LEITORES PARA SEMPRE

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Começámos o ano de 2016 com um acontecimento nacional que merece ser evidenciado: o Centenário de Nascimento do Escritor Vergílio Ferreira. Natural de Melo, Gouveia, onde nasceu em 28 de janeiro de 1916, foi galardoado com várias distinções, entre as quais, o Prémio Camões, em 1992.

O autor de “Para Sempre” será rememorado na sua terra natal durante o presente ano, localidade onde já existe uma Biblioteca que ostenta o seu nome.

Também a Universidade de Évora, que criou, em 1997, o Prémio Literário Vergílio Ferreira, se associa à efeméride, com um vasto programa reflexivo.

Em ano de homenagem, a reedição das suas obras, algumas das quais foram adaptadas ao cinema e encenadas no teatro, faz parte do conjunto de iniciativas editoriais preconizadas.

Conforme se recordarão, “Aparição” (de capa amarela) surgia como leitura obrigatória no ensino secundário, na área de Humanidades, e, por essa via, constituía uma porta de entrada para a extensa obra vergiliana.

No tempo fragmentário das novas tecnologias, refira-se que Vergílio Ferreira é um escritor para ler devagar. Como, aliás, deveria ser toda a boa leitura. Mais do que a estrutura narrativa, o escritor de origem beirã prende-nos pelo culto da forma aliada a um pensamento inovador e profundo. Há um tema central – e intemporal – nos seus livros: o mistério e o esplendor da existência humana, simultaneamente bela e trágica. Porque confrontada com a finitude.

A par do pendor filosófico presente na produção diarística, contista, e romanesca, há na sua escrita passagens de um lirismo quase perfeito, que nos obriga a respirar e, para os amantes da Literatura, entendida como uma forma de arte, a vários sublinhados.

Na Feira do Livro de Lisboa, em pleno Parque Eduardo VII, ao som de “No woman no cry”, fui completando os grandes romances do escritor depois do impacto que “Em Nome da Terra” havia provocado em mim.

O melhor tributo que podemos prestar, no âmbito do Centenário de Nascimento de Vergílio Ferreira, é (re)ler a sua obra. Numa breve pesquisa, percebi, com agrado, que vários livros constam do Plano Nacional de Leitura.

Procurando contribuir humildemente para o reavivar da palavra escrita, deixo aqui, aos meus leitores, um pequeno excerto de “Para Sempre”, editado em 1983: (…)“Está uma tarde quente. A montanha à minha direita, desdobrada na sua aridez, o sol requeima-a de maldição. À esquerda, o vale. E soerguidas um pouco, na cor violácea da distância, na encosta de outros montes, cintilando breves em brancura, indistintos sinais de aldeias imaginárias como ecos de um grito. Vem pela montanha esse grito, vem das origens do mundo. Ouço-o palidamente. De longe em longe, brancas manchas de aldeias. São as pegadas do homem”.

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