O afeto na relação de pais e filhos

escrito por CARLA SILVA Educadora de infância

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Muito se tem abordado e discutido, no âmbito das ciências humanas, sobre a relação entre pais e filhos e tudo o que envolve o assunto – limites, a importância do diálogo, educação, entre outros assuntos. Ao longo do tempo foram surgindo vários conceitos e ideias, que acabaram por se transformar em verdadeiros manuais de ‘Como educar seu filho’. Não há nada mais complexo do que as relações humanas e é uma verdadeira utopia reduzir toda essa riqueza a regras e normas de conduta fixas a serem aplicadas para que o sucesso possa acontecer!

A maioria dessas “regras” focam-se no comportamento da criança: a que é mimada, birrenta, distraída, hiperativa, a que não tem limites, e por aí fora… Mas sabemos o perigo de lidar com essas questões de forma tão massificada – passa-se por cima da criança como tal para falar da criança, da teoria, da pesquisa, do conceito. Convido-vos a uma breve reflexão sobre o tema, destacando um ponto importante: vamos pensar nos pais, abrindo um novo horizonte de compreensão. Vamos partir desse ponto e deixar as ideias abertas, para que, cada um que leia este texto possa completá-lo de acordo com sua própria vivência.

Destaco a importância dos pais de se responsabilizarem por um ambiente familiar emocionalmente equilibrado (afinal, eles são os adultos, da relação, e o exemplo sempre partirá deles): para isso precisam de estar em boas condições físicas e emocionais e, antes de tudo, antes de serem pais, eles são pessoas e precisam levar em consideração as suas demandas e necessidades. Não adianta um sermão lindo aos seus filhos sobre como eles devem enfrentar a vida se, ao mesmo tempo, a criança percebe que o adulto não cumpre os seus compromissos, não trata da sua saúde, não cultiva os seus relacionamentos, vai trabalhar desmotivado e chega stressado… Isto é pura incoerência e a criança vai perceber isso.

O que se pretende transmitir é a importância de se cuidar da existência e, nesse sentido, cuidar é um ato de amor. Pensando desta forma, chegamos a outro ponto nas relações humanas, especificamente na relação entre pais e filhos: como é que esse amor é expresso na relação? Como demonstram o seu afeto aos filhos? Não confundir com os chamados “cuidados práticos”: vesti-lo para ir para a escola, preparar as suas refeições, tratar da sua higiene, levá-lo ao médico… são importantes, mas que podem ser feitos por qualquer pessoa que não o pai ou a mãe. A grande diferença está no amor e no afeto: no sair do seu tempo para dedicá-lo ao filho: brincar com ele, conversar, participar do seu mundo, mostrar interesse pelas suas coisas…partilhar!  É o olhar que autentica a relação de amor que envolve todo o desenvolvimento da criança, é o olhar interessado, é o olhar que acompanha, escuta, acolhe e oferece a segurança.

Claro que a criança vai crescendo e as atitudes alteram-se. Todavia, algumas coisas não mudam, como, por exemplo, as demonstrações de afeto e carinho para com ele! Outra questão que é invariável é o estabelecimento de limites desde cedo e, sobretudo, de forma coerente. Os limites auxiliam a criança a administrar o próprio comportamento, a organizar-se, a sentir-se segura e protegida numa rotina familiar que será a sua plataforma para a vida futura.

Afeto precisa-se…sempre!

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