JOSÉ MARIA COSTA :: ‘A defesa dos estaleiros navais foi o período mais crítico da minha vida’

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JOSÉ MARIA COSTA :: 'A defesa dos estaleiros navais foi o período mais crítico da minha vida'

José Maria Cunha Costa nasceu em Moçambique, na antiga Lourenço Marques, hoje Maputo, a 5 de março de 1961. Casado, tem uma filha de 28 anos, viveu em Africa até aos 14 anos, Altura em que viajou, sozinho, para Portugal, ‘com uma mala maior do que ele, onde viveu com os tios enquanto os pais ficaram, mais uns tempos, em Moçambique. Formado em engenheira química, ingressou nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo onde chegou aos quadros superiores. Foi adjunto do presidente da Câmara de Viana do Castelo entre 1994 e 1997, vereador na mesma, entre 1998 e 2009, com os pelouros do Ambiente, Desenvolvimento das Freguesias, Área Social e Desenvolvimento Económico.

É presidente da Assembleia Geral da Rede Portuguesa das Cidades Saudáveis, do Eixo Atlântico, da Conferência das Cidades do Atlântico, da RIETE – Rede Ibérica de Entidades Transfronteiriças e da CIM – Comunidade Intermunicipal do Alto Minho, alem de membro Comité das Regiões da UE.

Em 2009 atingiu a Presidência da Câmara vianense, cargo que ocupará até 2022, altura em que a sua retirada é “obrigatória”, por lei. Apesar de ainda não saber para onde, então, irá, sabe que não ai ter nada a ver com a vida autárquica.

José Maria Costa recebeu a Vale Mais, no seu gabinete, e respondeu-nos a todas as perguntas, numa conversa franca e aberta.

Nasceu em Moçambique e lá viveu grande parte da sua infância. Que memórias tem desses tempos?

A minha infância foi normal, feliz. Nasci na antiga Lourenço Marques, hoje Maputo, e viajei bastante por Moçambique porque o meu pai era funcionário administrativo dos Caminhos de Ferro de Moçambique e, de três em três anos, tínhamos, obrigatoriamente, de mudar de local. A minha mãe era doméstica e costureira caseira.

Vivi em Lourenço Marques até aos sete anos e depois, dos 8 aos 12, fui para Moatize, a 20 quilómetros de Tete, onde assisti à construção da ponte sobre o Rio Zambeze. Para ir para a escola, ainda atravessei o Rio Zambeze de barco. 

Tenho, de facto, uma imagem muito feliz desse tempo onde o contacto com a natureza era muito forte, o clima era totalmente diferente, os espaços naturais, na altura, eram muito bem cuidados. Lembro-me que tínhamos uma piscina no Clube Ferroviário, onde aprendi natação e fui colega de um grande atleta olímpico português, que, infelizmente, já faleceu. Era o Rui Abreu.

Depois, aos 12 anos, regressei a Lourenço Marques (Maputo) e, nessa altura, dá-se o 25 de Abril em Portugal.

Lembro-me que vim a Portugal por um ano, mais precisamente, em junho de 1974, mas regressei novamente a Moçambique para depois vir, definitivamente, para cá (Portugal) no dia 24 de novembro de 1975.

JOSÉ MARIA COSTA :: 'A defesa dos estaleiros navais foi o período mais crítico da minha vida'

Que recordações lhe vêm, imediatamente, à memória?

Quando penso nesses tempos, uma recordação que me surge de imediato é a praia, o contacto com a natureza e com os animais. Tenho, ainda, a recordação de ter visitado o Parque Natural da Gorongosa, onde tive o privilégio de ver os leões, os elefantes e tantos outros animais no seu habitat natural. São imagens únicas, que tenho gravadas na memória. 

Ainda mantém alguma ligação familiar com Moçambique?

Hoje em dia não tenho ligação familiar, mas, há cerca de oito anos, regressei a Moçambique, ao abrigo da geminação entre Viana do Castelo e Matola, nos festejos dos seus 40 anos. Eles convidaram todas as cidades que estão geminadas e estive lá cinco dias. Tive a oportunidade de matar saudades e rever a escola primária onde andei, a Igreja onde fiz a minha primeira comunhão… enfim, foi uma experiência muito gratificante, sobretudo, a forma como fui acolhido e recebido pelo povo moçambicano. 

Com acontece a chegada a Portugal e a Viana do Castelo?

Cheguei à estação de caminhos de ferro, sozinho, e com uma mala que era maior do que eu. (risos)

E vim sozinho porque o meu pai ainda fez um contrato por mais um ano, depois da independência, para assim garantir a integração, em Portugal, no quadro da função pública, ou seja, para não perder os direitos que tinha. 

Eu vim mais cedo e estive de fevereiro de 1975 até junho de 76 a viver com os meus tios.

Como foi a adaptação a uma realidade completamente diferente?

Foi difícil a todos os níveis. Primeiro, porque não tinha as ligações familiares mais diretas, não tinha redes de amizade, tudo era novo e a escala da cidade também era diferente. Apesar dessa dificuldade fui muito bem integrado, fiz grandes amigos, quer no liceu, em Viana do Castelo, onde terminei o secundário, quer quando fui estudar para o Porto, onde estudei engenharia química no Instituto Superior de Engenharia do Porto. 

Quando terminei o curso fui estagiar para os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, onde mais tarde ingressei no respetivo quadro e aí trabalhei durante oito anos. 

Jogador de Xadrez

Em Viana tive uma atividade desportiva muito importante, que foi o Xadrez. Aprendi em Moçambique e aqui fui jogador federado, pelo Viana Taurino Clube, tendo jogado em campeonatos regionais e nacionais. Era frequentador diário do clube onde tinha uma relação de amizade com as pessoas que lá estavam. 

Teve uma juventude muito ativa, sobretudo na Diocese…

Iniciei a minha vida política, na Juventude Centrista, como militante e, mais tarde, dirigente, mas acabei por abandonar. Estive ligado à Diocese e, no Porto, também fiz parte do movimento associativo; ou seja, tive sempre uma vida muito ativa, do ponto de vista, da intervenção cívica. Mais tarde, na Diocese, fui convidado para participar num embrião das Comissões de Justiça e Paz. O Bispo da Diocese, na altura, D. Armindo, constitui um grupo (Grupo da Reflexão Cristã) para dinamizar as semanas sociais, na qual organizávamos seminários, encontros ligados à doutrina da Igreja e na qual eu participava. 

Mas quando ingressei na vida política, entendi que me devia afastar para que não houvesse conflito de interesses. Aceitava alguns convites pontuais, sobretudo fora do concelho de Viana. Agora, tenho uma frequência não tão assídua como gostaria, mas sigo com muita atenção a vida da Igreja, de uma forma global.

JOSÉ MARIA COSTA :: 'A defesa dos estaleiros navais foi o período mais crítico da minha vida'

Que opinião tem sobre a possibilidade do fim do celibato? 

Acho que a Igreja sempre teve uma grande capacidade de adaptação aos sinais dos tempos. E acho que o Papa Francisco tem tido essa luz e essa visão de que a Igreja se tem de adequar aquilo que são as exigências modernas e os contextos da própria Igreja. 

Se formos ler a teologia da libertação veríamos que, por exemplo, no Brasil, já havia as chamadas Comunidades Eclesiais de Base onde já não havia padres suficientes e os leigos tinham uma participação muito mais ativa. 

Portanto, diria que será uma sequência normal, na vida da igreja, uma evolução normal, de adaptação dos tempos, de procurar as respostas adequadas para a sociedade dos tempos modernos. 

Se se avançar para o fim do celibato e se as mulheres também puderem aceder, penso que tem a ver com a dignidade da pessoa humana e a dignidade das mulheres dentro da própria Igreja.

Aliás, se formos às redes históricas, as mulheres sempre tiveram um papel muito importante na vida da Igreja primitiva. Depois houve algumas variações, onde foram um pouco afastadas, mas diria que tem a consciência que hoje existe sobre o papel da mulher e a importância desta, numa relação de igualdade e oportunidade para com os homens. É um percurso que tem de ser feito, com segurança, como a Igreja sempre diz, mas, sobretudo, com muito sentido de responder as questões fundamentais do homem.

Casado, tem uma filha de 28 anos que está, neste momento, a viver em Londres. 

Sim. Formou-se em História de Arte e terminou o curso na altura da Troika, onde houve mesmo algum incentivo do anterior Governo para os jovens emigrarem e, naturalmente, foi com muita pena que vi a minha filha sair daqui. 

Agora tem uma vida amorosa lá e prevejo que o retorno seja mais difícil. 

Esta distância afeta?

Naturalmente que esta situação acaba por nos afetar muito. Apesar dos meios tecnológicos e do contacto, quase permanente que temos, gostaríamos muito que ela estivesse próxima.

Mas, de qualquer forma, esta situação concreta, leva-me, tanto a mim, como à minha esposa, a ter uma perceção daquilo que é a realidade da nossa emigração e da nossa diáspora, totalmente diferente do passado. Este é um tema central na vida dos portugueses, porque sendo nós um país de emigração temos, de facto, esta relação com a nossa diáspora que, muitas vezes, não é tão sadia como gostaríamos que fosse.

Portanto, esta situação da minha filha leva-me a ter uma visão diferente daquilo que é a nossa emigração e do grande respeito que tenho pelo trabalho que essas pessoas fazem. 

Vai a Londres, muitas vezes, matar saudades?

Infelizmente, fruto da minha atividade, ela vem mais vezes cá do que eu lá. Vou algumas vezes, por exemplo, as minhas férias, este ano, foram em Inglaterra para puder estar com ela; e vai havendo aqui alguma permuta para que haja aqui algumas vezes por ano para nos encontrarmos.

E a sua esposa. Como a conheceu?

Conheci a minha esposa, aqui, em Viana do Castelo. Também ela tinha vindo de Angola, na altura da independência e dos conflitos que houve.

Conheci-a no Liceu, engraçamos um com o outro e, entendemos, fazer o percurso comum (risos).

Ela é psicóloga e, atualmente, é professora na Universidade do Minho. Já estamos juntos há cerca de 32 anos.

JOSÉ MARIA COSTA :: 'A defesa dos estaleiros navais foi o período mais crítico da minha vida'

O que mudou na sua vida desde que chefia o Município?

Desde que entrei na vida política tentei manter o mesmo padrão de vida que tinha. Nunca me subiu nada à cabeça. Acho que a nossa participação deve ser entendida com um serviço público e tem sido sempre essa a minha preocupação. Procurei estar nos locais sem nunca esquecer de onde vim. Sem nunca deixar de falar aos amigos, sem nunca deixar de ir aos locais que ia, mas, naturalmente, a própria exigência da vida política e a forma como eu a entendo leva-me a exagerar no que é a minha dedicação em prejuízo daquilo que é a minha vida familiar e, até, na minha relação com os amigos.

Tenho muita pouca disponibilidade, porque tenho os fins-de-semana quase sempre ocupados e, nesse sentido, a minha relação de sociabilidade com os amigos foi-se, infelizmente, diluindo ao longo do tempo.

A minha mulher costuma brincar comigo e diz que quando eu não tenho nenhum fim-de-semana ocupado, nem sei o que fazer, porque não estou habituado a ter tempo livre. (risos)

Mas gosto de passear, gosto de ler livros e revistas, compro muita coisa e vou dando uma vista de olhos às publicações que vou adquirindo. Muitas delas em viagens, onde compro muitas revistas para depois ler. 

Quanto ao passear, vou muitas vezes à Galiza, e, também, ao interior do país. Faço, quando possível, umas escapadelas com a minha mulher para descansar.

“Amigos acho que ganhei alguns, mas temos de perceber que quando estamos na vida política, muitas vezes, há relações de conveniência. Temos de ser claros nisto”.

Esta exposição pública fez com que ganhasse ou perdesse amigos?

Fez-me perder, porventura, relacionamento com amigos. Eu acho que as amizades não se perdem.

Amigos também acho que ganhei alguns, mas temos de perceber que quando estamos na vida política, muitas vezes, há relações de conveniência. Temos de ser claros nisto.

Mas os verdadeiros amigos não se perdem. Podemos é não ter o contacto frequente, mas eles estão lá quando precisamos deles.

Mas também não seria justo dizer que não ganhei novos amigos na política. Acho que a vida política nos dá uma visão muito alargada daquilo que é a nossa presença no mundo e contactos com pessoas fantásticas que, de outra forma, nunca teríamos conhecido.

Conheci personalidades muito importantes que me marcaram e que, naturalmente, ficam como uma grande referência.

Por exemplo, António Guterres, quando se teve o privilégio de privar com o D. Mário Soares ou falar e conhecer o Edgar Morin, uma grande figura internacional; portanto, diria que se não fosse esta vida política, possivelmente, não teria possibilidades de contactar com estas personalidades. 

E, até, os contactos que temos com as instituições europeias da qual faço parte dá-nos, de facto, um grande enriquecimento profissional e pessoal, sabendo que, depois, existe a outra parte que vamos perdendo, porque o tempo é curto e a vida familiar e a relação com os amigos acabam bastante prejudicadas. 

Que vida pública costuma fazer? Vai ao cinema, ao café?

Não vou ao cinema tantas vezes como gostaria. Mas, enfim, tenho as minhas rotinas normais, tenho o café onde costumo ir; nem sempre diariamente, mas quase sempre.

Mas deixei de passar os quatro ou cinco dias que tenho de férias, por ano, em Viana, e tento refugiar-me um pouco, em locais onde não haja muita confusão. 

Depois tenho um problema. A minha mulher não gosta de fazer compras comigo. Porque quando entro num supermercado, fico logo à porta, porque aparece alguém para conversar e, portanto, tenho esse problema.

Mas é normal essa relação, porque um autarca está 24 horas por dia, 365 por ano, sempre ao serviço dos cidadãos.

Só desligo o telemóvel quando ando de avião.

Mas quando vai de férias, o que gosta de fazer?

Gosto muito de visitar cidades e museus. Normalmente vou de férias depois das Festas da Agonia, aproveitando o facto da minha esposa ser professora e só ter férias em Agosto. Normalmente vou descansar, para um local calmo, e, depois, aproveito para visitar e conhecer outros locais.

JOSÉ MARIA COSTA :: 'A defesa dos estaleiros navais foi o período mais crítico da minha vida'

Gosta de ser presidente da Câmara?

Gosto muito daquilo que faço. E acho que, para quem não gostar da vida autárquica, isto deve ser um pesadelo. Porque, de facto, é uma vida muito exigente.

Eu entro aqui, normalmente, às 8h30 e sou dos últimos a sair, quase sempre depois das 20h00, 20h30. E com uma vida com muitas reuniões, muitas deslocações. Mas faz parte, gosto daquilo que faço, sinto-me bem e enquanto sentir que estou a ser útil, procurarei fazer o melhor que sei e que posso, sempre com critério, com sentido de justiça, embora nem sempre acerte, mas, pelo menos, tenho a consciência de que não faço as coisas premeditadas ou para prejudicar alguém. Faço com sentido daquilo que é o interesse público.

Considera-se exigente e autoritário ou tolerante com as pessoas que trabalham consigo?

Tenho as duas vertentes. De manhã, quando chego, e como durmo pouco, chego muito stressado para fazer muitas coisas ao mesmo tempo e, portanto, o meu gabinete, de manhã, é um rodopio de pessoas. Outras vezes sou um pouco impulsivo, mas depois as coisas passam-me; portanto, eu diria que tenho uma mistura das duas, tolerância e exigência. 

Do que é que mais gosta em Viana do Castelo?

Gosto de tudo. Uma das coisas que me dá muito gosto é quando entramos na cidade, tanto pela Ponte Eiffel, como pela nova, e vemos esta silhueta de Viana. A gente relaxa. Viana do Castelo é uma cidade única, do ponto de vista do seu enquadramento natural, e acho que fomos bafejados pelos deuses. E gosto, a cima de tudo, por sermos uma cidade média, onde é possível andar pela rua, com segurança, onde conhecemos as pessoas, os locais dizem-nos sempre alguma coisa e não nos sentimos anónimos. E essa é uma vertente importante. Diria que é uma cidade muito convivial, onde as pessoas se conhecem e ainda há muita cumplicidade do ponto de vista da cidadania. Isso faz com que as pessoas se sintam em casa. Portanto, se não é a mais bonita de Portugal, é das mais bonitas.

Há algum local especial para si?

Há um local mítico que acho que tem a ver com todos nós que é Santa Luzia. Quando chegamos lá à cima, por mais preocupações que uma pessoa tenha, por mais chatices que existam, olhando para aquela paisagem fabulosa e para aquela imensidão da natureza, tudo passa. Muitas vezes vou lá para pensar na vida e naquilo que tenho de fazer.

E o que é que gostava de mudar em Viana do Castelo?

Gostava que a cidade fosse, do ponto de vista social, mais solidária, mais coesa, porque temos de ter a noção que ainda existem algumas fraturas sociais, problemas de pobreza que, naturalmente, gostava que não existissem. Aquilo que procuro, na minha atividade, é encontrar caminhos para que a cidade seja cada vez mais atrativa e sustentável do ponto de vista económica e, assim, fixar os nossos jovens. 

Neste momento, tem algum livro de cabeceira?

Se for a minha casa vê montes de livros, mas tenho de ser honesto e dizer que livros não tenho lido. Leio mais revistas do que propriamente livros, até porque não tenho muito tempo. No entanto, quando vou de férias, aí, sim, levo um livro para ler.

“ainda não sei para onde vou, mas sei que não vou ter nada a ver com a vida autárquica”

Tem algumas superstição?

Nenhuma.

E de comida. É amante? 

Acho que, com a idade, vamos gostando cada vez mais de comer. Gosto de quase tudo; só não gosto de raia.

Gosto muito de cabrito, de robalo e de peixe em geral. 

O Natal é importante para si?

Na minha infância, o Natal tinha um peso muito grande. Era uma festa da família, muito vivida e em Moçambique era um Natal muito familiar. Por isso, dou um grande valor ao Natal. Sempre me habituei a ter o presépio. Para mim, a árvore de Natal é um pouco secundária, dou mais valor ao presépio e simboliza muito a minha infância. É um tempo especial, um tempo de reflexão, onde aproveitamos para pensar na vida e naquilo que temos pela frente. E é sempre passado em família.

Qual o momento mais marcante da sua vida política?

Tive momentos muito fortes na minha vida política, que me marcaram e que tiveram um significado muito grande para mim, e acima de tudo, pelo meu envolvimento pessoal. 

Não nego que a questão da defesa dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo foi, porventura, o período mais crítico e mais difícil da minha vida. Muitas vezes me questionei sobre aquilo que estava a fazer. Se estava a fazer bem ou não. Mas procurei, sempre, seguir a minha consciência em todo o processo. Mas foi, de facto, um período muito complexo, difícil, de uma grande exigência pessoal, familiar e política, correndo muito riscos, dos quais não me arrependo.

Em 2022 termina o seu mandato e não se pode recandidatar. Já sabe o que vai fazer?

É verdade. Daqui a dois anos terminarei a minha missão enquanto autarca e há uma coisa que sei. Como diz o poema: “Não sei para onde vou, mas sei que não vou por aí”.

Eu digo: ainda não sei para onde vou, mas sei que não vou ter nada a ver com a vida autárquica. Ou seja, farei um corte, total e absoluto, com a vida autárquica, até porque há exemplos anteriores, não só em Viana, mas também noutros concelhos, que deram sempre mau resultado. Por isso, há uma coisa que sei que não vou fazer – vida política autárquica. Agora o futuro a Deus pertence. Tenho alguns pensamentos, mas ainda não decidi. 

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