Mário Centeno :: Ronaldo ou Coveiro das Finanças?

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Mário Centeno :: Ronaldo ou Coveiro das Finanças?

Para os que acham Mário Centeno é o Ronaldo das Finanças justificam tal qualificativo pelos grandes avanços conseguidos na redução do défice, na redução das taxas de juro pagas pelo estado, no controlo das contas e da dívida pública. A par de todos estes feitos ainda lhe atribuem grandes méritos no crescimento económico, na descida da taxa de desemprego, no bem-estar social e muitos outros feitos…

Quando olhamos para todos esses indicadores assim parece ser e podemos ser tentados a concordar, que de facto, estamos perante um verdadeiro génio que resolveu todos os problemas do país… aliás secundado nesse discurso pelo Primeiro Ministro. Parece, disse eu, porque se olharmos com mais atenção talvez não seja bem assim…

Dirão muitos de vós que apenas coloco a hipótese de não ser bem assim, que o faço por má vontade para com este governo, mas, como dizia um conhecido dirigente partidário “olhem que não”, faço-o porque não me contento com a simples aparência das coisas e dou primazia á substância em detrimento da forma. 

Senão vejamos

Nenhuma reforma estrutural foi levada a cabo, para fazer face ao desequilíbrio estrutural de que Portugal padece, porque este governo optou por navegar à vista por forma a convencer os parceiros de governação e os portugueses que estava tudo bem, que a crise tinha passado, até as vacas podem voar, tudo isto num país onde não havia, tal como não há dinheiro para tais desvarios…

Face a estes devaneios a nossa sorte foi a conjuntura favorável na Europa, de que beneficiámos, bem como o alívio propiciado pelos programas de compra de dívida do BCE. que nos permitiram refinanciar a dívida pública a taxas de juro aceitáveis. E esta conjuntura favorável juntaram-se as famosas cativações, por muitos consideradas o verdadeiro golpe de génio de Mário Centeno, que tem conduzido à degradação de serviços fundamentais do estado, como é o caso da saúde, do maior corte no investimento público de que há memória, o aumento da dívida aos hospitais e às farmacêuticas, e muitos mais exemplos com os quais não vos vou maçar. Apesar desta conjuntura favorável e das cativações a divida pública  continua a subir, rondando os 125% do PIB.

A par disso os portugueses vivem o maior garrote fiscal de que há memória no Portugal democrático, especialmente através dos impostos indiretos, e as empresas foram completamente esquecidas demonstrando a falta de visão em

matéria de política económica para ajudar ao desenvolvimento económico do país.

E foi assim que surgiu o Ronaldo das Finanças… E quando for necessário fazer os investimentos congelados nos últimos anos (e paga-los), quando se começar a pagar às farmácias, a recrutar os funcionários para resolver o problema das 35 horas, pagar as dividas do sector publico, acabar com os tempos de espera no SNS, fazer face à degradação generalizada dos serviços públicos a que temos vindo a assistir?

Quando for preciso pagar a conta talvez passemos a falar no Coveiro das Finanças…

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