Mª FÁTIMA CABODEIRA ///////// Inspirações na floração das Japoneiras

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Os dias estão agora mais promissores, apesar do tom acinzentado do crepúsculo. Cresce devagar o horizonte, neste mês onde as tangerinas imperam em árvores quase redondas, contrastando com a beleza sem perfume das flores de japoneira, para usar um termo bem minhoto.

Lá fora, a natureza começa a querer despontar da letargia em que se encontrava por força do frio. No campo, é tempo de fazer fogueiras para assear a terra que há-de germinar, antes de tudo, batatas, favas e ervilhas. E de podar o emaranhado de videiras. No oceano, as ondas furiosas são quem mais ordena, ameaçando pescadores e outras embarcações, sabemo-lo de cor. Serve este intróito para relembrar que em janeiro do ano passado publiquei a minha crónica de estreia neste órgão de comunicação social, intitulada “Ao Longe O Mar”, tendo por mote o filme documental “Alto do Minho”, de Miguel Filgueiras (recordam-se?).

Troquei, a propósito, algumas impressões que havia cogitado após a sua exibição. Percebi, também nessa altura, que as palavras têm, por vezes, o condão de despertar quem as lê. (Houve quem se identificasse com a memória de antigas sessões de cinema ao ar livre; houve quem se tivesse emocionado com a síntese do filme…).

Neste espaço que me é concedido tenho procurado vislumbrar, por entre a torrente de acontecimentos, pequenos esgares, que me parecem dignos de ser enfatizados. Coincidência ou não, quando se completa o ciclo de um ano, o – nosso – menino-prodígio Cristiano Ronaldo volta a estar na berlinda para receber mais uma vez o prémio da Bola de Ouro.

Regozijamo-nos com o seu incomensurável talento. Admiramos o seu profissionalismo. Como atualmente se diz, CR7 é uma pessoa inspiradora. Segundo afirma reiteradamente nas entrevistas concedidas, deixa-se guiar pela forte motivação para conquistar as metas traçadas. Agora que entramos no novo ano, façamo-lo com a mesma determinação do craque, agarrando a vida no seu pulsar oscilante.

Por estes dias, noticia-se, igualmente, a eleição de Carlos do Carmo como Personalidade do Ano 2014, por parte da Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal. Nascido no meio do fado, interpreta-o de uma forma cristalina e individualíssima, tendo contribuído com a sua carreira para divulgar aos quatro cantos do mundo esta estranha forma de cantar (e de sentir), por onde perpassam, a angústia, a alegria e a tristeza, que caracterizam a fragilidade da condição humana.

Do vasto e emblemático repertório tocam-me particularmente as palavras de José Carlos Ary dos Santos em “Estrela da Tarde”, uma cantiga belíssima que começa assim: “Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia/Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia/Era tarde, tão tarde, que a boca tardando-lhe o beijo morria(…).”

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