FILMES DO HOMEM

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Está aí mais uma edição do FILMES DO HOMEM, Festival Internacional de Documentário de Melgaço, este ano dedicado ao tema identidade(s). É através do Cinema que o festival propõe um olhar sobre a humanidade, múltipla, complexa e, também por isso, fascinante. Ao reconhecer estas características, o evento encontra um espaço para celebrar a diversidade, quer humana quer cinematográfica, privilegiando a inclusão das identidades das margens, com olhares centrados nas periferias.

É através de uma mostra competitiva, na qual é atribuído o prémio Jean Loup Passek, que se revelam olhares de vários realizadores e que se constroem narrativas de valor estético sobre temas como a identidade, a memória e a fronteira. Uma forma de promover o cinema etnográfico e social, questionando os limites geográficos impostos ao ser humano e promovendo a tolerância. Estão por isso selecionados para a terceira edição deste festival uma multiplicidade de abordagens, filmes políticos e sociais, mas também ensaios poéticos e narrativas autobiográficas que exploram e questionam a memória.

As 13 longas-metragens e 14 médias e curtas-metragens selecionadas são disso exemplo. São filmes que unem essa diversidade, ao mesmo tempo que tornam visíveis os problemas de adaptação nos deslocamentos humanos e as identidades nacionais. Filmes sobre os refugiados sírios que diariamente chegam à Europa, sobre os portugueses emigrados em França, sobre as memórias de um avô rememorado, sobre a fé que acompanha as peregrinações, sobre os desabafos femininos que acontecem num cabeleireiro que recebe mulheres árabes e judias… os 27 filmes selecionados apresentam uma multiplicidade de abordagens, filmes políticos e sociais, mas também ensaios poéticos e narrativas autobiográficas que exploram e questionam a memória.

O Festival dedica-se também a identificar e registar as histórias da região que espelham estas mesmas problemáticas. Através da residência artística Plano Frontal, destinada a jovens criadores, o município revela a preocupação e o cuidado de encontrar essas histórias e registá-las, para evitar que esses fragmentos desapareçam, criando um arquivo audiovisual com imagens fixas e em movimento, e construindo um acervo. Já nas duas edições anteriores se realizaram filmes documentais e projetos fotográficos. Em 2016, mais uma vez, acolher-se-ão equipas de jovens artistas, para prosseguir com esse trabalho de recolha e representação das memórias locais.

Os processos migratórios e de identidade nas representações cinematográficas são também matéria de questionamento e reflexão no seminário de verão denominado Fora de Campo. Estimula-se assim o debate multidisciplinar e aproximam-se abordagens artísticas, tecnológicas e das ciências sociais e humanas ao cinema. O seminário realiza-se de 3 a 7 de agosto e é gratuito para os habitantes do município. É um espaço de encontro, de partilha, de questionamento, com uma abordagem teórica e prática.

Haverá ainda lugar a exposições de fotografia, apresentações de filmes pelos realizadores, exibição de filmes ao ar-livre, em regime de itinerância pelas freguesias envolventes de Melgaço e na Galiza, do outro lado da fronteira.

Mas apesar de evocarmos memórias não queremos ancorar-nos no passado. As histórias que buscamos, em cada uma das iniciativas do Festival Internacional de Documentário, são do domínio do tempo presente, seja na vivência ou na lembrança. O que pretendemos com esta reflexão é, sobretudo, olhar o futuro.

http://www.filmesdohomem.pt

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