Joe Berardo – Grande culpado ou bode expiatório?

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Joe Berardo - Grande culpado ou bode expiatório?

Joe Berardo – Grande culpado ou bode expiatório? Recentemente, levei um grupo de alunos a visitar a Assembleia da República e durante essa visita fomos à sala onde Joe Berardo foi ouvido na Comissão de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos e falamos sobre as declarações que ali proferiu e do sentimento generalizado de que tinha gozado com o país.

Enquanto decorria essa conversa dei por mim a pensar se Berardo era o grande culpado ou um simples bode expiatório dum escândalo que vai muito para além desta personagem e que é transversal a todo um período da nossa história recente?

Na verdade Joe Berardo, tal como Salgado, é mais uma personagem da teia de interesses da era José Sócrates.

O show da indignação, quase arrancando as vestes, a que assistimos, por parte de influentes figuras do PS incluindo António Costa, com as declarações de Berardo deixaram-me incrédula pois, salvo talvez o tom meio boçal com que foram proferidas, só podem surpreender quem não viveu em Portugal no período do governo de José Sócrates, ou então essa fúria nasce não do que Berardo fez (e que eles estavam fartos de saber) mas sim do facto dele ter posto a nu a forma como os socialistas se portam nos governos. Ou, pensei eu, do receio que os portugueses se começassem a lembrar que as personagens que rodeavam José Sócrates são as mesmas que hoje nos governam…

Pois para os homens de Sócrates, muitos deles ainda hoje em cargos de governo, as declarações de Berardo são uma ameaça porque podem relembrar aos portugueses aquilo que este governo tanto tem trabalhado para branquear e mesmo apagar da memória dos portugueses, por isso mostram-se indignados com Berardo, o mesmo Berardo que foi claramente  seu parceiro no assalto ao BCP e a forma como a Caixa Geral de Depósitos foi um instrumento privilegiado desse assalto.

Berardo não pode ser culpado de tudo, não pode ser a ovelha negra num rebanho de gente séria, não podemos esquecer os outros aventureiros morais que são tratados como empresários, venerados como mecenas das artes e distinguidos como comendadores da nação e, acima de tudo não podemos esquecer que não passa dum peão numa teia de poder ao mais alto nível governamental onde a corrupção, o nepotismo, o compadrio, o desperdício e a incompetência reinaram….

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