Mª FÁTIMA CABODEIRA ////////////// A discussão está na ágora europeia

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Por estes dias em que escrevo esta crónica, vive-se a incerteza da permanência da Grécia na União Europeia. É o tema hegemónico do momento, que já se arrasta há algum tempo. 

Após uma ronda de negociações feita a velocidade de cruzeiro, pelo Primeiro-Ministro e pelo Ministro das Finanças, que até indiciava ser auspiciosa, o berço da Filosofia viu-se obrigado a (retro)ceder na sua proposta de rejeição da austeridade. Está tudo ainda indefinido e ninguém consegue prever as consequências que advirão da solução que vier a ser “consensualizada”. Mormente para países com uma economia débil, como Portugal. Em vários momentos deste processo, a forma sobrepôs-se ao conteúdo, seja pelo sorriso longo e rasgado de Aléxis Tsípras, que recebeu em troca pancadinhas nas costas e teve direito a uma saída de mão dada, seja pelo cachecol de Varoufakis, que denunciou o seu lado aparentemente burguês.

Há aqui, contudo, uma luta entre dois contrários: a vontade soberana do povo grego, manifestada através do voto, e a gestão hierarquizada da União Europeia. Ora, o “Velho Continente” deveria ser uma realidade não apenas económica, mas sobretudo histórica e cultural.

Em 2015, os cidadãos de vários países europeus, incluindo Portugal, vão às urnas para eleger novas lideranças, pelo que a resolução da crise grega não é despiciente, conforme revelam algumas posições partidárias mais cautelosas. Há muitos olhos postos em Atenas. Vários partidos, fora do denominado “arco da governação” – veja-se o caso do Podemos, em Espanha -, têm vindo a conquistar terreno junto do eleitorado, utilizando um discurso anti-austeridade, que cala nas franjas mais descontentes da população, pelo que os próximos escrutínios prometem ser vivos.

Uma coisa é certa: a Grécia introduziu uma nota divergente que pôs os estados e a sociedade a refletir sobre o modelo de participação europeia. Essa discussão é salutar. No meio deste braço de ferro ferro, o próprio Presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Junker, proferiu uma inusitada declaração, reconhecendo que a troika “pecou contra a dignidade dos gregos, dos portugueses e dos irlandeses”.

Mas, não só de política vive o homem, embora, como os meus leitores sabem, cada um de nós a pratique no mero exercício da cidadania, vivendo em comunidade, isto é na polis.

Em jeito de epílogo, recupero a máxima do filósofo grego “só sei que nada sei”, praticando a humildade de raciocínio para chegar a um entendimento mais fecundo. As maias já despontaram prenunciando a chegada da estação da reverberação da natureza. Não tarda, toda uma paleta de verdes impossíveis estarão aí a cativar os nossos sentidos.

No mês de Março, alegramo-nos com o equinócio da Primavera e celebramos o Dia Mundial da Poesia.

 

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