PARQUE PATRIMONIAL DA BRANDA DE VAL DE POLDROS

0

Serão as brandas sexy? Isto é, serão atraentes para visitantes, tal como a flor seduz pelas cores ou pelos aromas as abelhas que as polinizam? Será possível traduzir num produto turístico sustentável umas toscas e centenárias construções das terras altas? Será possível inovar na oferta, uma vez que existe já um conjunto de antigas cardenhas transformado em alojamento das Aldeias de Portugal, no caso da Branda da Aveleira em Melgaço?

Depois do recente colóquio dedicado à Arquitectura Popular que decorreu em Monção e que teve a Branda de Sto. António de Val de Poldros e que debateu as relações entre os arquitectos anónimos, a arquitectura moderna e a protecção da memória em Portugal, Espanha ou Brasil, surgiu uma questão: se quem ama protege, como se vai acarinhar a lembrança destes lugares, tão simbólicos do sistema agro-pastoril que esteve tão vivo até há 50 anos? A responda não a sopra o vento, como diz a canção. Terá sim que ser uma construção humana, em simbiose com a natureza.

Pelas serranias do Alto Minho, da Galiza e de Castela e León muitos são os que caminham em busca da essência do ser-se ibérico: as montanhas contam de nós e da nossa ligação a uma vida simples e frugal. Por vários locais dessas serras (Ancáres, Suído, Somiedo) se encontram excelentes recuperações da memória de construcções populares: desde eco-aldeias na Ribeira Sacra a centros de apoio ao Caminho de Santiago, passando por restaurantes em palllozas nas Astúrias ou museus, o alargamento do fenómeno turístico em Portugal e Espanha das últimas duas décadas despertou o interesse pelo turismo de natureza e, com ele, o conhecimento da cultura dos locais. As brandas portuguesas merecem estar nesta categoria, porque ainda não estão.

Por estes motivos, apresentei uma proposta que acarinha a memória e olha para as brandas de Monção numa perspectiva de sustentabilidade: chamei-lhe Parque Patrimonial da Branda de Val de Poldros. A defesa deste património poderá ser conseguida com um projecto baseado em três pilares: eco-museu, edutenimento e Turismo Criativo. Passar do potencial ao produto turístico será possível se for possível aliar informação e diversão (edutenimento), boa gastronomia e bom vinho mas, ao mesmo tempo, envolver e seduzir o visitante no e pelo território, convidando-o a ser parte dele: cozendo o pão, caminhando pelos montes, pastando o gado, tosquiando as ovelhas, preparando a vinha e bebendo o vinho.

Se em 1996 começou o futuro da Branda da Aveleira, gémea de Val de Poldros, em 2016 poderá ter acontecido o mesmo em Monção. Seguindo o lema “Eat-Drink-Play-Stay”, o projecto “Minho Nas Mãos” (que contarei de apresentar publicamente ao longo dos próximos meses), contém ideias estruturadas que poderão transformar o património a Branda de Val de Poldros em produto turístico sustentável, complementando a Branda da Aveleira, a sua gémea do concelho de Melgaço. Oferecer território é diferente de oferecer alojamento. Oferecer a experiência do Turismo Criativo, que cresce em visibilidade e popularidade tem que ser visto, também pelas agências de viagem, como factor de diferenciação, que é afinal, o que todos buscam na hora de oferecer território. Porque montes e montanhas há muitas, experiência do território já serão poucas!

Tal como uma abelha é seduzida apenas pela simples ideia de flor, as brandas serão atraentes pelas suas formas, cores e aromas. Venham às brandas e vejam como são sexy!

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here