NORTON DE MATOS :: O eterno amor do povo limiano

0
NORTON DE MATOS :: O eterno amor do povo limiano

Há personalidades que, pela profundidade das causas que defendem e pela relevância das suas obras na história de um país ou de uma comunidade, passam a incorporar os fundamentos que modelam o “espírito de um povo” ou, se quisermos, o “sentimento de pertença a uma agregação social”.

Em março de 1867, um desses vultos nasceu na vila de Ponte de Lima (PL) e é, para todos os limianos, um elemento inquestionavelmente agregador e motivo de infinita estima e saudade.

Falamos de José Maria Mendes Ribeiro Norton de Matos (NM), o “general-político” que — justamente há 70 anos (1948) — apresentou a sua candidatura à presidência da república (com 81 anos) para se bater contra o Estado Novo. Retirou-a em 1949, por múltiplas e intrincadas razões.

Hoje existe um amplo acervo documental que revela o pensamento e a obra de NM. Porém, para se “mergulhar” nas mais nobres e profundas dimensões da sua personalidade, de inconfundível carisma, há uma biografia da autoria de José Norton — seu sobrinho-neto —, produzida numa narrativa de feição histórica e intimista, que é, forçosamente, uma obra de leitura insubstituível e que se exibe ao leitor vestida com uma estética arrebatadora e cativante, que a todos enfeitiça pela grandiosidade do relato.

NORTON DE MATOS :: O eterno amor do povo limiano

Se o percurso de NM foi marcado pela venturosa atmosfera familiar em que cresceu e pelos traços vincados do seu “génio especial” — diz José Norton —, também a fina e distinta “identidade” da antiga vila medieval, que o viu nascer, contribuiu para lhe moldar o extraordinário caráter e a elevada craveira humana, que fez dele um dos mais admiráveis atores da vida pública portuguesa, num período que principia em Goa (1898) e só finda com a sua morte, aos 87 anos, em janeiro de 1955.

Diz NM: “Levei comigo para os meus ‘trabalhos nas sete partidas’ a lembrança acalentadora da terra onde passei os meus primeiros anos” (in, José Norton).

MERECIA SER PATRONO DE UMA DAS ESCOLAS

Entre incontáveis cargos e funções públicas que NM exerceu, merecem realce: militar de carreira; duas comissões em Angola — governador-geral (1912 a 1915) e alto-comissário (1921 a 1923); investigador na Índia portuguesa (1898 a 1908); negociador com a China sobre as fronteiras de Macau (1909); delegado de Portugal na conferência de paz, após a 1.ª Grande Guerra (1919); embaixador em Londres (1924 a 1926); ministro da Guerra e das Colónias; docente no Instituto Superior Técnico.

Destacou-se, ainda, como escritor, colunista, conferencista, político republicano, opositor ao Estado Novo e grão-mestre da maçonaria.

À luz do pensamento republicano de então, NM difundiu, com suprema grandeza, “a arte de ser português”, pelas parcelas desse “Portugal Maior” disperso entre o Minho e Timor — com quem viveu um fervoroso amor —, esculpindo, com as suas ações patrióticas, páginas épicas da nossa história coletiva.

Em Goa, NM teve o mérito de criar, de raiz, o cadastro daquele território; em Angola, Norton revolucionou o paradigma colonialista e a forma de governança, valorizando a condição das populações autóctones e fundou, habilmente, a cidade de Huambo (1912); como ministro da Guerra, organizou, numa tarefa intrépida (“milagre de Tancos”), o Corpo Expedicionário Português que combateu na 1ª Guerra Mundial.

Norton amou devotamente PL, aí passando — em total tranquilidade, mas sempre com preocupações sociais apuradas —, os últimos anos de vida e, hoje, bem merecia ser patrono de uma das escolas de sua terra natal, como forma de se evocar e preservar, junto dos jovens, o seu venerável e irrepetível legado! //

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here