Locus Cinemae – Cinéfilos por mera paixão à arte

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Locus Cinemae - Cinéfilos por mera paixão à arte

Locus Cinemae – Cinéfilos por mera paixão à arte. Locus Cinemae (lugar do cinema) é o nome que um grupo de caminhenses, amantes da sétima arte, entenderam atribuir à associação cineclubista da vila da foz do Minho que fundaram em julho de 2011. Com atividade regular desde então, atinge, neste mês de junho, a 400ª projeção, com “Um assassino pelas costas”, de Steven Spilelberg.

Artur Villares, o presidente da Direção, é um dos fundadores com quem a VALE MAIS se encontrou para falar de cinema e da atividade da instituição cujas projeções, decorrem, maioritariamente, no auditório municipal.

“Desde o início que o nosso objetivo foi o de criar um espaço, dentro da boa tradição cineclubista que existe em Portugal, de valorizar o cinema clássico e dar ênfase aos grandes períodos da história do cinema clássico, das décadas do cinema mudo, inclusive, anos 30 a 50, do cinema norte-americano, do europeu ou do japonês. Mas também há programação de outras áreas e de outros continentes”, começa por nos referir.

“Logo nos primeiros anos, fizemos workshops, abertos a sócios e não sócios, na área da linguagem do cinema e dos géneros cinematográficos. Há, ainda, uma característica que tentamos manter; a de, no início de cada sessão, fazermos uma introdução, contextualizando a obra, caracterizando-a em termos de género e época e de análise do próprio filme. Também distribuímos um boletim semanal e temos o site. Os objetivos passam, pois, por também se fazer alguma didática sobre o cinema, enquanto arte. Nesse sentido, há uma estrutura de ciclos temáticos que cumprimos, mais ou menos, mensalmente”.

Locus Cinemae - Cinéfilos por mera paixão à arte

ALTO MINHO E GALIZA

Explicando: “Em agosto, desde o início, que temos uma programação paralela à programação regular (que é semanal) que se chama Cinema + Perto, às 6ªs feiras à noite. Optamos por esse mês, Já que nele Caminha tem uma particular presença de pessoas de todo o país e também do estrangeiro. Com filmes dedicados a temáticas da área do Alto Minho, produzidos por realizadores locais ou relacionados com o Alto Minho e com a Galiza. “

O Locus Cinemae ainda não tem produção própria, mas identifica, todos os anos, neste âmbito, obras de realizadores que estejam relacionados com a região. ”Estamos a falar não só de documentários, mas também de ficção e com os quais também temos colaborado, associações do lado da Galiza, nomeadamente com a projeção anual de obras que são apresentadas no Festival de Cans (curtas-metragens) e, também, com o DOC Festival de Tui. Vamos iniciar este ano também a projeção e outra colaboração com realizadores independentes da Galiza.”

ESCOLA E BIBLIOTECA

Em algumas datas, efemérides e comemorações, o Locus Cinemae tem desenvolvido, ainda, colaboração com o Plano de Cinema da Escola Básica e Secundária Sidónio Pais (Caminha), De igual modo, com instituições locais, designadamente a Biblioteca Municipal de Caminha. “Tem havido algumas efemérides em que tentamos enquadrar a nossa programação com a atividade da Biblioteca. Municipal. “Às vezes, é-nos pedido que coordenemos com determinada iniciativa. Ainda recentemente sucedeu com um livro relacionado com cinema. Coordenamos-o com o filme Match Point (projeção no auditório do museu) que tem relação com a apresentação do mesmo”, observa Artur Villares.

Este dá nota, ainda, do apoio da Câmara Municipal com a cedência, além do auditório municipal, do Teatro Valladares para determinado tipo de programação, nomeadamente em agosto, face a uma maior procura de público e à própria qualidade da projeção.

GRATUITIDADE PARA TODOS

As sessões são abertas e gratuitas, independentemente de ser ou não associado. A vantagem em o ser é “existencial”. “Obviamente que necessitamos do apoio de associados e, naturalmente, das suas quotas. Mas é um ponto de honra a manutenção dessa abertura e gratuitidade do acesso. Pretendemos, de facto, manter totalmente esta ideia de uma associação cultural sem fins lucrativos e que funciona exclusivamente por paixão a uma arte, neste caso, ao cinema.”

O Locus Cinemae tem perto de sete dezenas de associados.  “Funcionamos com base em despesas muito básicas e que são mantidas pelo apoio das quotas dos associados e da própria boa vontade e voluntarismo dos dirigentes do cineclube. Estamos, de facto, tranquilos. Não temos qualquer queixa, funcionamos por mero gosto.”

Locus Cinemae - Cinéfilos por mera paixão à arte

FUTURO

Relativamente ao futuro, o presidente do Locus Cinemae é prudente, ao considerar que “temos de dar passos muito seguros e não vale a pena estar com uma grande apresentação de projetos ambiciosos que, depois, não têm qualquer possibilidade de serem postos em prática. A alma do nosso cineclube é a permanência da projeção de bom cinema, semanalmente, aqui em Caminha. A parti daqui, o desiderato é o aprofundamento das relações com a Galiza. Vamos continuar a aprofundar este projeto anual do ponto de vista da projeção, mas não só; quando vêm representantes da Galiza, os organizadores dos festivais de Cans e Tui, temos sempre períodos de diálogo e realizadores que falam com o público.

“A partir desta base e destes objetivos, pretendemos, mais adiante, sem puder adiantar nada de mais concreto…  organizar uma iniciativa mais vasta e pública, mas que tenha condições, depois, de ter periocidade regular. Por isso, queremos dar um passo tranquilo de cada vez. Mas com a ambição de organizar aqui uma iniciativa na área do cinema que tenha impacto nacional e internacional”, dá-nos conta Artur Villares. Já quanto a produção própria, “está sempre como objetivo, mas não temos nada definido nessa área”.

CINEMA ATUAL

Relativamente ao atual panorama do cinema nacional e o aumento considerável do número de produções nos últimos anos, Artur Villares pronunciou-se, apenas, a título pessoal.

“Tenho uma opinião muito negativa sobre a produção cinematográfica em Portugal, do ponto de vista da qualidade. Nas últimas décadas, teve um grande realizador (Manoel de Oliveira), o que produziu é significativo e penso que mais adiante terá o reconhecimento que merece. Não por acaso, filmou aqui em Caminha e no Alto Minho (“Viagem ao Principio do Mundo”)! É criador de um conjunto de filmes com uma linguagem cinematográfica muito própria”.

De resto, “desde a época do chamado cinema novo, penso não se encontrou ainda aquele nível de qualidade cinematográfica que outros países têm (aqui ao lado, a Espanha tem produção cinematográfica muito interessante).

O dirigente cineclubista não valoriza os prémios em certames internacionais (“não é bitola de classificação de qualidade cinematográfica”).

No entanto, “penso que um bom caminho e onde me parece que tem havido maior qualidade é nalgumas produções que se baseiam em boas histórias da História ou tentam partir do argumento em obras literárias  (o argumento é um dos lapsos do cinema português contemporâneo, há dificuldades graves a esse nível).”

Villares cita, mesmo, Pasolini quando disse que “uma coisa são filmes, outra coisa é cinema”. Questionado sobre a facilidade de acessos aos meios que, há anos, não existia, contrapõe ser “curioso que muitas das grandes obras do cinema foram feitas com pequenos orçamentos, até com dificuldades técnicas significativas, e tornaram-se obras icónicas”.

Quanto às suas referências no mundo da Sétima Arte, mesmo incontornáveis, apontou Orson Welles e  Luchino Visconti, embora também admire outros realizadores, como Pasolini ou Rossellini.

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