KRISÁLIDA apresenta ‘PLASTIKUS’ :: “Por que nos andamos a plastificar”

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Foi no belíssimo Teatro Valadares, em Caminha – “casa” da Krisálida – que espreitamos os ensaios da próxima peça desta companhia de Teatro, que está prestes a estrear. Carla Magalhães a diretora artística desta Associação Cultural do Alto Minho contou-nos como surgiu esta companhia.

A Krisálida foi criada em 2014 com o intuito de trabalhar as expressões do Teatro no concelho de Caminha. Não existia, até então, uma companhia de teatro profissional e, portanto, seria interessante essa criação.

“Fizemos um plano de atividades que foi apresentado ao executivo da época e depois de várias reuniões chegamos a um protocolo de colaboração cultural, para levar o teatro às freguesias. A ideia era descentralizar e criar espetáculos profissionais, com qualidade artística e que falassem de temas importantes. Esse foi o nosso primeiro propósito.

Depois, quisemos, também, trabalhar em termos pedagógicos e alargamos às escolas.  Começamos, então, a levar o Teatro às escolas de Caminha – pré-escolar e 1.ºciclo –“ explicou.

“Esta companhia, em primeiro lugar, leva cultura às pessoas, mas o facto de levarmos o nome de Caminha para fora também é muito importante para a vila.  Por que, por exemplo, quando fazemos 10 espetáculos entre Silves e São Bartolomeu de Messines – como aconteceu no ano passado – as pessoas ficam a saber que existe uma companhia profissional de Teatro em Caminha. E isso deve ser um motivo de orgulho para todos os caminhenses e para o concelho”.

Neste momento a companhia conta com três pessoas a tempo inteiro, duas a tempo parcial e vários colaboradores, que vão trabalhando à peça ou por projeto.

Este ano, a Krisálida foi financiada pelo Ministério da Cultura através da DGARTES, no projeto Plastikus.

Plastikus é a peça que está a ser desenvolvida e Carla Magalhães é, também, atriz, juntamente, com outros dois atores, Joana Vilar e Nuno Loureiro.

“Quando a instituição Ministério da Cultura valida um projeto por nós apresentado, financiando-o, só nos dá motivos de contentamento e assim percebemos que estamos no bom caminho” confessa.

KRISÁLIDA apresenta 'PLASTIKUS' :: "Por que nos andamos a plastificar"

A subsistência de uma companhia

Como todas as companhias de teatro esta não foge à regra e é gerida com muita dificuldade.

“A única fonte de rendimento que temos, para além da cota dos sócios que, como todos sabem, nas associações, não fazem subsistir, é o protocolo de colaboração cultural com o município de Caminha. Trata-se de um subsídio que nos permite desenvolver o nosso plano de atividades que, como já foi referido, passa por levar o Teatro às freguesias, às escolas e um terceiro projeto que é a Festa da Marioneta Luso-Galaica, que se realiza no primeiro fim-de-semana de dezembro.

Depois, os espetáculos podem circular por outros municípios, sendo que o valor de bilheteira também é uma receita e, nas paragens letivas, temos as oficinas de teatro, para crianças e para adultos” conta.

Criação de público

Carla Magalhães acredita que ao longo deste anos tem vindo a criar um público.

“Como não havia uma companhia profissional, o teatro que havia em Caminha era pontual e quando as pessoas não tem hábitos de ir ao Teatro é preciso incuti-los.

Penso que ao longo destes mais de 4 anos já criamos o nosso próprio público. E quando vamos as freguesias vemos isso. Há espetáculos onde vemos que as pessoas repetem e voltam a estar presentes. Isso significa que já temos um público que nos é fiel.

A Krisálida quer sempre trabalhar sobre temas que nos perturbam e que consideramos ser importantes falar. Por exemplo, o Plastikus trata a problemática do lixo marítimo.

Este projeto vai ter dois espetáculos, um para adultos e outro uma para crianças, que estreia no próximo dia 21 de março, no Teatro Valadares, em Caminha”.

KRISÁLIDA apresenta 'PLASTIKUS' :: "Por que nos andamos a plastificar"

A profissão

“A profissão de ator ainda é vista como um passatempo, um hobbie, e não como uma profissão séria. Os atores continuam a ser intermitentes e continuam, apesar de algumas melhorias, a sentir que esta não é uma profissão de segurança. Depois o subfinanciamento que as companhias recebem – ou deixam de receber – é muito curto visto que o Ministério da Cultura não apoia o Teatro de uma forma suficiente.

A Krisálida tem um protoloco de colaboração com a Câmara de Caminha, mas, de facto, somos uma Associação Cultural do Alto Minho e queremos trabalhar em toda a região sendo que o foco é, evidentemente, este concelho”.

As oficinas

“O objetivo não é que as pessoas que vão ao teatro ou façam parte das oficinas, venham a ser atores. “Queremos é que eles venham a ser público de Teatro. Isso é muito importante. E que sejam criativos, desinibidos, e capazes de falar para uma plateia sem inibições, que cresçam em termos pessoais e que sejam, sobretudo, espectadores de teatro. Não estamos a criar atores. Se isso acontecer, ótimo, mas não é essa a nossa missão.

As oficinas de teatro são para crianças dos 6 aos 12 anos. Chegamos a ter oficinas para adolescentes, mas essa faixa etária não procura muito estas atividades.

Depois também temos oficinas para adultos onde chegamos a ter uma senhora com mais de 70 anos a fazer Teatro connosco”.

Os ensaios

“Infelizmente, não temos um local próprio para ensaiar. Podemos ensaiar no Valadares, ou no cineteatro dos Bombeiros de Vila Praia de Âncora, mas se houver atividades ou espetáculos nesses espaços, temos de retirar todo o cenário. O que conseguimos foi a cedência de uma sala de ensaios, em Viana do Castelo, no salão dos Bombeiros Voluntários.

No entanto, todas as produções são estreadas aqui, neste palco, do Teatro Valadares, e nesse sentido, na reta final, antes da estreia, ensaiamos sempre aqui. Entretanto, estamos em negociações com a autarquia para tentarmos ter um espaço só nosso que nos permita ensaiar”.

O Futuro

“No futuro esperamos continuar este crescimento, e o facto de  termos sido reconhecidos pelo Ministério só me faz acreditar que possamos ter mais apoios no futuro, e portanto, queremos crescer, e poder ter uma equipa permanente que nos permita fazer outros tipos de trabalho e estarmos mais presentes noutros eventos”.

KRISÁLIDA apresenta 'PLASTIKUS' :: "Por que nos andamos a plastificar"

Plastik + us

O projeto Plastikus não passa só por fazer espetáculos de Teatro.

“Plastikus passa por sensibilizar as pessoas para esta temática em particular. Nesse sentido, temos um conjunto de ações e desafios que lançamos à comunidade escolar para que eles pensem no que podemos fazer com o plástico que produzimos. Esse plástico descartável que vai parar ao mar e que nos está a plastificar”.

“O nome do espetáculo demonstra que, de facto, nós andamos a plastificar-nos. Por que quando os plásticos vão ter ao mar e se transformam em microplásticos, e depois, são comidos pelos peixes que mais tarde vão ser comidos por nós, significa que nós estamos a comer o plástico que foi parar ao mar”.

“Quem está a ser plastificado é o ser humano e enquanto não percebermos que isto é um problema muito, mas muito sério, vamos continuar a lidar com ele. Nós não queremos acabar com o plástico, porque ele faz falta, mas queremos que todos nos consciencializemos que podemos, pelo menos, diminuir este plástico descartável. Por que eu posso substituir um saco de plástico por um de pano e já estamos a fazer algo”.

A peça vai estrear a 21 de março, especificamente, por ser o Dia Mundial da Marioneta. E como o espetáculo é com marionetas a data foi escolhida, propositadamente.

Clara Ribeiro é a encenadora deste projeto (Plastikus) e faz parte da Companhia de Teatro e Marionetas de Mandrágora, onde é diretora artística. À VALE MAIS explicou em que consiste esta peça.

“O projeto aborda a problemática do plástico nos oceanos e a partir daí fomos criando uma dramaturgia. A personagem principal da peça atravessa uma época onde não havia plástico, depois a surgimento deste como objeto utilitário e chega ao momento que encontramos inundados de plástico e praticamente plastificados.

Como nós já tínhamos alguns projetos ligados a esta problemática do ambiente e por que temos a valência da componente das marionetas, unindo estes factos, a Krisálida convidou-nos para fazermos a direção artística deste projeto, até por que, um espetáculo de marionetas cria uma linguagem artística muito própria”.

Joana Vilar é uma das atrizes deste projeto e é a primeira vez que trabalha com marionetas.

“Foi um bom desafio. O facto de ser uma temática tão importante e atual foi uma das razões que me fez aceitar este convite. Acabei a formação no Balleteatro do Porto há cerca de 4 anos, tenho trabalhado em Associações Culturais, participo em contexto de teatro amador e esta é a primeira vez que faço espetáculos no Alto Minho”.

Licenciada em Gestão Artística e Corporal Joana desempenha, nesta peça, vários papéis. Começo como manipuladora da marioneta em fase jovem. Depois também manipulo outros animais (marionetas).

O outro ator desta encenação é Nuno José Loureiro.

Licenciado em estudos teatrais pela Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Porto, começou na Krisálida com a peça Piolhos e Atores, não como ator mas como músico.

Para ele, Plastikus requer um trabalho diferente e específico que é o de manipulador de marionetas.

Também ele é manipulador de animais e depois representa, não uma personagem, mas um conceito/ideia que introduz os plásticos à personagem principal desta peça.

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