O que precisamos saber sobre o iodo?

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O que precisamos saber sobre o iodo?

A ingestão insuficiente de iodo e consequente deficiência nutricional em crianças, adultos e idosos é hoje uma preocupação de saúde pública transversal a vários governos da Europa, que, em parceria com várias entidades reguladoras de saúde e o sector da indústria, têm procurado criar orientações e medidas ao seu combate.

Em Portugal, cerca de metade das crianças em idade escolar têm carência de iodo e vários estudos, um deles realizado na região do Minho, apontam para a existência de deficiência de iodo em grupos de risco, nomeadamente grávidas e lactantes.

O que devemos saber, então, sobre o iodo?

1. É um micronutriente essencial ao normal funcionamento do organismo, que não pode ser sintetizado de forma endógena e que deverá ser obtido a partir de fontes exteriores ao próprio organismo. A deficiência grave de iodo é resultante de ingestão insuficiente na alimentação e tem um enorme impacto na saúde.

2. Acumula-se na glândula tiróide e contribui para a síntese de hormonas tiroideias, que, por sua vez, são responsáveis pela regulação do metabolismo, temperatura corporal, crescimento e desenvolvimento dos órgãos.

3. Desempenha um papel essencial no crescimento e desenvolvimento cerebral, particularmente, durante a gravidez e nos primeiros anos de vida. Por esta razão, grávidas e mulheres em amamentação têm necessidades diárias de iodo superiores às das população geral.

4. A deficiência de iodo acarreta alterações do funcionamento da tiróide, nomeadamente bócio (aumento do volume da glândula) e hipotiroidismo, cujos principais sintomas são o aumento de peso, inchaço, cansaço e queda de cabelo. Durante a gravidez, a ingestão abaixo dos níveis recomendados, poderá dar origem a doenças mentais, atrasos do desenvolvimento cognitivo e/ou comportamental na criança.

5. As principais fontes alimentares de iodo são os produtos marinhos como o peixe, as algas, os crustáceos e os produtos fortificados, particularmente, o sal iodado. Poderão ser considerados também boas fontes alimentares de iodo alguns vegetais (leguminosas e hortícolas), o leite e os seus derivados e a carne, embora a concentração de iodo neste último grupo dependa do teor de iodo dos solos e das águas, da utilização de produtos iodados na agricultura e indústria e do teor de iodo nas rações dadas aos animais.

6. A Direção Geral de Saúde recomenda, como estratégia para assegurar que são atingidas as necessidades diárias de iodo, a adoção de uma alimentação variada e completa, que inclua alimentos ricos em iodo. Efectivamente, de acordo com resultados de um estudo levado a cabo pelo Instituto Ricardo Jorge, a ingestão, de forma combinada, ao longo do dia, de uma refeição de peixe (aproximadamente 160g), três porções diárias de lácteos e um ovo é suficiente para satisfazer as necessidades diárias da população saudável.  Outras estratégias incluem a substituição do sal comum por sal iodado, relembrando que este nunca deverá ser consumido para além dos 5g por dia, sobretudo, pelo risco cardiovascular que acarreta. Às mulheres, no período preconcecional, ao longo da gravidez e enquanto amamentarem o seu bebé de forma exclusiva, recomenda-se a toma de suplemento diário de iodo, sempre com orientação médica.

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