Esporão do calcâneo

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Dor debaixo do pé ao caminhar, dificuldade em pousar os pés no chão logo ao acordar, desconforto com os sapatos e tensão na barriga da perna? Pois bem, podemos estar perante um quadro de esporão do calcâneo.

O que é

O esporão é resultado do crescimento anormal do osso do calcâneo (calcanhar) em forma de agulha que provoca uma dor intensa debaixo do pé quando pressionado. O esporão pode localizar-se em dois sítios diferentes; na parte superior ou inferior do calcanhar, sendo a segunda a mais comum.

Quando o esporão é inferior a estrutura mais afetada é a fáscia plantar e no superior é o tendão de Aquiles e a bolsa retrocalcaneana.

Causas

São mais comuns em mulheres entre os 40 e 50 anos, desportistas de corrida, caminhadas e trails ou pessoas que passem muitas horas do dia de pé.

Os motivos que levam a desenvolver o esporão são maioritariamente a falta de alongamento dos músculos adjacentes, o excesso de peso e a consequente sobrecarga sobre o pé.

Debaixo do pé existem estruturas musculares elásticas e outras mais rígidas como a fáscia plantar, se essas estruturas são constantemente utilizadas para fazer a impulsão para o passo tornam-se mais tensas assim como a cadeia muscular posterior (músculos desde a nuca até aos pés) que com o tempo podem provocar fissuras, inflamações e assim a formação do esporão.

Retração do tendão de Aquiles e curvatura anormal (principalmente pé cavo – com uma grande curvatura) da planta do pé são as principais causas em desportistas.

Sinais e sintomas

A dor é o principal sintoma! Começa com os primeiros passos pela manhã e tende a ir melhorando ligeiramente. O calçado com sola mais dura, muito rasos, muito altos ou apertados podem piorar a sintomatologia. Em repouso a dor tende a melhorar pois não há compressão do esporão.

Diagnóstico

É importante que o diagnóstico seja bem feito por um profissional qualificado na área. Isto porque um esporão pode ser confundido com fasceíte plantar ou vice-versa. Para isso, o raio-X é o exame complementar que faz confirmar a presença/ausência do esporão para que assim o tratamento seja melhor orientado.

No entanto, é de salientar que a fasceíte não tratada leva á formação do esporão e desta forma coexistem as duas situações em simultâneo. Ou também a contratura dos músculos dos gastrocnémios e esporão que por compensação provoca a fasceíte.

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Tratamento

Felizmente os avanços médicos têm permitido o tratamento eficaz deste problema sem recurso a cirurgia e outros tratamentos mais invasivos.

Confirmando-se a existência do esporão, é inevitável destruir essa calcificação formada para a melhoria da sintomatologia. Hoje em dia, as Ondas de Choque (radiais ou focais – dependendo do tamanho e profundidade do esporão) são o tratamento de excelência. A acompanhar estas sessões, a fisioterapia tem um efeito fundamental de diminuição de dor, inflamação, alongamento das cadeias musculares encurtadas, aconselhamento de posturas a adquirir, ortóteses a utilizar (palmilhas próprias para esporão – calcanheiras com um buraco na zona do esporão para não provocar compressão nessa zona), sapatos mais confortáveis, também já existem com apoio apropriado para estes casos, ortóteses para usar a dormir, entre muitas outras coisas que o fisioterapeuta pode ajudar.

A nível médico, para além das ondas de choque, infiltrações com anti-inflamatórios podem ser também administradas para ajudar, assim como podoscopias e podobarografias que são exames específicos para avaliar o tipo de pegada e pressões exercidas por todo o pé, são instrumentos valiosos que nos ajudam imenso a criar a palmilha ideal para cada doente e a termos os melhores resultados na nossa prática clínica.

Ressalvo que na presença de esporão, a fisioterapia é mais eficaz quando acompanhada de ondas de choque, sem elas o tratamento é muito demorado e pode não se conseguir ter o melhor sucesso no tratamento.

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Algumas dicas de prevenção

  • Em casa, os pacientes podem aplicar gelo no local e fazer massagem com um rolo/bola ténis/garrafa de água congelada por exemplo e fazer rolar por toda a plantar do pé.
  • Usar sapatos fechados e com salto 2-3 cm de salto, com apoio em silicone no calcanhar ou com a depressão na zona do esporão.
  • Fazer alongamentos regularmente e sempre após o exercício físico de toda a cadeia posterior.
  • Evitar o excesso de peso.
  • Evitar estar muito tempo de pé.
  • Fazer exercício físico e com calçado apropriado à modalidade.

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