MANUEL PINTO NEVES //////////// O Sentido Dramático da Existência Humana

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No mês de Maio comemoram-se o “Dia Internacional da Liberdade de Imprensa” (a 3) e o “Dia Mundial das Telecomunicações” (a 17). Por isso, deixaria, neste espaço, uma breve reflexão sobre a Comunicação Social enquanto conjunto de fenómenos de interacção, cujo processo leva à integração social.  

A informação é uma necessidade social. Para além de ser uma ciência e uma técnica, é sobretudo uma arte e uma missão social. Deve ser executada com convicção e firmeza, pois encontra a sua inspiração no conhecimento ético e na formação moral, cujas ligações se estabelecem em função das exigências sociais da profissão, em luta com as pressões e desvios do que deve ser o seu objectivo.

A exacta comunicação exige qualidades que só se desenvolvem pela educação intelectual, através da investigação metódica dos factos; do desnudar de preconceitos individuais; do executar das regras de objectividade e das provas bem fundamentadas; da ausência de dogmatismo; do respeito pelos valores; e da consciência dos limites e dos direitos.

A liberdade de expressão, de que tanto se tem falado e escrito, muitas vezes sem sentido, está submetida ao direito das pessoas à reputação e à segurança. A deformação da verdade não atinge apenas a essência da Liberdade, mas atenta também contra o Direito. A verdade necessita de ser cada vez mais precisa de modo a resistir aos esforços da especulação. O interesse hodierno pelos problemas da comunicação mostra, a todos os níveis, a face da consciência comunitária do homem contemporâneo. Daí a importância filosófica da linguagem. A expressão linguística é força criadora de novos pensamentos. A verdade das coisas manifesta-se pela linguagem e torna-se um instrumento de participação. Todos nós fazemos parte de um costume social e dele participamos pela interacção social.

O princípio da vida social cai sobre a realidade do homem inteligente e livre. Os seus fundamentos predominantes são a racionalidade e a escolha, isto é, a capacidade de entender e emitir juízos e de fazer opções.

A comunicabilidade é característica fundamental da pessoa que procura dar valores à sua existência. O conceito de valor é transcendente, pois foge à limitação do espaço e do tempo, e vincula-se à noção de liberdade. E se ser livre é ser responsável, teremos entendido o sentido dramático da existência humana.

A deformação e massificação dos veículos de comunicação, apelando a uma insidiosa solicitação ao irracional, degradam e aviltam o homem, pois despojam-no da sua dignidade inalienável, que reside na faculdade de poder aceitar ou recusar.

É através da propaganda, transformada em técnica obsessiva que não deixa hipótese de escolha ou de decisão voluntária, que se manipulam os reflexos condicionados, se suprimem os juízos de valor e se reduz o homem a um ser vilipendiado.

Cada um de nós deve ser um elemento activo que, perante este distorcido caminhar, seja capaz de ganhar consciência do que vale e da grandeza dos outros com quem priva no seu quotidiano.

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