JSD: A POLÍTICA DE AMANHÃ NAS GERAÇÕES DE HOJE

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Decorrente da necessidade de caracterizar o processo de construção política da JSD, destinarei este artigo à juventude e à sua ação coletiva, desconstruindo preconceitos e cimentando pilares da democracia moderna. Assim:

1. Importa, antes de tudo e como em tudo, entender a razão da política ativa, partidária e de juventude. A ação política, o fazer política, jaz em cada um e em cada passo que damos em sociedade: o pensamento comunitário que manifestamos, a discussão (de café ou de banco de jardim) que fazemos em torno das opções estruturais que afetam o coletivo, é tudo política em democracia. Uns fazem-na melhor, pensando no bem comum, outros menos bem, “narcisando”.

2. Sobre a juventude e a intervenção política, prolifera erradamente a conceção de incompatibilidade entre ambos. No meu entender, o que hoje temos é uma geração fundamentadamente descrente e ideologicamente revoltada com a demagogia política, enfadada da moralidade de sarjeta e destruída pela governação míope e eleitoralista.

Não duvidemos que a descrença na democracia partidária a afastou dos atos eleitorais;

não duvidemos que o desinteresse, o cepticismo e a insatisfação não reativa constituem a mais perigosa ameaça da democracia;

e não duvidemos que é neste contexto que as juventudes partidárias assumem especial relevância, constituindo-se como a voz dos jovens nos partidos e, fundamentalmente, a voz da juventude na democracia pluripartidária vigente em Portugal.

3. Revelou-se sistémico e profundamente odioso o modo como a política portuguesa evoluiu na dimensão da comunicação, em detrimento do conteúdo que devemos relevar sempre. Privilegiar a forma em prejuízo da substância é um pecado capital em Democracia, é exercê-la pelo pior que lhe reconheço, é potenciar as imperfeições do melhor sistema político que a Humanidade conheceu. Sobre a matriz ideológica do PSD, podem dizer o contrário todos os dias e em todos os fóruns que não a afetarão: o PSD é um Partido de matriz social-democrata e liberal político. Não, não é fascista, não é defensor dos ricos em detrimento dos oprimidos, ou, mais recentemente, operário alemão na península. Do primeiro programa político do PSD, à data Partido Popular Democrático – PPD, datado de Novembro de 1974, retiro uma citação que em tudo é definidora e intemporal: “… propõe a todos os portugueses uma nova ordem da sociedade, em que cada indivíduo possa realizar-se como pessoa na liberdade, na igualdade e na justiça, em solidariedade com todos os homens, participando democraticamente na vida política, económica e cultural da Nação e da Humanidade.”

4. Finalmente, a JSD. Seria presunção falar da JSD per si, focar-me-ei apenas no que queremos dela, na linha do que revejo ser a atuação das juventudes partidárias: queremos que os jovens vejam a JSD como espaço privilegiado para a discussão política aberta e não dogmática, da mesma forma que olham para as associações desportivas ou culturais no desenvolvimento das suas atividades; queremos que nela construam e pugnem pelas suas causas geracionais, regionais ou nacionais, começando pela própria reforma do sistema político; e queremos que a sociedade encontre nela uma ferramenta de ação política na construção de mais e melhor democracia.

Este é o desafio. Estará a ser correspondido? Todos somos culpados, todos somos a solução.

António Teixeira Rodrigues
Presidente da JSD Alto Minho

António Rodrigues

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