Incontinência Urinária :: Um problema atual?

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Incontinência Urinária :: Um problema atual?

A incontinência urinária (IU) resume-se à perda involuntária de urina, mas não é apenas isso! É sim um problema atual, social e de saúde pública que afeta a qualidade de vida de quem sofre com este problema.

Trata-se da incapacidade de armazenar e controlar a saída da urina. Essas perdas involuntárias podem ser ligeiras fugas de urina e ocasionais ou então perdas mais graves e regulares. Estima-se, globalmente, que 30-50% da população feminina e cerca de 16% da população masculina sofram deste problema.

Existem vários tipos de IU:

IU de esforço, a mais comum é caracterizada por perdas de urina quando o individuo se ri, tosse, faz exercício físico ou pega em pesos, por exemplo. Decorre do aumento da pressão abdominal que por fragilidade dos músculos pélvicos ou esfíncter (musculo responsável pela retenção da urina) que perde a sua capacidade e a urina sai.

IU de urgência ocorre repentinamente, caracterizada por uma vontade súbita de urinar.

IU mista quando há associação das duas anteriores.

IU por extravasamento, quando a bexiga suporta grande volume de urina e a pressão elevada faz ultrapassar a resistência da uretra (canal que conduz a urina da bexiga ao exterior).

IU funcional causada por incapacidade do doente quer seja por doenças neurológicas (paraplegia, por exemplo) ou em casos de demência.

Enurese noturna caracterizada por perdas de urina durante a noite. Comum em crianças mas pode ocorrer na idade adulta.

Fatores de risco

As perdas de urina podem ter diferentes causas. Entre os mais frequentes a idade, a paridade e parto normal (episiotomia – corte efetuado no períneo para ampliar o canal de parto), a obesidade, tosse crónica, medicação, raça, exercício físico intenso, alguns hábitos alimentares e predisposição familiar. No homem, muito menos comum que a mulher, encontra-se normalmente associada a iatrogenia, patologia neurológica, trauma ou associada a problemas prostáticos pela proximidade desta estrutura com o esfíncter.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é relativamente fácil fazer pelo médico que acompanha, importante será encontrar a causa da IU e atribuir um dos tipos de incontinência para que o tratamento seja devidamente aplicado.

É um problema socio cultural, com impacto na qualidade de vida atingindo os indivíduos física, social, sexual e psiquicamente. Como diz respeito à intimidade, as pessoas sentem alguma vergonha de dizer ao médico os sintomas e o problema tende a piorar. A nível social, o isolamento e a falta de confiança começam a ser evidentes assim como a nível conjugal pode ser afetado.

A verdade é que existe tratamento para 90% dos casos!

Existem tipos de IU que são tratadas apenas com medicação ou técnicas de reabilitação génito-urinária (fisioterapia, com altas taxas de sucesso), outras com pequenas cirurgias que permitem a retoma à vida normal precocemente, às vezes até horas após a intervenção.

Também homens submetidos a prostatectomia radical que ficam incontinentes podem ser intervencionados cirurgicamente para colocação de redes suburetrais.

Nota sobre a atividade física

A estatística revela que cada vez mais mulheres jovens têm algum tipo de perda urinária maioritariamente de esforço. Pensa-se que esteja relacionado com a atividade física de alto impacto como atletismo mas também pilates, exercícios abdominais convencionais, musculação, entre outros mas… se mal executados. Isto porque há um aumento considerável da pressão intra-abdominal quando se efetuam exercícios em apneia (suspender a respiração), ora, tal pressão vai ser exercida sobre a bexiga onde o esfíncter não tem capacidade de aguentar e acontecem as perdas de urina. Assim, é importante seguir as orientações do monitor e efetuar os exercícios com respiração e técnica adequadas.

As estatísticas revelam também que atividade física moderada pode até prevenir a ocorrência de IU em qualquer idade e até mesmo em grávidas (30 minutos de atividade leve/moderada diariamente).

É importante reter que a IU é, na maior parte dos casos, uma doença curável e de tratamento fácil, em especial quando detetada precocemente. Se suspeita que pode sofrer de IU, consulte o seu médico de família ou um urologista.

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