MANUEL PINTO NEVES //// Bibliotecas, livros e leituras

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No dia 1 de Julho comemorou-se o “Dia das Bibliotecas”.

As bibliotecas são o mais seguro e valioso indicador da cultura de um país. Elas são verdadeiras arcas onde os povos guardam a sabedoria dos seus maiores.

Uma biblioteca deve ser olhada como um verdadeiro templo onde se recolhem esses tesouros a que chamamos livros.

Os livros são a alma das nações. São eles que dão, por vezes, a supremacia aos mais fracos, e muitas outras são a única razão da existência de pátrias oprimidas ou decadentes, como aconteceu, por exemplo, com Portugal e os “Os Lusíadas” de Luís de Camões.

É lendo os livros que se aprende a História dos povos, sob as mais diversas perspectivas, desde a política à literatura, passando pela ciência e pela arte.

A relação com os livros deve passar por ser uma ligação de amor e de conhecimento, que nos prepare para o embate com as dificuldades da vida.

Para ilustrar a importância dos livros, nada melhor do que relembrar um contarelo atribuído ao célebre poeta Petrarca:

“- Viveis sempre só? – Perguntava-lhe alguém.

– “Eu, só? Estou sempre rodeado de amigos”.

– Amigos? Quem são eles? Onde estão? Donde vêm? Eu nunca os vejo.

– Os meus amigos são numerosos, e todos distintos. São de todos os países: estadistas, grandes poetas, oradores, homens sábios de todas as condições-

– Gracejais!…

– Longe disso! Estes amigos que me são tão caros, tão benéficos, tão úteis – quereis vê-los?

E Petrarca, levantando uma cortina deixou ver uma longa fila de livros!”

Os livros descobrem-se através da leitura. Ler constitui uma das formas mais interessantes de aprendermos com a experiência dos outros e, apesar da existência da televisão e da internet, continua a ter um importante papel na maneira de ocuparmos os nossos tempos livres e mesmo os outros mais ocupados.

A leitura pode dividir-se em funcional e recreativa. Ambas têm igual importância, mas os seus objectivos são diferentes. A leitura funcional é a que se aplica à maior parte das formas de aprendizagem. A leitura recreativa constitui um processo diverso, podendo proporcionar uma fonte rica de aventuras, de imaginação e de experiências.

A segunda complementa a primeira levando ao desenvolvimento da nossa capacidade criadora, e ambas conduzem ao objectivo último do processo de leitura, que é o de proporcionar cultura.

Termino com o desejo de que os livros possam conduzir os homens e mulheres de hoje a parar, de vez em quando, a sua louca correria em busca da conquista material e se deixem levar nas asas do sonho. Talvez assim possam sentir uma inesperada sensação de liberdade ao desatar, através dos livros, as mordaças que nos impõem as solicitações absurdas do mundo de hoje.

Que as sementes de palavras, brotando dos livros, não sequem nunca, e nos conduzam a um mundo mais fraterno, mais solidário e mais humano.

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