Fast-Life & Fast-Football

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Fast-Life & Fast-Football

Actualmente, todos temos uma forma de viver cada vez mais apressada, onde tudo tem de ser digerido à “velocidade do som”, onde se confunde e mistura informação com conhecimento, onde as novidades tecnológicas e as redes sociais só servem para nos desumanizar, para nos tornar mais individualistas e com uma clara incapacidade de interacção com o próximo. Apesar disso, continuamos a não ter tempo para nada. Um claro contrassenso, não acham? Então fazemos tudo muito mais rápido do que antigamente, é tudo “fast”, “fast food”, “fast knowledge”, “fast thinking”, “fast & furious”, “fast”, “fast”, “fast”, “fast” e mesmo assim não temos tempo para nada!

Pais sobrecarregados, filhos completamente programados para as diversas actividades diárias, fins de semana delineados ao pormenor, férias completamente absorventes que nos cansam ainda mais do que o trabalho, tudo registado nos “smarthphones” ou nas “Action Cam”, quase que podemos deitar a nossa memória fora pois já não nos é mais útil. Parece que a vida se resume a isto.

Sociedade do imediatismo, onde a capacidade de reflexão e de pensamento é facilmente ultrapassada pela capacidade de agir ou reagir, vivendo em função da pressão exercida nas redes sociais, onde, por vezes, não sabemos distinguir aquilo que deve ser privado e o que deve ser público, tudo para garantir um aumento de “likes” e, por conseguinte, um aumento de ego ou autoestima. Digamos que se não estamos no “Facebook” ou no “instagram” é porque não existimos socialmente.

Tudo isto cada vez mais alimentado por uma comunicação social avida em lançar não noticias, polémicas, escândalos, informação sem conteúdo e qualidade, inverdades, ou seja, faz tudo menos a sua verdadeira função a de informar.

Esta ‘pequena’ nota introdutória, serve para fazer um paralelismo, que a mim me parece lógico e razoável, com aquilo que se está a passar no defeso futebolístico no nosso país. Poderá ser generalizado a outros países também, particularmente interessa-me mais abordar o caso nacional.

A época de defeso futebolístico costuma ser bastante animada. Contratações conseguidas, muitas falhadas, milhões de euros para um lado, dezenas de atletas para outro, etc., etc. Foi e será sempre assim! Faz parte de um enredo novelístico que entretém as audiências e por isso é receita de sucesso.

A novela João Félix está a ser prato cheio para quase toda a gente. De repente um miúdo que andava pelas formações de base e posteriormente para a antecâmara do futebol “mais a sério”, os Sub-23 do Sport Lisboa e Benfica, surge como a principal figura do mundo futebolístico.

Um clube decide pagar uma cláusula de rescisão astronómica, de forma a poder contar com os seus préstimos nos próximos anos. A módica quantia de 126 milhões de euros!!! Valor recorde em Portugal. A partir deste momento, a vida deste jovem nunca mais poderá ser a mesma. Para o bem e para o mal. As pressões mediática e política apressam-se a tirar dividendos da situação. É nomeado embaixador da sua terra natal. Canais de televisão e jornais apressam-se a criar autênticos diários da vida de João Félix. Chega-se ao cúmulo de publicar como notícia a conta de um almoço que o jovem pagou aos amigos mais chegados. Haja imaginação jornalística para deleite dos seus acérrimos e acéfalos leitores.

O carnaval chegou fora de tempo este ano. Um jovem com um potencial tremendo, quer técnica quer fisicamente, transforma-se numa atracção de circo para o todo o país. Um miúdo, ainda com borbulhas no rosto, que só quer fazer aquilo que gosta e sabe, passou a ser o centro das atenções. Não basta noticiar a transferência do jogador João Félix….

Retomo agora aos primeiros parágrafos, em que não tenho dúvida alguma de que vivemos numa sociedade “fast”. O crescimento, que deveria ser sustentado em bases sólidas, dos nossos, ainda pequenos homens, tem de, deste modo, de ser rápido e imediato. Não há tempo!! Se porventura, as coisas não correrem bem ao craque, esgota-se esta novela até não interessar mais, depois partir-se-á em busca de mais um “João Félix” qualquer. O marketing sensacionalista e explorador vai novamente ajudar.

Importante é a máquina continuar a trabalhar. E tem de ser tudo “fast”, muito “fast”.

P.S.Vai tudo correr bem miúdo . . . e se por acaso não correr, continuarás a ser um miúdo como todos os outros, cheio de sonhos e ambições e em busca da tua felicidade!

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