O desperdício nas redes de abastecimento de água

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O desperdício nas redes de abastecimento de água

A água potável é um recurso limitado, calculando-se que em todo o planeta represente 2% do total da água, estando apenas disponível metade desse valor, porque o restante está congelado.

A boa gestão deste recurso é cada vez mais um imperativo sério, que deve estar estrategicamente alinhado nas prioridades dos municípios.

Ao longo da rede de abastecimento, seja na rede em alta (captação, tratamento, e elevação até aos reservatórios), seja na rede em baixa (distribuição ao domicílio), os desperdícios são colossais, sendo desaproveitados muitos litros de água já tratada, com a máxima qualidade possível.

Do ponto de vista ambiental, além do desperdício atrás referido há outros custos, porque o tratamento implica o uso de produtos químicos, podendo-se apontar também o custo de energia. Do ponto de vista económico também é grave porque a água que é desperdiçada é um bem que não é facturado.

Estas perdas reais de água podem ser minoradas se forem implementadas medidas de reabilitação da rede, de forma a diminuir as fugas por ruptura, mau uso, consumo ilícito, bem como as reparações de emergência.

No entanto, dados oficiais dos últimos cinco anos, apontam para uma reabilitação insignificante dos cerca de 110.000 quilómetros de redes de abastecimento de água em Portugal, com apenas 0,6% ao ano.

Como as entidades gestoras das redes de abastecimento procuram cada vez mais ajustar as tarifas aos custos reais do serviço prestado, todos os custos dos desperdícios acabam por ser imputados aos consumidores através do aumento das tarifas.

Estão em causa cerca de 235 milhões de euros que os municípios deixam de cobrar anualmente. Estão também em causa mais de 700.000 habitações que não estão ligadas à rede pública, apesar de se situarem em zonas onde a água canalizada está disponível.

Esta situação reveste-se de bastante gravidade, pois estes munícipes não se ligam à rede porque tem furos, geralmente ilegais, sendo um risco para a saúde pública e um fator de não sustentabilidade do sistema publico.

Por outro lado, a reabilitação da rede nem sempre é encarada como prioridade de investimento, limitando-se alguns autarcas a empurrar o problema com a barriga, privilegiando investimentos mais produtivos em termos eleitorais, em detrimento de uma obra para ficar “enterrada”.

Na região do Alto Minho, pelos dados recolhidos, as ineficiências e os desperdícios estão em valores considerados aceitáveis (abaixo dos 30%), destacando-se pela positiva o município de Viana do Castelo, com apenas 12,4% de água não facturada.

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