Pesca no ALto Minho: Lembrança dos Roazes no Minho

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foto // Direitos reservados

As toninhas foram pescadas em Lanhelas e chegavam até Tui.

Pela foz do rio Minho penetravam os delfins que eram perseguidos pelos pescadores, culpados de quebrar os aparelhos de pesca. Na presente época os golfinhos gozam de estimação, uma amizade que virou o escasso apreço do passado.

Pinho Leal, em Portugal Antigo e Moderno, uma monumental obra de 1880, conta para Lanhelas que “tinha o povo d’esta freguesia o privilégio de não ir às montarias, sob a condição de perseguir os arroazes (roazes), que são uns peixes muito daninhos no Minho”.

Os vizinhos de Lanhelas chamam toninha ao roaz, que “entravam no rio, quando o rio tinha pesca”. Ainda lembram os maiores escutar que se pescavam toninhas, e que os moços do lugar não iam servir na armada portuguesa.

Mais próximo é o relato de Eliseo Alonso, investigador natural de Tomiño, que escreve cem anos depois de Pinho Leal, e refere que o delfim, também nomeado como arroaz e porco de mar, entra no estuário perseguindo outros peixes e dando pinchos. Destaca que destrói as redes que têm peixe. Recolhe que, segundo dizem, chegava até Tui, sendo avistados em Goián pelos anos trinta ou quarenta do século XX. A persecução do roaz e outros delfinídeos é pouco conhecida no rio Minho, mas está estudada nas rias galegas. Mesmo em Pontevedra chegaram a fazer cruéis corridas de golfinhos até o século XIX. Também pela Europa se massacram, especialmente na França, e segue a pesca do delfim na atualidade, no Japão.

Com certeza os delfins destroem as redes dos pescadores, aquela acusação tão repetida é adequada. Assim são pescadas com arpões e com armas de fogo as espécies de mamíferos marinhos que se aproximam à costa. A escassez de peixe tem um culpado para os pescadores e para as autoridades da época: o golfinho. Na mentalidade medieval e moderna os roazes devem ser eliminados, como depredadores e como responsáveis da fugida dos bancos de pesca, foram assim perseguidos na nossa área cultural. Pelo outro lado, os mesmos delfins são um peixe de estimação em outras regiões, pois ajudam na pesca, marcando a localização dos cardumes.

As valorizações mudam com o tempo. Hoje os delfins têm estimação e representam mesmo um dos ícones da proteção do meio natural e da relação dos humanos com os outros habitantes dos mares. Um exemplo a considerar de mudança cultural, pois as tradições do passado precisam ser lembradas muitas vezes para não reproduzir erros da nossa história recente.

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