Opinião Luís Ceia | PMEs

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Não me recordo de o termo PMEs, leia-se Pequenas e Médias Empresas ser tão badalado como nos dias de hoje. A verdade é que a crise sistémica que nos envolveu teve pelo menos o condão de chamar ao vocabulário comum as PMEs. A questão poderá colocar-se: então as PMEs só agora é que apareceram, andaram escondidas?

Na verdade, nem uma coisa nem outra. Elas, as tais PMEs, sempre foram a base do tecido empresarial europeu e do português. Na realidade, no nosso país, cerca de 96% das empresas são Pmes muitas delas até se podem considerar como microempresas. O que aconteceu é que não era agradável falar delas, era mais chique encher a boca com os grandes nomes e slogans das ditas grandes empresas, a maior parte multinacionais. Não estavam de facto na moda, os empresários estavam conotados normalmente como gente pouco formada, com a obtenção de lucros duvidosos, os lucros da sua atividade empresarial quase que precisavam de ser escondidos, como algo ilegal. 

De facto para os media e não só era muito mais sonante e porque não dizê-lo proveitoso falar e bajular os tais nomes grandes. Então o que mudou? Primeiro as tais PMEs estão diferentes, os seus empresários adquiriam novas competências, a transmissão geracional faz-se com ganhos de competências, a maioria dos requisitos ao nível da Higiene e Segurança, Controlo Alimentar e as certificações da qualidade e ambientais estão concluídas ou em marcha na maioria dos casos. Por tudo isto, já resulta mais fácil a toda a gente falar das PMEs, não fossem até então todos os que sobre elas pudessem falar ser apelidados de habilidosos ou coniventes com supostas práticas menos corretas. Mas para além disto tudo, a necessidade também as trouxe para a ribalta. Os comentadores e analistas perceberam que com a crise estras foram as que continuaram a criar a riqueza, a manter os postos de trabalho, a pagar os seus impostos. Enquanto as tais grandes, salvo honrosas exceções, foram despejando para o fundo de emprego os seus colaboradores e desperdiçaram os milhões de fundos aí investidos, as PMEs foram arriscando aquilo que tinham e não tinham para manter a sua atividade, serem a esperança de muitas famílias e contribuírem para o Estado com o pagamento dos seus impostos. Com isto tudo, as PMEs viraram naturalmente moda. O lucro agora, e bem, passou a ser visto não como algo sigiloso mas sim como um prémio para quem arrisca e vive permanentemente sobressaltado.

O antigo comissário europeu para a economia Olli Rehn, afirmou que na Europa existiam cerca de 23 milhões de desempregados mas que este problema seria resolvido se cada uma das 22,5 milhões de PMEs existentes na Europa criasse um posto de trabalho. Certamente um exercício utópico mas que reforça o papel fulcral das PMEs como sendo a base do emprego e sangue da economia de qualquer país europeu.

Na nossa região, as PMEs ainda são muito micro, das 22.000 empresas registadas, cerca de 9.000 são de empresários em nome individual. Este número tem tanto de preocupante como de estimulante: preocupante porque se pede mais dimensão, mais massa crítica; estimulante porque tem uma margem de progressão enorme. Os indicadores da nossa região mostram do ponto de vista da exportação valores que nos colocam em termos relativos como a NUTIII que mais cresceu no último ano. O lado menos bom, está no facto desta contribuição ser proveniente de um número reduzido de grandes empresas, a maioria delas de capital estrangeiro. Diria que precisamos de aumentar a classe média empresarial do distrito, ajudando a promover o crescimento das microempresas para que possam desenvolver-se e dar um salto crítico na sua dimensão. Ficávamos todos muito mais sossegados se as nossas PMEs fossem as grandes contribuidoras das exportações. Para isso, os programas e o esforço das entidades, devem apostar no desenvolvimento das competências dos empregadores e colaboradores, na modernização dos equipamentos produtivos; na criação de linhas de apoio ao financiamento como o FININCIA, excelente ferramenta; na maior facilidade no acesso ao financiamento; no desmantelamento da burocracia e na implementação de legislação laboral que premeie a eficácia dos colaboradores.

Há um longo caminho a percorrer, alegremo-nos em saber que estamos agora melhor que antes, tenhamos a capacidade de compreender que o futuro da economia nacional e consequentemente da qualidade de vida dos portugueses depende e muito da boa evolução das PMEs em Portugal.

Luís Ceia, Presidente da CEVAL

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