Impacto da reabertura do comércio é praticamente nulo nas zonas raianas

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Confederação Empresarial do Alto Minho congratula-se com reabertura gradual da economia, mas relembra que o comércio no Alto Minho vive dos 47% do total global de veículos que todos os dias cruzam as fronteiras entre Portugal e Espanha.

“Quando um Galego visita um restaurante no Alto Minho, para apreciar a nossa vasta gastronomia, está a comprar um serviço. Quando apanha o ferry e visita Caminha para comprar artigos para o lar, quando compra na feira semanal de Vila Nova de Cerveira, ou quando em Valença compra atoalhados numa das muitas lojas que encontramos na sua Fortaleza, está a contribuir para definir o significado histórico da palavra ‘comércio’ no Alto Minho”, explica a CEVAL.

“Comércio nas regiões raianas do Alto Minho significa Galiza, porque o comércio nestas regiões faz-se e sente-se com os Galegos que diariamente atravessam a fronteira para comprar no Alto Minho”.

Em comunicado, a confederação Empresarial do Alto Minho manifestou a sua satisfação pelo recente anúncio do Governo de Portugal relativo à reabertura gradual da economia portuguesa que arranca esta segunda-feira, no entanto, não pode de igual forma deixar de temer que esta medida pouco ou nenhum impacto tenha para as regiões raianas do Alto Minho.  

“Conscientes das consequências económicas para o tecido empresarial do país, esta reabertura era necessária para evitar o agravamento da atual realidade vivida pelas pequenas e médias empresas do nosso país” assevera a Confederação.

“Esta reabertura é uma necessidade, mas também um risco, pelo que saudamos também as recomendações e boas práticas, fruto do trabalho conjunto da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) e da Direcção-Geral da Saúde (DGS)”.

“Cientes do peso desta medida, relembramos ainda assim a importância económica da relação transfronteiriça Galiza/Norte de Portugal, sendo que para os Alto Minhotos comércio é fronteira”.  

“Temos a zona de fronteira com maior afluência em Portugal, sendo que o número de veículos que atravessam as 5 fronteiras que ligam o Alto Minho à Galiza é de 31.190 veículos por dia, que corresponde a 47% do total global de veículos que todos os dias cruzam as fronteiras entre Portugal e Espanha”.

“O comércio nos concelhos de Caminha, Vila Nova de Cerveira, Valença, Monção e Melgaço está intimamente ligado à relação existente com a Galiza, e esta relação estende-se a todos os concelhos do Alto Minho”.

Recorde-se que segundo dados de 2014 do Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia, o distrito de Viana do Castelo tem 3.234 estabelecimentos de Comércio a Retalho e prestações de serviços, com 12.258 pessoas ao serviço. No que respeita ao comércio de rua, existem 1.601 estabelecimentos comerciais. Já quando à restauração são 855 os estabelecimentos no distrito de Viana do Castelo.

A Galiza é hoje o principal cliente português em Espanha, sendo cada vez mais um fenómeno de integração transfronteiriça na Península Ibérica. Em 2016, o último ano disponível, as exportações de Portugal para a Galiza atingiram cerca de 2 mil milhões de euros.

Se fosse um país autónomo, a Galiza seria assim o oitavo maior destino de exportação de Portugal, com valores de exportações equiparáveis aos registados para Itália ou para os Países Baixos e cerca de duas vezes superiores aos destinados ao Brasil.

“Ainda que atualmente não se preveja a reabertura das fronteiras entre Portugal e Espanha, parece-nos adequado perspetivar essa realidade, dando especial enfoque à fustigada economia nas regiões transfronteiriças, pois os alicerces que sustentam o comércio em Portugal não são os mesmos em todas as regiões portuguesas, assim como não será igual o impacto desta reativação”, conclui a nota.

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