Este homem é du Nuorte, carago!

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Este homem é du Nuorte, carago!

Por certo, muitos de nós ainda nos lembraremos dos sketch do Herman José em que uma trupe de 4 revolucionários e ferrenhos tripeiros que, furiosos com a Expo 98 ir ter lugar em Lisboa, preparam secretamente a “Expo Nobenta e Seite” para fazer ver os “mouros” que no Norte é que se sabia fazer bem. Estas personagens míticas, lideradas pelo Eng. Passos de Ferreira (Herman José) e brilhantemente interpretadas por Maria Rueff, José Pedro Gomes e Miguel Guilherme demonstravam, de forma ácida, o desejo de um justo protagonismo do Norte face ao centralismo de Lisboa. Hoje, de forma tranquila, poderemos estar na presença de uma reedição deste espírito pela eleição do Presidente do Turismo do Porto e Norte (TPNP) Luís Pedro Martins.

O organismo coordenador das políticas públicas de promoção dos destinos turísticos para o Porte e Norte (TPNP) do país passou por tempos difíceis. As acusações de burla que envolvem vários responsáveis, incluindo o antigo presidente Melchior Moreira, colocaram ainda mais em evidência as dificuldades -sentidas e expressas por muitos presidentes de Câmara da região norte- de verdadeira representação dos diversos Territórios. 

Era por demais evidente que havia diferentes níveis de promoção dentro do destino: Porto-Gaia e Douro estavam claramente numa primeira divisão, seguidos de Guimarães e Braga, e só depois o Minho num grande conjunto indiferenciado, em que se privilegiava Turismo de Natureza (activo) e Touring Cultural e Paisagístico. É certo que a promoção do Porto e do Douro conheceu patamares nunca antes atingidos, com o reconhecimento internacional que chegou com os Prémios de Best European Destination em 2012, 2014 e 2017. As próprias Lojas Interativas de Turismo (LIT) vieram preconizar um look fresco, moderno e integrado dos cerca de 90 municípios que adoptaram estes espaços como modo de comunicação com os visitantes. 

Mas este terá sido o canto da sereia do marketing da região Norte. Dificuldades de colocação de conteúdos próprios dos municípios aderentes pautaram um pouco as LIT. Mas mais importante, muitos dos municípios não se sentiam propriamente salientes no marketing dirigido aos públicos internacionais. 

Os barcos que sobem o Douro entram nas quintas de vinhos e não conhecem as ruas. A APHORT (Associação Portuguesa Hotelaria, Restauração e Turismo) tinha levantado dúvidas sobre estratégias e contas do TPNP. Vários autarcas queixaram-se da falta de resultados (leia-se atractividade traduzida em dormidas e proveitos) nos seus Territórios. Eu próprio nas páginas desta revista alertava para os pecadilhos do Plano Estratégico do TPNP para 2015-2020.  

E eis que, na sequência do impasse gerado pelos problemas legais que envolvem Melchior Moreira, surge um novo Presidente, Luís Pedro Martins, um ex-Deputado, formado em Marketing e até então responsável pela gestão da Torre dos Clérigos. 

Pelas indicações já dadas nos primeiros meses de mandato (foi eleito em Janeiro de 2019) bem como pelos seus “companheiros de luta” – que incluem dois alto-minhotos como são os Presidentes de Câmara dos Arcos de Valdevez e de Paredes de Coura – estaremos em presença de um “Homem du nuorte, carago!” 

Apresenta um cartão de visita interessante por estar no terreno em contacto com os turistas que nos visitam dos quatro cantos do mundo. Conhece a necessidade de conceber e mostrar os produtos (turísticos) da forma mais apelativa possível por via da sua formação académica – licenciatura em Design de Equipamento pela ESAD e pós-graduação em Marketing Management pela Porto Business School.

Apreciei o seu discurso na recente Feira do Alvarinho de Monção, onde abordou a necessidade de conferir ao visitante sensações – que se conseguem quando se concebem produtos turísticos que suscitam experiências, com relevo por exemplo para o eno-turismo, sendo este (Monção-Melgaço) um Território vínico por excelência; por outro lado, alertou para a necessidade de lidar com um novo perfil de turista que se avizinha- o sector de luxo, que tem origem em pontos tão remotos como o Dubai, a China, o Brasil, os Estados Unidos ou mesmo a Austrália. 

Deixou a porta aberta ao Alto Minho para poder receber estes turistas que são conhecidos pelo seu alto poder aquisitivo bem como o seu nível cultural. E este é um caminho que se trilha de duas formas: por um lado, concertar estratégias comuns com os parceiros implica reunir com eles e explicar o caminho. 

E nisso, Luís Pedro Martins tem demonstrado que isso se faz não só em dias de festa, mas precisamente antes, escutando as Comunidades Intermunicipais, as Câmaras Municipais, as associações do sector, etc. Por outro lado, a promoção tem que ser feita em vários mercados e para diferentes tipos de públicos em diferentes mercados emissores. 

Só assim se poderá garantir que a onda de turistas que chega principalmente pelo Aeroporto Francisco Sá Carneiro se faz sentir por todo o Norte, combatendo a sazonalidade. E sem colocar de parte o próprio turista nacional, para quem o Alto Minho tem um elan especial por diversos motivos. 

Tenhamos sempre presente de que o país se começou a construir pelo Norte, por isso o novo Presidente do TPNP tem uma responsabilidade enorme de sendo do Norte, se torne num “berdadeiro homem do Nuorte, carago!” Fica lançado o repto para a própria Vale Mais entrevistar este novo protagonista no cenário turístico numa próxima ocasião.

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