O nosso segundo CÉREBRO

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O nosso segundo CÉREBRO

Sabia que os intestinos são considerados o nosso segundo cérebro? Que do seu bom funcionamento depende a nossa saúde, quer física quer mental?

A relação entre o intestino e o cérebro é uma temática emergente na medicina atual. O papel que as bactérias intestinais exercem na saúde e na doença tem vindo a ganhar destaque.

O nosso trato gastrointestinal tem cerca de 5 metros de comprimento dos quais 2/3 são intestino delgado. Constitui neurónios, terminações nervosas e é o lar de 70-80% de células imunológicas.

Mas afinal por que temos um “cérebro abdominal”?

O papel do sistema nervoso central sobre o intestino há muito que é reconhecido, regulando funções gastrointestinais. Todavia, mais recentemente se tem apercebido da importância que o sistema nervoso entérico exerce a nível central. O sistema nervoso entérico possui cerca de 200 a 600 milhões de neurónios que estão presentes nos intestinos. Sim, os intestinos têm um sistema nervoso próprio!

A “flora intestinal” não existe…

Existem cerca de 100 biliões de micro-organismos alojados no trato digestivo de cada individuo. Hoje sabe-se que as bactérias, fungos, protozoários, leveduras e outros micróbios presentes não são plantas e por conseguinte o nome genérico de “flora intestinal” está desajustado e de acordo com a nova terminologia deve dizer-se microbiota ou microbioma intestinal.

Agora, sabemos que o microbioma intestinal deve ser considerado um novo órgão e que as alterações do equilíbrio do ecossistema intestinal – a disbacteriose – está ligada ao aparecimento de vários problemas como obesidade, a diabetes, a asma, alergias, doença celíaca, eczemas atópicos, todo o tipo de doenças autoimunes, vários tipos de cancro, para além de problemas psicológicos como ansiedade, depressão e de doenças mentais. Ou seja, tem a ver com quase tudo que nos pode fazer adoecer ou nos impede de ter uma boa qualidade de vida, nomeadamente:

Microbioma, depressão, ansiedade e transtornos psicológico

Pacientes com estes problemas normalmente apresentam distúrbios digestivos – alterações do apetite, prisão de ventre ou diarreias e anormalidade do microbioma. Pessoas com depressão têm microbiomas diferentes de pessoas sem depressão.

Estes transtornos estão relacionados com a falta de lactobacillus por exemplo. Esses microrganismos ajudam a manter a camada de muco no intestino que o protege. Quando não estão presentes, essa barreira fica mais fraca e surgem pequenas inflamações no intestino – encontradas em 35% das pessoas deprimidas. Algumas bactérias protegem o intestino e produzem efeitos semelhantes a remédios antidepressivos.

Talvez no futuro, os antidepressivos possam ser comprados no supermercado, na forma de iogurte! Quem sabe…

Uma mau microbioma tem solução?

Sim, a boa notícia é que podemos melhorar o funcionamento do nosso segundo cérebro pela alteração do nosso estilo de vida, alimentação, prevenção e tratamento de doenças preexistentes. Uma das formas de manter o microbioma saudável e funcional é através do consumo de pré e probióticos, manter uma dieta saudável e em alguns casos transplante de fezes, sim é verdade!

Vários estudos apontam para a utilidade deste procedimento como terapêutica para inúmeros transtornos, até neurológicos como Parkinson, fibromialgia, esclerose múltipla e autismo.

Sabendo-se agora da importância de determinadas bactérias no nosso intestino, passa a ser ainda mais importante o cuidado com o uso indiscriminado de antibióticos.

Atenção, esta “prescrição” é independente para cada pessoa, isto porque, tal como a impressão digital, cada pessoa tem o seu próprio microbioma. Não existe no mundo dois microbiomas idênticos.

Já nasce connosco e é logo desenvolvido durante o parto normal e a amamentação e vai ganhando as suas próprias características de acordo com os hábitos nutricionais, da medicação, hábitos de cada sociedade e das práticas higiénicas de cada meio.

As novas descobertas sobre o assunto são muito recentes e carecem de mais investigação. Perceber de que forma os intestinos influenciam o cérebro é um desafio, mas é irrefutável que há ligação. Toda a gente já sentiu uma dor de barriga com a ansiedade ou borboletas por estar apaixonada. A par disso é importante perceber que a chave pode estar na diversidade de bactérias presentes no intestino e não deixar a vida moderna acabar com ela!

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