O Futebol Clube dos “Três Grandes”

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O Futebol Clube dos “Três Grandes
O Futebol Clube dos “Três Grandes_© rg prod_Ricardo Gonçalves

O Futebol Clube dos “Três Grandes” :: Muito recentemente, o Alto-Minho foi palco de diversos jogos daquela que, porventura, deveria ser a competição mais democrática do desporto português, a “velhinha” Taça de Portugal. Não existe nenhuma prova que consiga ter a extensão geográfica e afetiva, dado que é disputada por clubes de norte a sul do país. Mesmo o mais impronunciável e longínquo clube tem hipótese, assim consiga a qualificação para competir nesta grande prova nacional.

Em teoria, as ambições serão iguais para todos os envolvidos, apesar de sabermos que, histórias como a de David e Golias, não acontecem tão frequentemente como seria desejável. Só duas equipas conseguirão chegar à final desta prova, mas isso não retira qualquer legitimidade e esperança aos participantes. Os mais modestos, na maioria das vezes, ficam satisfeitos se conseguirem ultrapassar algumas eliminatórias ou se o sorteio ditar um confronto com alguma “truta” dos campeonatos profissionais. E, neste caso, a satisfação é proporcional ao tamanho do clube adversário. Se for um dos chamados “clubes grandes” ultrapassará a satisfação e tornar-se-á um feito histórico, seja com vitória ou derrota, importante também é a receita (isto se o adversário abdicar da sua parte) e o feito alcançado por jogar contra tão ilustre oponente. É, como vulgarmente se diz, “A Festa da Taça”

Pois bem, esta festa, como não poderia deixar de ser no futebol português, traz também consigo sempre decisões e ações polémicas, seja pelos moldes como a mesma se desenrola seja, por exemplo, pelo facto de a final ainda se realizar no Jamor, um estádio nostálgico, com uma zona envolvente belíssima mas, ao mesmo tempo, desadequado e obsoleto para ser o palco final desta competição.

Contudo, a minha preocupação e atenção está mais direcionada para outros estádios. Estádios esses onde decorrem, ou deveriam decorrer, as diversas eliminatórias da Taça de Portugal.

As regras da competição fazem com que muitas vezes os locais, que há partida estão mais arredados dos grandes jogos nacionais, sejam bafejados pela visita dos principais clubes nacionais. As zonas mais interiores do nosso pais ou o litoral do Alto-Minho, dificilmente seriam palco destes grandes jogos se não fosse o sorteio da Taça de Portugal. Para muitos será a única oportunidade de ver equipas e jogadores que por norma se habituaram a ver somente pela televisão.

Consegue-se também assim um equilibrar de forças muito interessante, onde o David (equipa teoricamente mais débil) recebe no seu espaço o Golias (normalmente um dos três grandes do futebol português), podendo, por vezes, complicar um pouco as pretensões legitimas dessas equipas em chegar à final da competição. Ainda que poucas vezes, já todos nós pudemos assistir ou temos conhecimento de equipas pequenas que, no seu estádio e, simultaneamente, com o apoio do seu público e se tornaram “Tomba Gigantes”.

Mas, Portugal é Portugal e o futebol português é ao que parece pertença de três clubes. Infelizmente!

Nos últimos anos temos assistido a um desvirtuar das regras da competição e da própria competição em si. Aquilo que normalmente acontece nos países que gostam de futebol para além de gostarem dos seus clubes não se verifica no nosso belo país. A partir do momento, que o sorteio dita o destino das equipas participantes, é despoletado todo um jogo de bastidores. Se aos ditos “grandes” a sorte ditar uma visita à casa de um clube “pequeno”, logo se começam a arranjar pretextos e desculpas para que o jogo se realize num outro estádio, mais ajustado às suas próprias conveniências. E aqui tudo serve para conseguirem os seus intentos. Bancadas, relva, balneários, transmissões televisivas, frio, calor, tudo e mais alguma coisa conseguindo-se assim acabar com a festa do futebol e desvirtuar uma competição que tinha tudo para ser a mais bela e genuína do desporto português.

Os clubes mais pequenos completamente manietados por televisões, federação e clubes grandes, conseguem, por vezes e por boa vontade de quem tudo pode e tudo manda, ficar com as receitas do jogo, mas perdem a oportunidade, assim como a dignidade, de proporcionar à sua região, aos seus sócios e adeptos uma experiência única e enriquecedora.

Isto não faz jus a nenhum tipo de verdade desportiva. É só mais um exemplo de como se conseguem as coisas neste País. Com arranjinhos, cunhas, aliciamentos e outras coisas mais, onde uns são filhos e outros são enteados.

Ressalvo aqui, os restantes clubes profissionais que, na sua maioria, continuam a respeitar as regras da competição, os seus adversários e sobretudo eles próprios com a aceitação daquilo que o sorteio lhes dita em sorte.

Um bem-haja, por exemplo, ao Vitória Sport Clube (Guimarães) e os seus fervorosos e fiéis adeptos que proporcionaram em Valença do Minho um espetáculo que irá perdurar na memória de todos os que assistiram, sobretudo dos “Valencianos”.

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