MUITO MAIS DO QUE UM CONGRESSO

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1. Social-democracia sempre: a matriz ideológica lançou a campanha de Pedro Passos Coelho para a reeleição e para este congresso. O superficialismo leva alguns a criticar a atual liderança neste preciso âmbito, fundamentado na ação governativa executada na anterior legislatura. Pensar que é possível cumprir com sucesso um programa restritivo e altamente exigente, não definido nem escrito pelo PSD, de retoma económica e financeira, liderado por uma inflexível troika, assente exclusivamente na social-democracia, é ingénuo e desonesto. Estou certo de que nem tudo foi bem feito, mas não pagaria para ver o que aconteceria caso o Governo tivesse falhado (como aconteceu na Grécia). A nós compete-nos impedir que o que aconteceu em 2011 volte a acontecer, e só dessa forma defendemos verdadeiramente o exercício político-partidário ideológico e capaz de gerar mais e melhor para os cidadãos.

2. Compromisso reformar: coragem foi a palavra de ordem, porque não existe reforma sem coragem. A reforma demagógica verte-se da inconsequência e da inutilidade que provamos, por exemplo, nas debilidades económicas, educacionais e sociais de Portugal nos dias de hoje. E Pedro Passos Coelho, neste particular, venceu. E venceu porque conseguiu mostrar aos Portugueses que, no poder ou na oposição, o PSD continuará a defender aquilo em que acredita, aquilo que se assume prioritário na agenda nacional, independentemente da sua popularidade ou mediatismo. Passos Coelho é assim, essa é a sua maior virtude, e confrontar a forma como se apresenta e define na reforma, por exemplo, da segurança social, comparativamente com o Plano Nacional de Reformas – PNR do Governo Socialista, um documento provido de um vazio de conteúdo e de uma inocuidade política memoráveis, é prova disso mesmo.

3. “Não é exagerado concluir que a atual forma de organização da sociedade deixou de convencer a população”. A frase é retirada da moção apresentada pela JSD e tem uma única preocupação: a democracia. O kratos, poder, exercido pelo Demos, povo, tem conhecido transformações estruturais que o tornam, em pleno século XXI, no regime político e de governação mais interessante, capaz e respeitador dos direitos, liberdades e garantias de todos os cidadãos. No entanto, a insatisfação dos portugueses (mais ou menos jovens) com a democracia e com os partidos é alarmante, a consequente atitude abstencionista prevalece, e a participação nas estruturas políticas, associativas e cívicas anseia melhores dias. Como soluções, a JSD ambiciona abrir o PSD à sociedade por processos de decisão participados por todos, e ainda subscreve a necessidade da reforma do sistema eleitoral defendendo maior participação dos eleitores na escolha dos seus deputados. O combate às lógicas protecionistas, à demagogia e ao caciquismo político são o mote defendido, que encontra conforto numa sociedade que o anseia desesperadamente.

Assim, porque é que este foi um congresso tão importante? Exatamente por tudo o que referi: com o foco nos problemas reais, desprovido de números demagógicos, o PSD lançou-se não apenas como líder da oposição mas também como líder das mais urgentes e necessárias reformas de que Portugal necessita na busca de prosperidade social, económica e cultural.

António Rodrigues

António Teixeira Rodrigues

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