eu mudar muito o tecido económico é que conseguiria criar postos de trabalho para esses licenciados. Mas isso é difícil. Se eles saem do país e das grandes cidades, muito mais saírão de Paredes de Coura. Agora não nos podemos resignar, porque eu sei que, apesar de isto ser muito vago, se conseguir que o concelho seja competitivo pela diferença, pelo desenvolvimento sustentável, pelo humanismo e pela diversificação dos postos industriais, naturalmente estou a criar condições para fixar jovens.

E este é que é o desafio. Temos de estimular esses jovens, alguns deles a criar os seus próprios empregos e a dinamizar o tecido económico para que seja este a contratar esses jovens. Claro que isto me preocupa mas não é fácil de inverter. O que também considero importante é que os jovens que estão fora, continuem perto da câmara, a dar ideias, a criticarem, a comunicarem, porque eles estão lá fora e têm contactos com outros projetos e olham, com outros olhos, o mundo.

Tem implementado, ou pensa implementar, políticas de incentivo à natalidade para atrair jovens e fixar os que já são de cá?

As políticas que temos já vêm do antigo executivo. O que fazemos é, do ponto de vista social, acompanhar as famílias e monitorizar. As pessoas veem o apoio à natalidade como 10 medidas que se escrevem num papel. Mas se estamos a abrir uma fábrica em Castanheira, que já está e vai empregar pessoas, isto sim é um apoio à natalidade. Se criamos riqueza, e apoiamos as famílias neste contexto de crise, naturalmente que estamos a dar apoio à natalidade. Agora, a curva da natalidade só se inverte com muito dinamismo económico, com captação de investimento, com criação de postos de trabalho. As famílias só têm filhos se acharem que têm poder económico ou pelo menos potencialidades económicas para criar os filhos.

O que espera do ano de 2015, nomeadamente quando se trata de um ano de eleições legislativas?

O que eu espero de 2015 depende muito do rumo que o mundo tomar e das decisões que saírem da EU, mas se a Europa continuar a persistir nesta ideia, que eu não sei onde a foram buscar, de que a austeridade tem efeitos, à posteriori, expansivos, na economia, é errado.

No entanto, esta crise ensinou às pessoas que quando se faz um projeto, associado a ele deve estar um plano de viabilidade económica.

Na educação, percorreu-se um caminho magnífico, demos passos enormes e não podemos perder isso. Não podemos apertar financeiramente as universidades e as escolas, porque o futuro do nosso país vem do investimento que se fizer na educação.

Que mensagem gostava de deixar aos seus munícipes?

O que eu quero dizer a todos os courenses é que, trabalhamos muito, mas isso não chega. Além de trabalharmos muito, fizemo-lo para responder aos problemas quotidianos dos courenses, mas há uma ideia que temos para o concelho de Paredes de Coura. Somos um concelho diferente, com potencialidades diferentes e temos de o pensar de forma diferente.

Para isso acontecer, pode aparentar, nos primeiros tempos, que nada está acontecer, mas esse propósito de fazer um concelho diferente está nas pequenas coisas que feitas com consciência transformaram, completamente, este concelho, e na atividade política, como em todo o lado, é preciso ter paciência.

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