Núcleo Museológico de Valença :: Contentor de história que transporta ao exterior

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Estivemos no Núcleo museológico de Valença, dentro da Fortaleza, mais precisamente na Rua Mouzinho de Albuquerque, mais conhecida por Rua Direita onde conhecemos, pela voz de da Museóloga, Isilda Salvador, um pouco mais sobre a história deste espaço.

“Este edifício é um contentor de história que faz a ponte com o exterior. O nosso museu está no exterior. Este é apenas um espaço que nos permite fazer a recepção e canalização dos visitantes” assevera-nos.

Presente desde a sua fundação e uma das criadoras deste Núcleo, Isilda Salvador começa por nos explicar, numa das salas do 3.º andar, que\º andar que este núcleo foi instalado numa antiga moradia régia, que noutros tempos – há cerca de 6 décadas – serviu como cadeia civil.

Podemos contar a história de Valença neste edifício

Em 20 novembro de 2008 nasceu aqui o Núcleo Museológico e, desde então, é um espaço de se pode conhecer e perceber a cultura, património e história de Valença.

O edifício está organizado com as restrições que o próprio espaço impõe. “O espaço é pequeno mas nas várias divisões estão expostas e retratadas várias épocas. Há a sala de arqueologia, onde temos a história mais antiga retratada. Desde bifaces da pré-história, uma reprodução de uma gravura rupestre, do período romano temos uma Lápide Romana até dois Marcos Miliários das vias romanas que atravessavam Valença. Da idade média, temos os produtos que resultaram de escavações arqueológicas decorridas em Sanfins e Gondomil.

Na sala de arqueologia é possível ver uma peça – uma Lápide Epigráfica Romana – que foi reclamada ao Museu Nacional de Arqueologia de Lisboa, porque estava emprestada, desde 1903. Com a criação deste núcleo foi possível resgatar esta peça” conta-nos a museóloga.

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Na sala da história medieval de Valença conseguimos, através de uma enorme maquete, perceber como era Valença quando nasceu – por volta de 1200 -com a designação de Contrasta. Trata-se do castelo medieval de Contrasta que está nas fundações da atual fortificação e a única melhor forma de percebermos a história do período medieval de Valença, que dura mais de 300 anos, até que se transforma numa praça forte – Fortaleza.

“Foi construída uma maquete de grandes dimensões que retrata o castelo medieval de Valença, antes de passar a Fortaleza. Nesta sala podemos recuar no tempo e com muito cuidado e detalhe conseguimos perceber que era Valença. A mudança de praça medieval para fortaleza é tão drástica que quase não se reconhece. Mas nessa maquete podemos viajar no tempo e perceber a história – antes das guerras da restauração – de uma forma muito correta” explica Isilda Salvador.

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Podemos, ainda, viajar à realidade fronteiriça entre o Castelo medieval de Valença e a imponente Cidade Episcopal de Tui a quem pertencíamos – em termos eclesiásticos – no início da nacionalidade portuguesa.

Existe, ainda, a sala onde está retratada a parte da história mais violenta. “Quando em 10 de abril de 1809 e depois de um desvio estratégico, as tropas lideradas por Soult, a mando de Napoleão, param cá com 10 mil militares, Valença não teve outra alternativa que não fosse capitular. A capitulação – ato ou efeito de rendição, desistência – era uma estratégia que se pressupunha que corresse bem, no entanto, ao final de 7 dias e na altura da retirada, os franceses rebentaram com a fortificação de Valença. Esta, levou 10 anos a ser restaurada. Esse é um episódio que está retratado, também em maquete”.

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Exposições temporárias

“Além destas exposições, ainda conseguimos espaço para abordar, de forma temporária, temas relacionados com Valença. Já organizamos mais de 50 exposições temporárias.

O facto de estarmos num dos pontos mais visitados de Valença, e já ultrapassamos a barreira dos 200 mil visitantes, faz com que muitos voltem e se tornem em visitantes habituais que vem ver a exposição que está patente (em termos temporários)”.

Por aqui já passaram exposições desde a arqueologia, peças romanas que resultam das escavações nesta fortaleza, temas medievais relacionados com vários reis, o trapiche e o contrabando, a I guerra mundial, entre muitas outras.

Neste momento decorre a exposição sobre brinquedos históricos, que surgiu a propósito do Natal, mas são brinquedos de valencianos com cerca de 80 anos.

No entanto, no futuro as exposições temporárias que não tem fundamento histórico irão terminar e haverá apenas temáticas de longa duração em parcerias com o Museu Militar do Porto.

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O município proporciona cerca de 3000 visitas guiadas por ano, a entidades sem fins lucrativos e escolas.

Mais de 200 mil visitantes de 57 nacionalidades

Já passaram por este espaço mais de 200 mil pessoas de 57 nacionalidades, sendo que os espanhóis estão em clara maioria. Depois, alemães e italianos. No entanto, também cresceu, o número de portugueses.

“A taxa de visitantes portugueses era impressionante. Depois desta crise esse número reduziu muito e agora são os espanhóis quem mais nos visita.

Mas, no verão, há dias em que temos de encerrar as portas, por que não podemos ter mais visitantes cá dentro”.

“E não podemos esquecer os peregrinos. Alguns vão com pressa mas outros gostam de explorar os locais por onde passam.

A grande curiosidade dos visitantes é saber o por que desta imponente fortaleza com 5,5 quilómetros de fortificação.

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Uma facto engraçado é o facto de entrarem no núcleo muitos pais e filhos, por que as senhoras estão às compras, e muitos deles aproveitam para conhecer estes espaços.

Uma história relevante é sobre o senhor que dá a imagem de marca a Santiago de Compostela, que é peregrino há 45 anos, e que entrou aqui e a sua credencial de peregrino tinha 8 metros de comprimento. Tivemos de ir para o exterior para a abrir. Agora visita-nos recorrentemente.

Outro destaque foi a visitante 100 mil. Foi um portuguesa a quem tivemos a honra de dar um livro sobre a praça forte.

Visitas guiadas e recriações históricas

“Em termos de atividades realizadas, a maior componente é para a parte pedagógica. Trabalhamos muito as visitas para o público escolar e depois, também, para o turismo sénior.

Também promovemos eventos que nos levem ao exterior, como as recriações históricas. No verão, temos a semana do museu e pontualmente temos visitas temáticas”.

Este museu abrange diversos temas mas devido à sua reduzida área era necessário outros espaços museológicos onde pudéssemos abordar outras tantas temáticas que temos para destacar.

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Para o vereador da Cultura, José Monte, este núcleo museológico representa muito para Valença.

“No fundo é a história de Valença. Pelas diversas salas deste edifício é possível ver o reflexo daquilo que foram os inícios de Valença, desde a fortaleza medieval, os achados históricos que se fizeram no nosso território, uma via romana que foi o elo de ligação e comunicação e foi primordial no desenvolvimento desta região.

E ao estar inserida nesta fortaleza permite dar a conhecer, a quem nos visita, aquilo que realmente Valença representou e que significado teve na história”.

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Verão é a melhor época

“Há épocas do ano que são claramente mais fortes. Mas quando há eventos que são âncora nesta fortaleza o número de visitantes aumenta.

São mais de 200 mil que, sobretudo no verão, pelo número de pessoas que vêm conhecer a fortaleza, pelo aspeto turístico e pelas condições climatéricas que nessa época são muito favoráveis, regista o seu pico. Mas nos restantes meses há um equilíbrio”.Núcleo Museológico de Valença :: Contentor de história que transporta ao exterior

Um espaço que todos os valencianos deviam conhecer

“Temos feito um esforço para que os valencianos venham conhecer este espaço, com diversas exposições temáticas que pretendem sensibilizar a população para que saibam que há um espaço que lhes dá a verdadeira história daquilo que foi Valença. Nas exposições temporárias tentamos dignificar muitos valencianos com os seus trabalhos e com aquilo que desenvolvem na área cultural.

Tentamos, também, junto das escolas, incutir a vinda dos jovens para conhecer a nossa história, mas sabemos que há, ainda, muito por fazer.

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