O Futuro dos Jovens no Desporto é Hoje

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Depois do “pontapé de saída” em Fevereiro, onde defendo uma oportunidade para o Jovem Alto-minhoto de se afirmar na sociedade atual, escrevo para falar sobre algo que diz tanto a tantos, o Desporto .

Muitos crescem com o sonho de um dia alcançarem o sucesso dos seus ídolos. Durante anos, vivem em função do sonho, adaptando rotinas, vida pessoal e social de forma a ter a prática desportiva como principal atividade. Contudo, não poucas vezes, o “despertador” da vida toca e somos obrigados a “acordar” do sonho. Eu não fugi desse facto, contrapondo a fantasia de um dia ser como o Michael Jordan, com as perspetivas de futuro e o contexto que me rodeava. Optei por focar no papel-base de um jovem, o de educar-se, priorizando responsabilidades académicas e deixando para trás anos de “sangue, suor e lágrimas”.

Mas, para alguns o sonho é transformado em ambição por apresentarem resultados, reforçada por cada vitória alcançada. Ao contrário dos que têm pouco mais que recordações e “medalhas” corporais (joelhos, tornozelo, etc..), será que o “despertador” é o mais justo para os que, mesmo com parcos recursos e condições, se colocam em pé de igualdade com o que há de melhor a nível nacional e internacional?

Atente-se no caso de Fernando Pimenta, de Ponte de Lima, na canoagem, promotor da região limiana como poucos e que abdica dos «prazeres de ser jovem» para ombrear com os melhores.

Veja-se o caso de Tiago do Atlético de Madrid, de Viana do Castelo, atual campeão espanhol de futebol. Na sua terra passou quase despercebido e só graças à sua persistência e crença de familiares é que ele teve a oportunidade de chegar ao patamar que hoje ocupa. Há ainda, no futebol, os casos de Adrian Silva e o Pedro Tiba, dos Arcos de Valdevez, que migraram da região para terem as oportunidades de singrar.

Analise-se os resultados de jovens como os de Juliana Dias, de Ponte da Barca, e de Inês Fernandes, de Valença, no Atletismo, o de Gael Santos, também de Viana do Castelo, na Esgrima, ou das coletividades como a Juventude de Viana, vice-campeão da 1.ª Divisão Nacional num passado recente e atualmente a disputar a Liga Europeia de Hóquei, ou ainda do Viana Remadores do Lima e o do Caminhense que «produzem» campeões há décadas.

Facilmente, constata-se que os nossos desportistas e clubes dão “cartas”. Por isso, porque não olhar para o Desporto Jovem como uma das “chaves” para o futuro da região? 

A nível nacional o panorama não é risonho. A título de exemplo, assistimos a uma Secretaria de Estado do Desporto e Juventude (SEDJ) a passar entre os «pingos da chuva» sem apresentar, até aos mais atentos, uma Estratégia Política para o Desporto Jovem, em particular o de Alto Rendimento, que crie os alicerces de resultados e vitórias que não dependam só do acaso ou sacrifício pessoal.

Assim, sugiro uma aposta clara no Desporto, com visão de longo-prazo e onde se envolvam as «forças vivas». Ouse-se pensar em medidas como:

• Repensar o Modelo atual da SEDJ, separando-a em duas verdadeiras Secretarias, com autonomia e uma Estratégia a 10 a 15 anos;

• Adaptar os planos de estudos em vigor para atletas de Alto Rendimento;

• Um novo impulso no Desporto Escolar;

• Detectar e monitorizar o talento com processos de desenvolvimento integrados (recurso às TIC);

• Valorizar economicamente o Deporto, encarando-o como uma forma de captar investimento e promoção turística das regiões;

• Formar os dirigentes desportivos, incentivando a constituição de equipas qualificadas e com visão de gestão empresarial.

Em resumo, encare-se do Desporto como um fenómeno global, com impacto económico e social, capaz de mobilizar toda uma região e a própria nação.

O Futuro dos Jovens no Desporto é o Presente. É Hoje que o seu potencial tem de ser capitalizado.

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