Ministro do Ambiente amanhã na inauguração Casa da Biodiversidade de Paredes de Coura

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O Município de Paredes de Coura inaugura esta sexta-feira, 8 de fevereiro, pelas 11h00, a Casa da Biodiversidade no lugar das Corredouras, freguesia de Castanheira, com a presença do ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, e da secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Célia Ramos.

Paralelamente, também se celebra a assinatura do protocolo de gestão florestal gratuita entre a ACHLI – Associação da Conservação do Habitat do Lobo Ibérico e a Comunidade Local do Baldio de Castanheira.

“Proteger a biodiversidade não é uma opção, é uma questão de sobrevivência enquanto território sustentável e criativo. No entanto, a proteção do lobo ibérico só se consegue se não nos esquecermos que as pessoas também fazem parte da biodiversidade e, por isso, só as ajudando e trabalhando com elas podemos garantir a proteção do lobo”, defende Vitor Paulo Pereira, presidente da Câmara de Paredes de Coura, para quem “a Casa da Biodiversidade não é o espaço do lobo. É o espaço das pessoas que precisam de ajuda para poder lidar com o lobo. Precisam de ajuda para se proteger, conhecendo-o bem e evitando os seus prejuízos e, sobretudo, para saber como devem agir para serem ressarcidas quando não foi possível protegê-las”.

Pretende-se que este centro seja um espaço de apoio e procura de soluções, ao qual as pessoas vítimas de prejuízos causados pelos ataques de lobos se possam dirigir. O conceito de Biodiversidade, na melhor perspetiva da proteção do lobo e do seu habitat, não pode excluir o Homem e, por isso, os proprietários lesados, a comunidade (incluindo as escolas) e a investigação científica.

“Há um conflito imemorial entre o lobo e o Homem. Nasce do medo profundo que temos dele e que incutimos nas crianças através da ideia do lobo mau. Esse medo alimenta-se cada vez mais do desconhecimento e transforma-se em ódio quando somos confrontados com os prejuízos que o animal causa”, explicou Vitor Paulo Pereira, acrescentando: “Não somos presunçosos ao ponto de dizer que queremos resolver este problema, o que queremos com este projeto é repor algum equilíbrio nesta relação e através desse equilíbrio, garantir a preservação do animal e a qualidade de vida das pessoas”.

Ainda de acordo com o presidente da Câmara de Paredes de Coura, “neste conflito não existe o lado do lobo e o lado do Homem. Só existe o lado do problema e o lado das soluções. Nós queremos estar, definitivamente, do lado das soluções. Não queremos milagres, procuramos soluções”, concluiu.

São parceiros deste projeto a Associação Aldeia, o CIBIO – Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto e a ACHLI – Associação de Conservação do Habitat do Lobo Ibérico. Tem sido também determinante a colaboração e o envolvimento do ICNF – Instituto de Conservação da Natureza e Florestas.

Em termos económicos, o projeto foi apoiado pela CCDR-N através da candidatura NORTE-04-2114-FEDER-000242 (Património Natural), num total de investimento de 162.426,00€, com financiamento (85%) de 138.062,10€, sendo o remanescente suportado pelo Município. O valor mais expressivo (100.986,44€) foi investido na recuperação do edifício de uma antiga sede de junta de freguesia, localizada na freguesia de Castanheira, que estava devoluto e que será agora a “Casa da Biodiversidade” – infraestrutura de apoio aos proprietários lesados e à investigação científica, uma vez que é nela que ficará instalada a base de campo do CIBIO.

Recorde-se também que a exposição da Unesco, “Green Citizens – Pioneiros na Mudança”, que já passou por França, Marrocos, Nova Iorque e em setembro passou pelo Jardim Botânico do Porto e Galeria da Biodiversidade – Centro Ciência Viva, localizado no Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto, num total de 46 fotografias e painéis informativos de projetos oriundos dos quatro cantos do mundo – Senegal, Marrocos, Índia, Estados Unidos, Brasil, entre outros – tem como único projeto português “O Lobo e o Homem: proteger, valorizar e sensibilizar” de Paredes de Coura.

‘O lobo e o Homem” é um projeto do Município de Paredes de Coura que procura estabelecer um equilíbrio no conflito universal e secular existente entre ambos. Pretende-se, com as suas ações multidisciplinares e multissetoriais, associar valor económico ao lobo e ao seu território apoiando desta forma os lesados pelos seus ataques, em particular, e a comunidade, em geral. A ideia é enfrentar este problema de longa data e transforma-lo numa vantagem para a população, garantindo com isso uma eficaz preservação da espécie. O conflito de outrora ganha contornos diferentes e não permite hoje a escolha entre o lado do lobo ou o lado do Homem; a opção é entre o lado do problema e o lado da solução. Todos podemos persistir nos problemas ou então arriscar e procurar soluções.

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