Linha do Minho

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Linha do Minho

A cerimónia de consignação da empreitada de eletrificação do troço Viana do Castelo – Valença da Linha do Minho, foi marcante, pelo ato em si, pela concretização de um investimento essencial para a região, mas acima de tudo, pelo simbolismo que acarreta.

Da quase extinta ligação a Vigo, chegou mesmo a ser interrompida por um tempo, a possibilidade de termos uma ligação de qualidade e competitiva entre Vigo e o resto do país, inclusive até Faro, foi um enorme salto que se deu. Importa  agora concluir o troço que falta na Galiza, para podermos ter a ligação a Vigo e através do AVE (Comboio de Alta Velocidade) espanhol à Europa.

Os ambiciosos objetivos de redução de emissões de CO2 (30% até 2030) que Bruxelas se prepara para legislar têm de ser acompanhados pelo investimento público em infraestruturas que reduzam o transporte rodoviário. Somente 4% das mercadorias para Espanha são movimentadas por via ferroviária, pelo que facilmente se percebe que há aqui uma enorme oportunidade, até porque a rede rodoviária pode perder competitividade e os custos energéticos e ambientais têm um peso crescente.

Está previsto que venha a haver a curto prazo, barreiras muito fortes à passagem de transportes rodoviários pesados pelo País Basco e limitações às horas de condução em alguns países Europeus.

O escoamento de mercadorias portuguesas para o resto da Europa poderá ficar comprometido, se não houver, entretanto, uma aposta forte no transporte ferroviário. Portugal deve fazer um esforço de investimento anual na ordem dos €1000 milhões na ferrovia para não ficar isolado da Europa. Em números redondos, serão €600 milhões do Orçamento do Estado mais €400 milhões do orçamento europeu, entre fundos comunitários do Portugal 2030 e fundos do Mecanismo Interligar Europa (CEF).

Linha do Minho
© Arménio Belo

Devem servir para o país investir sobretudo na construção da nova rede em bitola europeia (com carris que distam entre si 1435 mm) e na segurança da rede existente em bitola ibérica (1668 mm), para evitar descarrilamentos e substituir carruagens obsoletas. As contas são de Mário Lopes, professor do Instituto Superior Técnico, que tem trabalhado no tema da ferrovia com o Conselho da Indústria Portuguesa da CIP. O próximo quadro comunitário deve reservar entre 2,5 a €3,5 mil milhões para a ferrovia pois o PNI 2030 “é a última oportunidade para corrigir os erros do passado”.

Não fora o papel interventivo dos agentes locais, de um e outro lado da fronteira, a ligação teria caído, provavelmente também já teria sido encerrada a ligação de Viana do Castelo a Valença. Obviamente, os autarcas e membros do governo envolvidos foram determinantes, mas não nos podemos esquecer do papel interventivo das Associações Empresariais transfronteiriças. Recordo que, para chamar a atenção do atentado, à cooperação transfronteiriça que estava praticamente consumado, as Associações Empresariais chegaram num movimento simbólico a parar a o trânsito na ponte Eiffel de Valença. É justo, na hora das comemorações, ressaltar o papel que as Associações Empresariais têm tido na defesa intransigente dos valores da região. O que em tempos foi designado de Linha do Minho e Ramal de Braga e agora se pode designar de Linha de Braga, Ramal do Minho, poderá finalmente de pleno direito, concluídas as obras adjudicadas, voltar a ostentar com propriedade a designação original, isto é, de Linha do Minho.

Ainda não estamos satisfeitos, para além do Porto de Mar, das portagens, impõem-se concluir a A28 até Valença, como reclamava o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Valença aquando da cerimónia da adjudicação da empreitada da ferrovia, em presença do Ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Dr. Pedro Marques, afirmando “ser necessário dar conclusão a uma via que acaba no meio do nada, no monte , e serve muito poucos, e depois recondicionar toda a ligação às vilas de  Monção e Melgaço”.

Os meus parabéns pessoais, ao Dr. Jorge Mendes, ilustre autarca de Valença, que no meio da festa, onde ficava bem um discurso de agradecimento, soube pôr o dedo na ferida e reclamar no meio das palmas, a conclusão do traçado da A28. Tenho consciência, pelo que conheço do seu caráter, que fosse o governo do seu partido, o faria igualmente. Precisamos no Alto Minho de vozes inconformadas, independentes da agenda política nacional, ou outras quaisquer agendas, mas sim dependentes da defesa intransigente das pessoas e do território Alto Minhoto.

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