Hotel no Castelo nos 700 anos de Cerveira. Esta precisa urgentemente de mais uma centena de quartos

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Foi hoje assinado o contrato de concessão do Castelo de Cerveira que deverá dar origem a uma luxuosa unidade hoteleira de quatro estrelas, com 41 quartos, num investimento que se calcula em 3 milhões de euros e permitirá criar duas dezenas de postos de trabalho diretos. A sua inauguração está apontada para 1 de outubro de 2021, data do 700º aniversário do Município de Vila Nova de Cerveira. O presidente da Câmara diz que, além deste, o concelho precisa, com urgência, de uma outra unidade hoteleira com uma centena de quartos.

O ato decorreu no próprio Castelo, no local que serviu de restaurante que ali funcionou, com a presença da secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, bem como, nomeadamente, do presidente da Câmara, do investidor no projeto e de responsáveis turísticos, deputados (Anabela Rodrigues e o ex-chefe do município cerveirense, José Manuel Carpinteira), autarcas e outras figuras locais.

ABERTURA PODERÁ SER FASEADA

O investimento pertence ao economista e empresário portuense Eurico Fonseca, que já desenvolveu um hotel de quatro estrelas na capital nortenha (à venda), está a desenvolver um projeto de menor dimensão na Foz do Douro, encontrando-se ainda, segundo nos disse, ligado a alguns projetos hoteleiros e ao setor imobiliário há cerca de 20 anos.

Instado a explicar o projeto, Eurico Fonseca avisou que, neste momento, conhece o espaço “de uma forma mais ou menos breve, através de plantas PDF, e de ver o que foi possível visitar”.

“A primeira coisa que temos a fazer é conhecer exatamente o que temos aqui. O nosso objetivo é desenvolver um hotel de quatro estrelas, no mínimo, upscale (sofisticado), de 41 quartos, com várias valências. Estamos a estudar a possibilidade de colocar ou não piscina, ter um spa ou não, temos de ver as áreas disponíveis a desenvolver”, observou.

“De qualquer forma, o que pretendemos para aqui é dinamizar um projeto hoteleiro de características superiores e contribuir, também, para o desenvolvimento económico de V. N. Cerveira e da região. Acredito muito na interação da comunidade com os turistas e nesta autenticidade que o Castelo confere a este projeto, que é único e tem de ser ganhador”, acrescentou.

O investidor fez questão em sublinhar que conhece bem Cerveira e desde que soube que o Castelo estava inserido no programa REVIVE, pensou nele como uma boa oportunidade. “Porque, como disse a senhora secretária de Estado, estava fechado desde 2008 e era uma pena abandonar. Sempre achei que seria uma boa oportunidade. Quando (o concurso) foi lançado, no início deste ano, vim cá visitá-lo e confirmei a minha vontade (ainda andei durante uns meses a estudar a operação; isto tem de ser um negócio, não um ‘perdócio’) e verifico que tem as características únicas e diferenciadoras para o levar ao sucesso.”

Quanto ao investimento de 3 milhões, não o confirma perentoriamente. “Temos uma estimativa, mas prefiro cautela. Primeiro, temos de ver (melhor) em termos de infraestruturas. Conhecemos aquilo que é possível conhecer neste moimento”. Confirma, poré, a vintena de postos de trabalho, quando todos os quartos estiverem prontos a serem utilizados pelos clientes.

“Mas tudo depende.  Temos uma data que queremos muito (1 de outubro de 2021) e, parecendo que é muito tempo, não o é. Não sei de pudemos abrir logo a 100 por cento (tudo) ou se temos de programar de uma forma faseada. Temos de intervir para um projeto Plus. A base é única, a maior parte está feita, é mesmo reabilitar e tornar isto o melhor dentro das nossas capacidades.”

MAIS 100 QUARTOS COM URGÊNCIA

Fernando Nogueira, presidente da Câmara Municipal, considerou que hoje se deu um “passo fundamental” em relação ao objetivo pretendido.

“Nos últimos 10 anos houve passos importantes para a resolução deste problema de V. N. Cerveira, a revitalização do seu Castelo, e o aumento da sua capacidade hoteleira. Hoje este passo foi fundamental, mas ainda não é o passo final. Esse será quando for o espaço de acordo com intenções do investidor. Em 1 de outubro de 2021 seria ótimo, nos 700 anos de V. N. Cerveira. A melhor prenda de aniversário com a entrada em funcionamento do seu símbolo maior”.

O concelho carece de unidades hoteleiras, reconhece o seu presidente. Neste momento, há 229 quartos e, agora, serão mais 41.

O autarca, após sublinhar, relativamente ao Castelo, o empenho da anterior secretária de Estado do Turismo, a atual ministra Ana Mendes Godinho, que foi “quem deu o click para o desbloquear de todo o processo”, admite que “precisávamos, no mínimo, com alguma urgência, de uma unidade hoteleira que pudesse albergar cerca de 100 quartos.”

“Acho que, para a nossa realidade… tenho a certeza de que, com esses 100 quartos, além do Castelo, dali a pouco tempo (2 a 3 anos) serão necessários outros tantos. Costumo dizer que gente traz gente e a oferta traz pessoas. Temos é de ter oferta disponível.  41 mais 100 quartos seria uma meta interessante, com alguma folga para uma promoção mais intensa de V. N. Cerveira na parte turística, um dos pilares da economia da região, além da parte empresarial e das indústrias.”

NO DIA DO SEU ANIVERSÁRIO

Rita Marques fez questão de explicar que o programa REVIVE foi desenhado pela sua antecessora, em estreita colaboração com várias do Governo, como a Cultura, a Administração Interna, Finanças e Defesa.

“A trabalhar em prol de um objetivo comum. O de requalificar ativos que, na sua maioria, se encontravam em estado devoluto ou de degradação evidente, capitalizá-los, fomentar parcerias público-privadas de modo a que empresários pudessem investir neles e, abrindo-os ao público, criar novas dinâmicas turísticas em redor destas mesmas localidades onde estão implantados”.

No total, o REVIVE abrange 49 projetos em vários pontos do país, especialmente em territórios de “baixa densidade”. A governante garante que a “Vila das Artes é uma vila que me está no coração. Passo aqui muitos dias do meu ano, sempre gostei especialmente de Cerveira e, para mim, era uma dor ver, desde 2008, este ativo sem puder ser explorado na sua plenitude. Com este enquadramento cénico absolutamente extraordinário! O município tem feito muito em prol da dinamização turística e cultural de Cerveira, mas faltam unidades hoteleiras e é um privilegio pudermos estar aqui hoje, juntamento com o empresário que se disponibilizou a investir no espaço, e criar uma unidade hoteleira de quatro estrelas e 41 quartos que vai reforçar a oferta hoteleira na vila.”

Na oportunidade, destacou o crescimento turístico no Norte (13%) e o potencial de V. N. Cerveira nesta área. Deixou ainda vincada a vontade de estar na inauguração do hotel nos 700 anos deste concelho, deixando a nota que, para ela, também o dia 1 de outubro é uma data especial (a do seu aniversário).

Rita Marques referiu que, dos 49 projetos, 19 têm já concurso aberto e 11 já foram concessionados, estando um já em funcionamento (em Elvas).

Questionada sobre o Forte da Ínsua, em Caminha), do qual tinha sido anunciado o lançamento de concurso público em julho, a secretária de Estado assinalou que, nele, “também estamos a trabalhar”.

ATIVO ECONÓMICO E DE ATRATIVIDADE

Teresa Monteiro, vice-presidente do Turismo de Portugal, destacou também o atividade económico e de atratividade do Castelo de Cerveira, dos cerca de 700 anos de História que representa e da importância da recuperação, requalificação e o dar “nova vida” ao espaço.

Destacou o ativo para a economia do concelho, bem como de atratividade turística e cultural do mesmo, assinalando, ainda, que se tratava do 11º contrato REVIVE. Este, recordou, envolve várias áreas do Governo e também os municípios, com a coordenação do Turismo de Portugal.

O programa Revive promove a recuperação e a requalificação de imóveis públicos classificados que estão sem uso, através da concessão a privados para exploração com fins turísticos.

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