Opinião Luís Ceia | ILHÉU DA ÍNSUA CAMINHA

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Forte da Ínsua vai reabrir como centro turístico com alojamento de quatro estrelas
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Talvez o ponto mais ocidental do Alto Minho se encontre numa pequena ilha rochosa que dá pelo nome de ilhéu da Ínsua. Ponto estratégico outrora[1], afigura-se hoje apenas como um local onde o olhar de quem se debruça sobre o Atlântico em frente às areias do Pinhal do Camarido encontra um cenário de beleza ímpar.

Infelizmente, reduz-se apenas a ponto de mira ou referência para os olhares dos muitos veraneantes que percorrem o areal costeiro entre Caminha e Moledo, ou ao foco de muitas objetivas na já célebre descida da Nacional 13, quem se aproxima de Moledo vindo de Sul. Se é bom termos um elemento que adorna a nossa costa, diria que sim, é excelente!

Mas confesso que sabe a pouco, mesmo muito pouco. Uma região que se orgulha da sua beleza paisagística, não pode voltar as costas a tão distinto património. Distinto, por se tratar de uma obra classificada como Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136, de 23 junho de 1910, mas também, e muito, pelo carácter ímpar da sua localização.

Está ali tão próximo, dizem as fotos e registos que já esteve várias vezes à distância de 200 m percorridos a pé, sempre que a língua de areia cresceu até à margem, mas na verdade, fora estes fenómenos naturais, está o suficientemente longe para que muito poucos se atrevam a por lá ir. Confesso, que apesar de residente nas proximidades, apenas recentemente me aventurei a chegar tão perto. Valeu a pena, desde logo pela curiosidade e imaginário de quem vai pela primeira vez, sim porque o que conseguimos almejar de longe é apenas um dos lados da ilha e da fachada do forte.

A viagem foi feita num barco de madeira sob o comando do experiente “Capitão” Mário. Homem de tez queimada pelo sol e ar salgado, que os anos de uma vida de pescador não conseguem disfarçar. Pelo que o “Capitão” foi dizendo enquanto manobrava o barco, soube que foi pescador na Terra Nova e noutras paragens longínquas. Aproveitei todo este manancial de experiências para satisfazer muitas curiosidades, coisa sempre aconselhável perante a presença de tanta sabedoria, que só o passar pelo tempo e pelas coisas permitem. Já na viagem de regresso, lá fui perguntando, entre outras coisas, quem tinha a chave que abria a porta do forte, coisa que o “Capitão”respondeu prontamente: “a Capitania de Caminha”, mas segundo o mesmo, só as cedem com as ordens de quem lá manda,”parece que é o Instituto de Viana”.

Deduzi, até pelo que já sabia, que se referisse ao nosso Instituto Politécnico. Lá me foi dizendo que as viagens são cada vez menos, que outrora alguns grupos organizavam algumas visitas, falou-me “daqueles que andam por aí a pedir para dar aos outros, os rotários”.

Na verdade, é uma pena que um sítio que constitui a nossa entrada no Atlântico, que no seu interior tem um manancial de história e vivências não só militares como religiosas, esteja fora dos roteiros da nossa região. Está apenas nos postais, dos poucos que ainda se vão encontrando nos quiosques locais.

Não sei a quem caberá a responsabilidade, julgo que desde 1990 se atribui a concessão ao IPVC para a construção, “ (…) no local de um Centro de Investigação Avançada das áreas marinhas da costa e rio Minho “ (Wikipedia, 2015). A concessão pelos vistos está atual, mas a obra, o Centro de Investigação ainda não emergiu. Possivelmente os tempos não aconselharão tal empreitada, mas porventura outro destino poderia ser bem mais útil à região neste momento. Primeiro, aconselha-se a visita ao espaço, que se criem condições de acessibilidade e atracagem, que se melhore a limpeza à volta do Forte e depois se promova este belo naco de terra no meio do mar, como sendo mais um pedaço do Alto Minho, a região que tem uma ilha, onde existe um dos 3 únicos poços de água potável no mundo localizado no mar, que embora não sendo as Berlengas, é muito nossa!

Temos todos a obrigação de colocar o Forte da Ínsua nos roteiros como parte integrante da nossa região. Por que não começar a falar no ponto mais ocidental do Alto Minho, um território que entra no Atlântico, que tem continente e ilha? Um bom slogan certamente!

[1](…) Implanta-se numa pequena ilha rochosa situada a SO da foz do rio Minho, fronteiro ao coevo pinhal do Camarido, e a cerca de 200 m da costa portuguesa. No interior integra o Convento de Santa Maria da Ínsua, de planta composta por igreja retangular composta, sacristia, claustro quadrangular irregular e outras dependências muito arruinadas (…).Foi uma das fortalezas construídas durante o século XVII, sob o reinado de D. João IV, não só para defesa do Convento de Santa Maria de Ínsua, várias vezes saqueado, mas também para reforço da costa portuguesa durante a Guerra da Restauração, integrando-se na linha defensiva estrategicamente colocada nas margens do rio Minho e ao longo da costa Atlântica. A sua planta, estrelada com baluartes e revelim, faz deste imóvel uma verdadeira fortaleza, tornando-se, portanto, incorreta a designação de forte (http://www.monumentos.pt/Site/APP_PagesUser/SIPA.aspx?id=3607).
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Luís Ceia, Presidente da CEVAL

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