O futebol do ‘Vale tudo’

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Cai o pano nas competições nacionais e regionais de futebol, em Portugal. A época 2017/2018 teve o seu términus em meados de maio. Um ano se passou e que ilações podemos retirar sobre o estado do futebol português?!

Pois bem, atendendo às ocorrências registadas durante esta época, podemos pensar que as outras épocas desportivas terão sido porventura semelhantes. Estou cada vez mais consciente que, Portugal e os Portugueses, têm realmente o desporto, neste caso, em concreto, o futebol que merecem.

O país campeão europeu não gosta de desporto. A população campeã da europa não gosta de futebol, ou melhor, até gosta, mas gosta mais que o clube adversário tenha perdido e, se possível, tenha sido prejudicado. É a velha máxima de se querer viver com o mal dos outros. Talvez isso seja, no limite, bem mais significativo que o nosso próprio bem ou até o bem generalizado. O que se gosta efetivamente, não é das vitorias, das exibições, dos golos, mas sim de todo um “mar” de dúvidas e incertezas levantadas por aqueles que discutem o “jogo da bola” em vez do jogo de futebol.

As competições profissionais estão envoltas em polémicas, suspeições, agressões verbais e físicas e mais um sem número de ocorrências que abrem noticiários. Fosse o futebol a coisa mais importante das nossas vidas. É confrangedor! Desde presidentes, directores de comunicação, “paineleiros” profissionais, empresários de futebol e afins, todos se assumem como protagonistas de um “filme” no qual não deveriam ser sequer figurantes. Levantam-se suspeições sobre o profissionalismo de jogadores e treinadores de uma forma levianamente fácil que chega a provocar calafrios. E se essas suspeitas recaíssem igualmente sobre quem as pessoas que as alteiam?! Como reagiriam essas mesmas pessoas?! Que procurarão com estas atitudes?! Valerá tudo na defesa dos “seus” clubes de coração?! Valerá tudo na defesa do seu lugar de destaque na comunicação social?! Vale tudo para aparecer e não ser esquecido?! Evidentemente que não.

Os bons jamais serão esquecidos, o mesmo não se poderá dizer em relação àqueles que roçam a mediocridade.

Atentemos aos atuais programas televisivos sobre desporto. Quanto mais tempo será necessário decorrer, para se perceber que não servem, de todo, o interesse público. Estes programas (se é que os podemos apelidar desta forma) visam somente dividir, instigar e promover conflitos entre as pessoas. O desporto não é isto. Será um simples jogo de futebol suficiente para fomentar o ódio entre pessoas?! Não evoluímos ainda o suficiente para perceber que todas estas distrações servem simplesmente para não vermos aquilo que verdadeiramente se passa no mundo. Ou até mesmo se passa à nossa volta. O futebol, bem como outro qualquer desporto, está muito longe de ser vital na nossa vida.

Paralelamente, este futebol do “vale tudo” que se vê nas ligas profissionais começa a inspirar (no pior sentido) as competições amadoras.

Este final de época competitiva, trouxe à ribalta situações, no mínimo estranhas e caricatas, as quais pensei que já estariam erradicadas. Enganei-me!

No futebol de “vale tudo” regional tudo se fez (não dentro do campo) para que se conseguisse atingir os objetivos propostos no inicio da época. Existiram sinais evidentes de movimentações que a ser verdade, deveriam envergonhar os responsáveis pelas mesmas.

A palavra alegadamente está muito em voga nos casos jurídicos nacionais. Usarei a mesma em alguns “alegados” casos ocorridos. Segundo consta, foram várias as ações que visavam, alegadamente, premiar (monetariamente) vitórias. O que não aceito, mas até entendo. Outras, porém, terão sido, alegadamente, para premiar derrotas premeditadas, o que a ser verdade deveria envergonhar todos os envolvidos e aqueles que gostando do seu clube não se revêm neste tipo de artifícios. O futebol do “vale tudo”, alegadamente alicerçado em investidores multifacetados os quais acumulam outras funções no seio de clubes alegadamente envolvidos. Há gentes sem escrúpulos que deveriam ser erradicados do desporto.

Perante tais suspeições o que fizeram as entidades competentes?! Que se visse? Nada!  //

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