Ministro Santos Silva encerra Semana da Igualdade

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Ministro Santos Silva encerra Semana da Igualdade

Sociólogo e governante veio a Arcos de Valdevez falar sobre “Migrações: Inevitáveis e positivas”

“As migrações são resultados de desigualdades e a melhor maneira de lhes responder é através da Igualdade”Augusto Santos Silva

Augusto Santos Silva, sociólogo, professor catedrático da Faculdade de Economia do Porto e atual ministro dos Negócios Estrangeiros, encerrou no passado dia 2 de novembro a I Semana da Igualdade de Arcos de Valdevez.

Sob a temática “Migrações: Inevitáveis e positivas” explicou aos presentes, no auditório da Casa das Artes concelhia, a importância das migrações, as suas dimensões, os seus lados positivos e negativos.

Contextualizando os fluxos migratórios, Augusto Santos Silva adiantou que as migrações são uma constante da história e que desde sempre os povos tiveram necessidade de migrar, quer seja em busca de melhores condições de vida, quer seja por questões profissionais ou até devido à sua vida académica.

Ressalvando que uns dos principais destinos para as migrações são a Europa, os Estados Unidos ou o Canadá, atestou que 80% das migrações são para África e que, ao contrário do que muitas vezes se pensa, a larga maioria das migrações são legais e cumprem as regras dos países de acolhimento.

Fazendo alusão aos benefícios das migrações nos países de acolhimento adiantou que a formações de alguns países não seria a mesma sem elas, sendo disso exemplo os Estados Unidos, no entanto afirmou também que para os países de origem também trazem benefícios devido às transferências bancárias que os migrantes fazem para os seus países natais ou do investimento realizado nos mesmos- “uma grande fatia da riqueza é produzida pelos migrantes”, atestou.

O sociólogo também apontou a migração como sendo um regulador quase automático, pois “funcionam como reguladores quanto à variável emprego e em termos demográficos”.

“As migrações também estão muito ligadas ao tráfico de pessoas, às redes de contrabando e de exploradores de mão-de-obra”, referiu também, adiantando ser necessário que as Políticas Públicas sejam informadas pelos factos. Na sua opinião a única forma de travar estes movimentos é através da celebração de um pacto global para emigrações legais, seguras e reguláveis, o qual permitirá fazer o combate à rede de tráfico de pessoas; cooperar com os países de origem em matéria de desenvolvimento; implementar políticas de integração dos migrantes naquilo que toca aos valores, aos costumes e normas dos países de acolhimento.

“Portugal é uma das provas de que a emigração é um fenómeno positivo” atestou, referindo que a emigração portuguesa é dos bons casos de estudo para políticas internacionais, pois os emigrantes lusos mostram bem como é possível manterem as ligações ao seu país de origem e ao mesmo tempo integrarem-se tão bem nos seus países de acolhimento, adotando as suas regras e os seus modos de vida.

Por fim concluiu que “as migrações são resultado de desigualdades e a melhor forma de as combater à através da Igualdade”, já que se as pessoas tiverem as mesmas oportunidades de vida nos seus países não sentirão necessidade de sair. Se tiverem emprego, bons rendimentos, acessos à educação, à saúde, entre outros aspetos, emigrar será sempre a ultima hipótese a escolher.

O autarca João Esteves agradeceu a presença do Sociólogo e atual Ministro dos Negócios Estrangeiros em Arcos de valdevez, e explicou que a 1ª Semana VEZ de IGUALDADE pretendeu chamar à atenção de pessoas de diferentes idades e interesses para os riscos da exclusão baseada na diferença.

O Presidente da Câmara fez também um breve resumo das atividades realizadas durante esta Semana da Igualdade, garantindo que esta foi apenas a primeira de muitas em que se proporá debater as questões da Igualdade em Arcos de Valdevez.

Finalizou, agradecendo também toda a colaboração da Conselheira para a Igualdade, Manuela Melo, nestas matérias.

Entretanto, foi hoje divulgado que, em média, em Portugal, as mulheres têm de trabalhar mais 54 dias por ano para ganhar o mesmo ordenado de um homem, apesar da evolução positiva dos últimos anos.

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