Opinião Luís Ceia | Patrões e Empresários

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Obtenção de lucros, é em primeira instância a razão pela qual se criam e mantêm as empresas em funcionamento.

Sobre isso estaremos todos de acordo! Então, numa perspetiva muito redutora poder-se-ia afirmar que os empresários são indivíduos egocêntricos, egoístas, orientados para o seu umbigo e consequentemente a comunidade deve tratá-los com elementos estranhos e oportunistas? Seria pacífico aceitarmos este ponto de vista, se subjacente ao lucro, não estivessem outros fatores, condicionantes do próprio lucro, que são determinantes na criação de riquezas que vão muito para além do lucro puro e cru. Ao fazerem perdurar as suas empresas, os empresários estão não só a gerar e manter postos de trabalho, como também a pagar impostos decorrentes das suas atividades que depois vão alimentar a grande máquina consumidora de recursos que somos todos nós, o Estado.

Mas se falarmos daqueles que para além de serem bons contribuintes e empregadores, tarefa desde já muito louvável, quisermos falar daqueles que promovem o crescimento sustentado, desenvolvimento que resulta da conciliação entre crescimento económico e crescimento social e ambiental; ou seja de empresários, aí certamente a comunidade terá uma dívida muito grande.

A negação ou afirmação das ideias até agora expostas, resulta numa divisão objetiva entre uma postura pró-ativa, empreendedora e com capacidade de reagir aos estímulos quer sejam internos ou externos – o empresário e uma postura, passiva, fechada e centralizadora, a figura do patrão. Na empresa com patrão o modelo organizacional esgota-se numa figura central, que concentra, cria dependências e dificilmente admite reparos aos seus atos de gestão. É típico ouvirem-se expressões como: a minha quarta classe é de outro tempo ou eu é que sei tudo, o que tenho fui eu que o ganhei.

As empresas geridas por patrões são normalmente ausentes de estratégia, gestão de informação, política de comunicação e apresentam uma liderança na maior parte das vezes discutível.

Porque infelizmente muitos dos patrões ainda não chegaram a empresários? 

A resposta poderá estar em minha opinião noutra questão: O que pretendemos e  como vamos chegar àquilo que visionamos para a nossa empresa? Aparentemente, num raciocínio imediato se estabelece que é fundamental chegar à visão e aos meios de a alcançar, então por que poucas empresas têm um plano estratégico e navegam ao sabor do vento, junto à costa? Porque a visão que depois determina a estratégia é um pensamento que normalmente cabe numa linha, mas exige abordagens e conhecimentos muito experimentados, normalmente dispendiosos no tempo e no exercício. Análises de mercado, matrizes Swot, processos de Benchmarking são instrumentos caros e, que exigem uma aposta que vai muito além do curto prazo. Poucas empresas arriscam, diria antes investem, os seus recursos na criação de uma bolsa de informação que depois possa constituir uma base, um lastro, para que o barco, leia-se empresa, possa enfrentar as rotas mais diversas e se possa definir com exatidão os portos de ancoragem. Pelo que vemos, a definição da estratégia é um processo demorado, que se pretende sustentado na observação e experiência. Será muito mais difícil definir aquilo que queremos para a empresa do que a estratégia para se lá chegar. Definida a visão, o pensamento estratégico que surge numa segunda fase advinha-se mais fácil. Aqui na posse dos dados sistematizados, a empresa, os seus colaboradores devem definir qual o melhor percurso para alcançar o visionado. Nem sempre o caminho mais curto entre dois pontos é uma reta, por vezes é necessário inflectir, contornar, recuar, no fundo reorientar a rota. Importa sim, nunca perder o porto de destino do horizonte, podemos ter de virar mais a estibordo ou a bombordo, mas o destino final não se mexe, o nosso porto de chegada, será uma doca forte já previamente definida. Quantas vezes não teremos que repensar a nossa estratégia, mudar de planos, traçar novas rotas, para alcançar porto seguro. Para isso, além de termos sempre presente o destino final, torna-se vital fazer uma gestão pró-ativa, que se antecipe aos acontecimentos, assumir riscos controlados, no fundo decidir. Mas esse processo de gestão, de decisão, está facilitado se soubermos para onde queremos ir.

Luís Ceia, Presidente da CEVAL

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