ENTREVISTA // MIGUEL CERQUEIRA // Barquense premiado por inovar na indústria alimentar

ENTREVISTA COM MIGUEL CERQUEIRA

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Miguel Cerqueira nasceu em Ponte da Barca há 33 anos e tem já uma carreira notável como investigador, designadamente, com o desenvolvimento de produtos inovadores para a indústria alimentar. É autor de cerca de 120 publicações científicas, foi distinguido com vários prémios e nomeado com o Young Scientist Award pela União Internacional de Ciência e Tecnologia de Alimentos. Investigador e professor na Universidade do Minho, a sua carreira passou, também, pelas universidades de Aveiro, Cork (Irlanda), Vigo (Espanha) e Estadual de Campinas (Brasil).

VALE MAIS aproveitou a oportunidade e quis conhecê-lo melhor. Miguel não se fez rogado e, desde logo, se mostrou disponível para responder às nossas perguntas. 

INVESTIGADOR INTERNACIONAL

Pode-nos falar um pouco do seu percurso, desde Ponte da Barca até ao momento, passando por ter a melhor tese de doutoramento, dos prémios que obteve, parcerias com outras universidades e a indústria alimentar?

Passei a minha infância e adolescência em Ponte da Barca, mais propriamente em Vila Nova de Muía. Estudei em Ponte da Barca até aos 18 anos, e foi durante este período que criei muitas das amizades que permanecem até hoje. Em 2000, iniciei a licenciatura em Engenharia Biológica na Universidade do Minho. Em 2005, após ter recebido uma bolsa de estudo por mérito, iniciei a minha carreira profissional.

A minha primeira internacionalização decorreu de um contrato como investigador num projeto (Alfa-Valnatura) em cooperação com o Brasil, na Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, onde permaneci até outubro de 2006. Após esse período, onde me dediquei à investigação na área da Tecnologia Alimentar, iniciei o meu doutoramento no Centro de Engenharia Biológica, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. Durante o doutoramento pude aprofundar o meu conhecimento com a passagem por outros centros de investigação, nomeadamente, nas universidades de Aveiro e Cork (Irlanda).

Em 2011, e após ter finalizado o doutoramento, recebi o prémio “Melhor Tese de Doutoramento” pela Escola de Engenharia da Universidade do Minho. No mesmo ano, iniciei o meu trabalho como investigador de pós-doutoramento na Universidade do Minho, onde estou até hoje e colaboro, como professor convidado, no Mestrado Integrado em Engenharia Biológica. Em 2013, juntamente com quatro colegas, criei uma empresa, a Improveat, na qual nos dedicamos ao desenvolvimento e produção de novos produtos para a indústria alimentar. Em 2014, fui nomeado com o Young Scientist Award pela União Internacional de Ciência e Tecnologia de Alimentos. Já este ano, vencemos o prémio Food & Nutrition Award para a Investigação & Desenvolvimento com o projeto Nutricap 

FAMÍLIA IMPORTANTE NAS DECISÕES

Em que medida as suas origens barquenses, os seus amigos e a sua família (é filho de um farmacêutico) influenciaram ou não o seu percurso?

Sem dúvida que influenciaram em muito o meu percurso. Sempre tive um grande apoio e incentivo por parte da minha família e amigos mais próximos, que foram muito importantes em algumas das minhas decisões.

Porquê a sua opção ou apetência pela investigação na área dos produtos inovadores para a indústria alimentar?

Nos meus primeiros anos como investigador estudei a possibilidade de usar biomateriais (polissacarídeos) para aplicações alimentares. As primeiras experiências consistiram na extração de compostos de novas fontes naturais. Foi aí que tive a noção clara do que ainda havia por explorar nesta área. Com esta experiência e, mais tarde, durante o meu doutoramento, percebi todo o potencial científico e tecnológico da utilização de compostos naturais no desenvolvimento de novas estruturas para aplicações alimentares.

Sempre considerei que a utilização de compostos naturais apresenta grande aplicabilidade industrial, não só pelo facto de permitir a substituição de alguns ingredientes sintéticos e responder ao interesse dos consumidores por produtos cada vez mais naturais e saudáveis, mas também pela capacidade de originar produtos inovadores. 

Que apoios tem registado na investigação?

O meu trabalho de investigação é financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia que, juntamente com outras instituições e empresas, financiam vários projetos nacionais e internacionais do Centro de Engenharia Biológica e que permitem desenvolver o meu trabalho de investigação. 

Quais os próximos projetos?

A minha atividade científica tem-se centrado, fundamentalmente, em dois tópicos: as embalagens comestíveis para aplicação em alimentos, com vista a aumentar o tempo de prateleira dos alimentos, e a nanotecnologia aplicada à indústria alimentar, onde desenvolvemos cápsulas à nanoescala com base em materiais naturais, para, por exemplo, incorporar compostos bioativos em alimentos. Atualmente, tenho-me dedicado, também, a uma área um pouco diferente que é o desenvolvimento de óleogeis, que são ingredientes alimentares à base de óleos saudáveis que permitem substituir as gorduras prejudiciais, mantendo as características sensoriais dos alimentos.

A nível profissional, o futuro poderá passar pela empresa de que sou cofundador, a Improveat, uma Spin-off da Universidade do Minho, na qual nos dedicamos ao desenvolvimento e produção de produtos inovadores para a indústria alimentar.

AGRICULTURA E DESPORTO 

Quais os seus hobbies? Disseram-nos  que gosta da agricultura…

Sim, a agricultura é um dos meus hobbies, apesar de, nos últimos anos, o tempo disponível ser cada vez menor. Também tenho outros interesses, gosto de acompanhar o cinema e a música; mas, sem dúvida, o desporto é uma das minhas paixões, talvez por ter jogado basquetebol durante muitos anos.

Quais os seus poisos favoritos em Ponte da Barca e no Alto Minho?

Neste momento, resido e trabalho em Braga e o tempo que estou em Ponte da Barca é cada vez menor. No entanto, para mim, estar na região do rio Lima é sempre muito prazeroso, sendo as margens deste, no concelho de Ponte da Barca, um dos meus lugares prediletos. 

Como vê o futuro desta região?

É difícil prever o futuro desta região. Tem havido avanços nos últimos anos, ao nível social, com maiores apoios e melhores condições para as populações residentes. A visibilidade da região é cada vez maior, fruto de um excelente trabalho de promoção, onde o turismo promete ser um dos motores de desenvolvimento local; no fundo um reflexo do que tem acontecido a nível nacional. No entanto, é importante potenciar o crescimento económico da região que poderá passar por mais apoios ao setor agroalimentar.

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